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domingo, 29 de novembro de 2009

Brumadinho completa 71 anos neste no próximo dia 17 de dezembro. O que você acha que tem que melhorar em Brumadinho?

Envie sua opinião para essa pergunta, até o dia 13 de dezembro de 2009, para defatojornal@yahoo.com.br . Publicaremos sua resposta em nossa próxima edição. Se quiser, envie também, em anexo, sua foto.

Coloque sua resposta, seu nome completo, bairro onde mora e telefone de contato.

Paisagens de Brumadinho

















Obra de Valeska Soares, em Inhotim

Edição 107 – Outubro/2009

Editorial

IV CONCURSO DE POESIAS do JORNAL de fato

No dia 17 de outubro o jornal de fato realizou a Cerimônia de Premiação do seu IV Concurso de Poesias. Foi muito bonito estar ali na frente, declamando os poemas e vendo os olhos dos poetas. Era bonito vê-los felizes ao ouvirem sua poesia, fruto de seu suor, de sua inteligência, de seu trabalho. Só de ver um poeta, uma poeta com seus olhos brilhando, já valeu a pena ter realizado mais um concurso.

O IV CONCURSO DE POESIAS do JORNAL de fato quis “contribuir no aquecimento, na divulgação e na ampliação das manifestações culturais de Brumadinho, dando oportunidade aos nossos leitores e artistas de mostrarem sua arte, e oferecendo aos cidadãos oportunidade de alimentar de emoção e beleza a alma e espírito.” O Jornal de fato quer que as pessoas escrevam, as que sempre escrevem e as que querem começar a escrever. Que elas possam publicar seus versos, que possam encantar as outras pessoas, que possam se orgulhar dos versos que escrevem. Porque, acredita o Jornal, a vida precisa de arroz com feijão mas precisa também de música da boa, de muita arte e de poesia. A gente precisa alimentar o corpo, mas precisa também alimentar o espírito: são as duas coisas que mantém a gente vivo, de pé.

Fica também a certeza de que o jornal cumpriu mais um capítulo de uma de suas missões: a de ser canal de fomentação da cultura local. Afinal, nem só de pão vive o homem. A gente quer comida, diversão...e ARTE!

No ano que vem, se Deus quiser, tem mais!!

Edição 107 – Outubro/2009

Orçamento 2010: Brumadinho terá 104 milhões

Secretaria de Educação receberá 21% do total; Câmara fica com quase 4 milhões; Nenen da ASA (PV) quer gastar R$ 26 milhões sem consultar a Câmara

O Município de Brumadinho terá no seu orçamento de 2010 a quantia de R$ 103.800.000,00 (cento e três milhões e oitocentos mil reais). O valor é maior do que o previsto para 2009, que foi em torno de 95 milhões de reais. Dos 103 milhões de reais, a Administração pretende gastar R$ 21.729.073,81 (vinte e um milhões, setecentos e vinte e nove mil, setenta reais e oitenta e um centavos) na Secretaria de Educação. O valor é menor do que o que vai para a Secretaria de Obras, R$ 22.971.076,78 (vinte e dois milhões, novecentos e setenta e um mil, setenta e seis reais e setenta e oito centavos).

Turismo recebe apenas 0,5% e Ação Social 1,87%

Para a Secretaria de Ação Social, o valor é de apenas R$ 1.943.390,13 (um milhão, novecentos e quarenta e três mil, trezentos e noventa reais e treze centavos), apenas 1,87%. Outra pasta pra a qual está destinada uma quantia muito pequena é do Turismo. Embora a Administração de Nenem da ASA (PV) faça um discurso de avanço no Turismo, a Secretaria, que ainda agrega Cultura, receberá pouco mais de 0,5% (meio por cento), R$ 740.632,30 (setecentos e quarenta mil, seiscentos e trinta e dois reais e trinta centavos).

Câmara Municipal leva quase 4 milhões

Enquanto a Secretaria de Turismo e Cultura fica com 0,5% e a de Ação Social fica com apenas 1,87%, os vereadores ficam com 3,7%, R$ 3.800.000,00 (três milhões e oitocentos mil reais), sete vezes e meia mais recursos do que vai para o Turismo e Cultura; o dobro do que vai para a Ação Social. São em torno de R$ 320,00 (trezentos e vinte mil) por mês, em média.

Dos R$ 3.800.000,00, em torno de R$ 590.000,00 (quinhentos e noventa mil) são para pagar salários de vereadores, que recebem R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês. Ainda sobram R$ 3.210.000 (três milhões, duzentos e dez mil) para os outros gastos da Câmara.

Transporte escolar

Uma boa quantia foi reservada para gastar com as empresas de ônibus e vans. São R$ 4.859.330,78 (quatro milhões, oitocentos e cinqüenta e nove mil, trezentos e trinta reais e setenta e oito centavos. A quantia significa 4,7% (quatro vírgula sete por cento) do total, que é quase 10 vezes mais do que se propõe a gastar com o Turismo e mais de 4 vezes mais do que o que quer gastar com Ação Social.

Educação fica com menos de 25%

Embora a legislação federal obrigue o Município a gastar pelo menos 25% de sua arrecadação com Educação, não é o que pretende o prefeito Nenen da ASA (PV). A Administração pretende gastar apenas R$ 21.729.073,81 (vinte e um milhões, setecentos e vinte e nove mil, setenta reais e oitenta e um centavos). A quantia significa menos de 21% do total, o que seria ilegal, apesar de o prefeito Nenen da ASA (PV) alegar que o orçamento respeita a Constituição. Ainda segundo Nenen da ASA (PV), o orçamento é “uma verdadeira demonstração da intenção de melhorar cada vez mais a nossa cidade”.

Como o Projeto de Lei 50/2009, que trata do orçamento, ainda está tramitando, os vereadores ainda podem corrigir a ilegalidade. A diferença é de R$ 4.220.926,19 (quatro milhões, duzentos e vinte mil, novecentos e vinte e seis reais e dezenove centavos).

Prefeito quer gastar 26 milhões sem consultar a Câmara

O prefeito Nenen da ASA (PV) pretende gastar quase R$ 26 milhões sem ter que consultar a Câmara de Vereadores. A quantia pode chegar perto dos R$ 30 milhões. A proposta consta do Projeto de Lei de nº 50/2009, enviado aos vereadores. De acordo com o art. 5º da proposta, Nenen da ASA (PV) poderá abrir “créditos suplementares até o limite de 25% (vinte e cinco por cento) do valor total do orçamento”, que está previsto em R$ 103.800.000,00 (cento e três milhões e oitocentos mil reais). Como a arrecadação sempre é maior do que a prevista, se ela aumentar em, por exemplo, 15 milhões, Nenen da ASA (PV) terá ao seu dispor para gastar, sem ter que informar à Câmara, por volta de R$ 30 milhões. Na prática, isso quer dizer que, quando quiser remanejar verbas de uma secretaria para outra, no valor de até R$ 30 milhões, o Prefeito não precisará de enviar projeto para a Câmara e os vereadores não poderão saber como e em que será gasto o dinheiro.

A proposta é baseada no art. 43 da Lei Federal 4320/64. Essa lei, votada pelo Congresso Nacional há mais de 45 anos, teve o art. 43 vetado pelo então Presidente da República, João Goulart, no dia 17 de março de 1964. O Congresso Nacional derrubou o veto de Goulart que foi deposto do poder 14 dias depois de ter feito o veto. Através de um Golpe Militar, se instalava no Brasil a Ditadura Militar. E os prefeitos passaram a ter o poder de gastar boa parte do dinheiro público sem mostrar para as câmaras de vereadores, desde que as próprias concordassem com isso.

Para entender

Ao final de cada ano, a Câmara de Vereadores vota proposta de orçamento enviada pelo prefeito. O orçamento prevê a receita (quanto de dinheiro que o município vai arrecadar no ano seguinte) e a despesa (onde o município vai gastar a receita prevista). Acontece que, de modo geral, os orçamentos são mal elaborados, muitas vezes propositalmente e, logo que começa o ano seguinte, o prefeito já quer mudar as coisas, tirar dinheiro de uma secretaria, passar para outra e assim vai. Se for apenas remanejamento da mesma receita, o prefeito envia um projeto de lei à Câmara, mostrando de onde ele quer tirar e onde ele vai colocar o dinheiro. Os vereadores discutem e aprovam, se considerarem corretas as mudanças. Por exemplo: tirar dinheiro que está sobrando nos gastos com diárias de servidores da Secretaria de Governo e colocar na Secretaria de Educação, gastos com merenda escolar, por exemplo. Ou então os vereadores não aprovam, dependendo da compreensão que os vereadores tiverem, se acharem que não se deve modificar o que eles mesmo aprovaram no ano anterior quando votaram o orçamento. São os chamados “créditos adicionais”, que podem ser suplementares, especiais e extraordinários. Normalmente o Prefeito deve enviar um projeto de lei específico à Câmara, cada vez que ele precisar de remanejar verbas. Ou quando há excesso de arrecadação, o que é muito comum em Brumadinho.

Créditos adicionais suplementares

De acordo com Hely Lopes Meirelles, um dos maiores estudiosos do Direito Público brasileiro, o que Nenen da Asa (PV) quer aprovar é inconstitucional. Hely Lopes Meirelles assegura que, “havendo necessidade de transposição de dotação, total ou parcial, será indispensável que, por lei especial, se anule a verba inútil ou a sua parte excedente e se transfira o crédito resultante dessa anulação”. Segundo ele, e também outro estudioso famoso, José Afonso da Silva, “a autorização genérica prevista no artigo 66, parágrafo único, da Lei nº 4.320/64 é inconstitucional, uma vez que a prévia autorização legal a que se refere o inciso VI do artigo 167 da Constituição Federal há de ser concedida em cada caso em que se mostre necessária a transposição de recursos. O art. 167 da Constituição Federal proíbe essa mudança no orçamento “sem prévia autorização legislativa”, em lei específica, ou seja, em lei a ser votada pela Câmara, uma a uma, durante o ano em que o orçamento está sendo executado, no caso, no ano que vem.

Segundo outro estudioso, José de Ribamar Caldas Furtado, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, mestre em Direito pela UFPE, professor de Direito Administrativo, Financeiro e Tributário da UFMA, instrutor da Escola do Ministério Público do Maranhão, “comuns são os abusos resultantes de autorizações sem critérios”. “Autorizações sem critérios” é o que quer o prefeito Nenen da ASA (PV) quando propõe poder remanejar, ao seu bel prazer, os R$ 26 milhões.

Diz ainda Caldas Furtado que a Lei Orçamentária Anual, Lei do Orçamento, “não pode dar autorização para o Executivo proceder a remanejamentos, transposições ou transferências de um órgão para outro ou de uma categoria de programação para outra”, e que “os procedimentos previstos no artigo 167, VI, devem ser autorizados através de lei específica”. “O certo é que, se diferente fosse, nenhum valor teriam os termos do artigo 167, VI, da Constituição Federal”, diz taxativamente o instrutor da Escola do Ministério Público.

Crime

José de Ribamar Caldas Furtado lembra que “incorre no denominado crime de desvio de verbas, tipificado no artigo 315 do Código Penal, quem der às verbas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei”. Nesse caso, tanto pode ser enquadrado o prefeito Nenen da ASA (PV) quanto os vereadores que aprovarem a proposta de Lei de orçamento com o seu art. 5º.

Desvio de verba, segundo Hely Lopes Meirelles, "é a transposição de recursos de determinada dotação para outra sem prévia autorização legal, com infração ao disposto no art. 167, VI, da CF”. Se essa conduta for praticada por Prefeito Municipal, será enquadrada no artigo 1º, III, do Decreto-Lei nº 201/67, que comina pena mais severa. Também constitui ato de improbidade administrativa influir de qualquer forma para a aplicação irregular de verba pública (Lei nº 8.429/92, art. 10, XI , o que implica em responsabilizar os vereadores que aprovarem a proposta de lei.

O Decreto Lei 201/67 foi a base legal usada em 1999, em Brumadinho, quando foi feito o impeachment de Cândido Amabis Neto, o Gibiu.

Mas, segundo Nenen da ASA (PV), o orçamento é “uma verdadeira demonstração da intenção de melhorar cada vez mais a nossa cidade”.


Edição 107 – Outubro/2009

Jornal de fato premia vencedores do IV Concurso de Poesias

Cerimônia aconteceu dia 17, entregou certificados para poetas e premiou As 10 melhores

No último dia 17 de outubro, o jornal de fato premiou os vencedores do seu IV Concurso de Poesias. A cerimônia de premiação aconteceu na Câmara Municipal, à noite e contou com participação de poetas, familiares e amigos, além de outras pessoas interessadas em poesias.

As poesias enviadas ao jornal somaram 45 trabalhos, de 20 poetas, 19 de Brumadinho e uma poeta de Belo Horizonte. Logo no início da cerimônia, apresentada pelo Editor do jornal de fato, Reinaldo Fernandes parabenizou a todos os poetas participantes, lembrando que, sem eles, não aconteceria o concurso. “Estão de parabéns mesmo! Não foi fácil para nossos jurados fazer a escolha: todos acharam os trabalhos muito bons”, frizou o Editor. Fernandes explicou que, das 45 poesias, 31, ou seja, quase 70%, ficaram entre as 10 melhores de acordo com este ou aquele jurado. E lembrou que é nesta questão que reside a beleza da poesia: “se determinada poesia não agrada a um, agrada a outro e assim vai”, disse. “Aconteceu, por exemplo, de 1 poesia receber nota máxima, 10, de um jurado, e, no entanto, não ficar entre “as 10 melhores” na contagem geral. Da mesma forma, houve 6 poesias que não receberam notas de todos os jurados, ou seja, que não ficariam entre as 10 melhores na opinião de 3 dos 5 jurados, mas que foram bem pontuadas pelos outros dois jurados e, na contagem geral, ficou entre ‘as 10 melhores’”, completou Reinaldo Fernandes. Segundo ele, “nenhuma delas, das 45, ou das que ficaram entre as 10, recebeu nota de todos os jurados, o quer dizer que as poesias são muito bonitas, de qualidade, e se há 10 melhores, isso é apenas do ponto de vista dos 5 jurados e todos estão de parabéns”, fez questão de dizer o Editor do jornal de fato.

Entrega dos certificados

Todos as pessoas que se inscreveram receberam Certificado de Participação. Antes de cada poeta ser convidado a receber, o apresentador lia um trecho de sua poesia, falava seu pseudônimo, quem era o poeta, pela ordem alfabética do nome artístico usado no concurso. Veja abaixo a relação do poetas, com sua poesia, pseudônimo e nome.

Vencedores do prêmio “As 10 Melhores”

Feita a entrega dos Certificados, foram premiados os autores dos “10 melhores” trabalhos. Sete poetas “faturaram” o prêmio: Relva do Egypto Rezende Silveira, Angelinda Rezende Bhering, Paulo Viotti, Isael Pereira da Silva, Luci Firmino, Nayane Flávia Costa e Nídia Maria de Jesus. Desses, Paulo Viotti, Isael Pereira e Luci Firmino tiveram dois trabalhos cada um deles recebendo a premiação.

Os poetas receberam troféu, medalha, certificado e um livro de poesia de presente: Pablo Neruda, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Ferreira Gullar, e vários outros. Durante a cerimônia, forma sorteados livros para os demais participantes.

Os vencedores

Relva do Egypto Rezende Silveira

Relva do Egypto Rezende Silveira venceu com o poema “A canção do amor”, que recebeu nota 10 de um dos jurados. De Pedrinópolis, Relva mora em BH, e já faturou, segundo informações da própria poeta, mais de 600 prêmios, disputados em várias cidades e estados do Brasil, como em Cerquilho, SP; Cachoeiro de Itapemerim, ES; Santa Teresa – ES; Salvador, BA; Domingos Martins, ES; Saquarema, RJ. Relva ganhou prêmios também em Portugal, Itália, EUA, Uruguai. A autora pertence a várias entidades literárias. Relva usou o pseudônimo Flor Bella. Além da vencedora “A canção do amor”, Relva apresentou mais dois poemas: “Em sintonia com a vida” e “O silêncio e o tempo”.

Angelinda Rezende Bhering

Outra vencedora foi Angelinda Rezende Bhering, que se inscreveu com o pseudônimo de “Anjo”. Estudante do 2º ano do Ensino Médio, Angelinda estuda a maior parte do tempo, mas não deixa de fazer o que gosta como sair com amigos, ler, navegar na internet, praticar esportes e fazer aulas de inglês, que é uma de suas paixões. É filha do médico Jurgen Bhering e Angelina Rezende. Concorreu com três trabalhos: a vencedora “Jardim de amores” e, ainda, “Desejo” e “Natureza”.

Paulo Viotti

Paulo Viotti foi mais um vencedor. Com o pseudônimo “Anacoreta”, ele concorreu com os poemas “Meu sim”, “Os dois caminhos” e “Viver“.“Os dois caminhos” e “Viver“ forma os dois vencedores. Viotti é um mecenas das artes em Brumadinho. Criou o Encine – Instituto de Cultura Internacional Esperanto; é Presidente Emérito da UBT e um pintor de “mão cheia”. Assina a coluna “Momento Poético” no jornal Circuito Notícias, escreveu histórias infantis, contos e poemas para os Suplementos Literários dos jornais “O Diário”, “Correio do Dia”, e “Estado de Minas” na década de 60. È membro da academia Mineira de Trovas – onde ocupa a cadeira de nº 33; ganhou o prêmio da fundação cultural de Paranavaí – PR, em 1991 e teve trovas premiadas em concursos de BH, RJ, Divinópolis, Natal (PN) e Cambuci (RJ). Disse dele o poeta maior, Carlos Drummond de Andrade numa ocasião em que recebeu um trabalho seu: “Agradeço-lhe o amável oferecimento do trabalho de sua autoria, repassado de espiritualidade e emoção.”

Recentemente Viotti lançou o livro “Mineirices e Mineiridades”. Mas a principal característica de Vicente de Paula Viotti talvez seja sua militância cultural: é, com certeza, um dos mais, se não o mais importante militante da cultura em Brumadinho.

Isael Pereira da Silva

Outro que faturou e surpreendeu foi um jovem poeta chamado Isael Pereira da Silva, que se inscreveu com o nome de Pássaro Verde. Ele mora em Inhotim, na rua José Moreira, nº 40, e demonstra ter muito talento para fazer poesia. De três poemas inscritos, emplacou dois: “Eterno amor” e “O amor”. O terceiro era “Exílio”.

Um dos poemas de Isael, “O amor”, ficou muito interessante: o mesmo texto pode ser lido de duas formas, porque é um poema que me permite isso: tanto uma coluna e depois a outra, como o verso de uma coluna e o verso da outra na mesma linha. Segundo relatou o poeta, nem foi sua intenção. Mas isso não importa: importa que o resultado foi esse, um resultado foi fantástico! “Fiquei encantado”, disse o Editor Reinaldo Fernandes ao apresentar o poema vencedor.

Luci Firmino

Luci Firmino, que participou de Concurso de Poesias do Jornal de fato pela segunda vez, concorreu com três poemas. E foi outro a emplacar dois deles: “Canário” e “Vida”. Luci estudou no Grupo Escolar Pe. Machado, sempre se distinguiu como um dos melhores alunos da escola. Estudou no antigo Ginásio São Sebastião (hoje, Casa de Cultura), no Colégio Normal Oficial, e se formou-se em Educação Física na UFMG. Hoje é aposentado e mantém dois hábitos fantásticos: ler e escrever. Seu terceiro poema foi “Noite”.

Nayane Flávia Costa

Nayane Flávia Costa é uma das mais assíduas participantes de Concurso de Poesias do Jornal de fato, tendo participado pela terceira vez. Desta vez emplacou o poema “Quarto de Asilo”. Concorreu também com mais dois, “Mega Sena” e “Quem sou eu”. Moradora do Centro de Brumadinho, gosta de escultura, musica e faz parte do grupo de teatro GEMA. Àguia foi o pseudônimo que usou.

Nídia Maria de Jesus

Outra grande poeta brumadinense também ficou entre “As 10 melhores”, com o poema “Expectativas” (disputou também com “O rio” e “Poeta”. Como a própria Nídia diz, é uma pessoa que “gosta de rimar seus encantos e desencantos. Ama a vida, os animais e as pessoas também. É muito romântica e sonhadora. Procura viver alegremente, amando a todos e brigando por Justiça em defesa dos mais desamparados. Participa do Concurso do de fato desde o 1º e sempre se sentiu valorizada pelos nossos jurados.” Mas o que ela mais gosta mesmo é faturar os prêmios dos concursos do de fato: é a recordista em participações: participou de todos e já ganhou 5 vezes, agora, o 6º prêmio.

Veja abaixo os poemas vencedores.

Jurados

A escolha das 10 melhores poesias foi feita por um grupo de jurados formado por 5 pessoas: Leci Strada, Angela Manjela, Vânia Gonçalves, Luiz Gustavo e Reinaldo Fernandes. Leci Strada é cantor renomado, com 30 anos de estrada, e acaba de lançar uma coletânea com seus maiores sucessos. É diretor da Rádio Comunitária INTER-FM e um agitador cultural. É de sua concepção as pinturas de vários artistas brumadinenses na entrada da cidade e o forró que acontece às sextas-feiras na Praça da Rodoviária.

Angela Manjela também é letrista, compositora e cantora, premiada várias vezes em diversos festivais de música, tanto em Brumadinho como fora daqui. Recentemente lançou seu primeiro cd, com 11 canções, releitura de clássicos da música popular brasileira e cinco composições próprias, duas delas em parceria com Janine Bernardino.

Vânia Lúcia Gonçalves é uma professora de português de redes públicas e privada, famosa por sua competência e seu conhecimento sobre a língua.

O jovem Luiz Gustavo é formado em Letras e Literatura pela PUC-Minas, já participou de uma edição do concurso do de fato com três belos poemas.

Reinaldo Fernandes foi o quinto jurado. Editor do jornal de fato, ele é professor universitário e da Rede Municipal de Belo Horizonte, graduado pela PUC Minas, especialista em Lingüística pela mesma Universidade, Mestre em Lingüística pela FALE – Faculdade de Letras – da UFMG e autor do livro de poesias Trilhas (Editora Por Ora, 1996), além de vencedor do Concurso de Poesias da E. M. Antônio Salles Barbosa (1995) e de vários festivais de música, além de concurso de contos.

Cada um dos jurados, ao serem procurados pelo Jornal, mostrou imensa boa vontade em ajudar na escolha, de forma gratuita, abrindo mão de parte de seu precioso tempo. A eles e a elas o agradecimento do jornal de fato pelo carinho, pela dedicação e pela boa vontade com que analisaram os poemas.

O Jornal agradece também ao Cláudio Teixeira, Secretário Geral da Câmara Municipal, e ao Presidente Zezé do Picolé, que cederam o espaço da Câmara para a realização da cerimônia de premiação.

Conjunto dos poemas

O IV Concurso DE POESIAS do JORNAL de fato quis “contribuir no aquecimento, na divulgação e na ampliação das manifestações culturais de Brumadinho, dando oportunidade aos nossos leitores e artistas de mostrarem sua arte, e oferecendo aos cidadãos oportunidade de alimentar de emoção e beleza a alma e espírito.” O Jornal de fato quer que as pessoas escrevam, as que sempre escrevem e as que querem começar a escrever. Que elas possam publicar seus versos, que possam encantar as outras pessoas, que possam se orgulhar dos versos que escrevem. Porque, acredita o Jornal, a vida precisa de arroz com feijão mas precisa também de música da boa, de muita arte e de poesia. A gente precisa alimentar o corpo, mas precisa também alimentar o espírito: são as duas coisas que mantém a gente vivo, de pé.

Ao final da cerimônia, o Editor do de fato convidou a todos para, quem ainda não tinha feito, ler os poemas expostos na Câmara.

No ano que vem tem mais!

Espaço poético

Abaixo, e na página ao lado, cinco das 10 poesias que faturaram o prêmio de “As 10 Melhores”, pela ordem alfabética dos poemas. Na próxima edição, publicaremos outras, até que possamos publicar todas. É um belo conjunto que merece ser lido por todos os leitores.

IV Concurso de Poesias do Jornal de fato - 2009

A canção do amor

Relva do Egypto Rezende Silveira

Vencedora do prêmio “As 10 Melhores”

Tua lembrança me invade,

arrebata-me a saudade:

emoção.

Teu olhar que me procura

é ternura:

unção.

Os teus sussurros de amor

trazem, em mim, o rubor:

sedução.

E o meu nome, quando o dizes,

ganha acordes, matizes:

canção.

Pseudônimo: Flor Bella

Canário

Luci Firmino

Vencedora do prêmio “As 10 Melhores”

Cheguei de manhã

Benzinho

Mas vou lhe explicar

Agente não pode ser agente

Será?

Ontem depois do trabalho

Entrei num Buteco

Tomei uns golinhos

E deu vontade, meu bem, esquecer.

Peguei violão

Peguei coração

Me Desinibi

Destilhei

Lembranças

Soltei minha mágoa

Fazendo Canção

Mais tarde

Eu bem Satisfeito

Pro nosso ninho

Eu ia direito

A rapa me pega

Me faz canarinho

Será que na vida não se pode alegrar.

Ou será?

È porque na gaiola

È melhor pra canário cantar

Pseudônimo: Poetolo

Eterno Amor

Isael Pereira da Silva

Vencedora do prêmio “As 10 Melhores”

Antes que consuma-me o desejo

Quero viver por um segundo

O amor mais profundo

E o toque envolvente do primeiro beijo

Quero viver a insensatez

Deixar fluir esse amor embalsamado no peito

Não podes negar-me esse direito

De te-la novamente, em nossa primeira vez

Quero ver chegar a noite e de mansinho

Deixar ao seu lado e perder noção do perigo

Sou sua fonte inesgotável de carinho

Esse velho amor no meu peito ainda abrigo

Tento descobrir como esse amor nasceu

Proibido, exausto, avassalador

Mas veio os maus tempos e a gente se perdeu

Mesmo assim permanece forte o nosso amor

Rasga o peito a saudade insensata

Veio o dilema de um amor sem juízo

Nossa relação entrou em concordata

Mas o amor não sofreu prejuízo

Antes que eu grite o seu nome

E reclame a ti o meu amor

Olhe e veja o deserto que me consome

Sem você a vida vai perdendo o valor.

Pseudônimo: Pássaro Verde

Expectativas

Nídia Maria de Jesus

Vencedora do prêmio “As 10 Melhores”

Falar contigo me acalma,

Faz-me bem ouvir tua voz...

Reconfortas minha alma!

Sinto que Deus é por nós.

Vejo-me então envolvida

Em saber teu interior...

Conjecturas de uma vida

Num encontro promissor.

Fica a insistir minha mente

Em traçar o teu perfil...

Teima até que de repente

Adormeço em sonhos mil...

Mas a vida é a arte do encontro;

O sonho a arte de amar...

O despertar, desencanto,

Que faz o dormir desejar.

Pseudônimo: Geminiana

Jardim de amores

Angelinda Rezende Bhering

Vencedora do prêmio “As 10 Melhores”

Bem-te-vi beijando outras flores

Mas não me importo com a sua dispersão

Estava correndo atrás de outros amores

Porque sente falta da minha atenção

Você quer alguém pra amar

Que não te cause dores no peito

Há outras flores para beijar

Não sou um amor perfeito

Pseudônimo: Anjo