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terça-feira, 17 de junho de 2014

Edição 162 – Maio/2014
Editorial

Bola fora!

Imagine você colocar a raposa no galinheiro e dizer para ela: “Raposinha, minha amiga, cuida dessas galinhas pra mim por uma semana.” Você acha, honestamente, que a raposa vai tratar carinhosamente suas galinhas, que não vai comê-las? Desconfio de que não! E não tem nada a ver com bondade ou maldade da raposa. É da natureza dela gostar de comer galinhas. É por isso que não se pode confiar na raposa. Só por isso! Não é o que está acontecendo em Brumadinho, mas é algo parecido.
A Prefeitura está comemorando o Dia Mundial do Meio Ambiente com a “Semana do Meio Ambiente – 2014”. Uma programação legal, incluindo palestra, “limpeza (?!) e plantio de mudas”. Mas quem está apoiando o evento? A MIB, Mineração Ibirité, a mesma que foi recentemente denunciada em diversos órgãos ambientais e, pasmem!, até na Secretaria de Meio Ambiente de Brumadinho, a mesma que está promovendo a Semana do Meio Ambiente, com o apoio da denunciada MIB. Pode isso, produção? Não deveria poder, mas acontece...
Ora, se uma mineradora, que deveria ser normal e temporariamente fiscalizada pelo órgão ambiental – sem ter que esperar denúncias para agir, creio -, é apoiada numa atividade do mesmo órgão, certamente contribuindo com algum recurso financeiro ou algo que o valha, me respondam, honestamente: a Secretaria de Meio Ambiente vai poder, quando precisar e se precisar, fiscalizar essa mineradora?  Essa parceria não é, no mínimo, estranha?
Outro fato curioso: a Prefeitura, que tem a obrigação de cuidar de centenas de quilômetros de estradas sem pavimentação do Município, não possui nenhum caminhão-pipa que possa usar para molhar as estradas numa precisão. Quando precisa, ela pede um caminhão emprestado da mineradora Ferrous. Agora, me diga honestamente, querido leitor, você acha mesmo que a Prefeitura terá “cara” de fiscalizar uma mineradora a quem ela vive pedindo favores? Será que não é por isso que não se fiscaliza os caminhões transportadores de minério que, desrespeitando o decreto de proibição, continuam trafegando pelos bairros e Centro da cidade?   
Por outro lado, a reunião mensal do CODEMA – órgão deliberativo e fiscalizador das questões ambientais de Brumadinho – não aconteceu na última sexta feira. A Presidência do órgão – exercida pelo Executivo – disse que não tinha assunto. Como “ansim”, produção? Então só se reúne quando há problema, se for para decidir alguma questão que a Prefeitura precise? Ou para outro setor do colegiado que esteja defendendo seus interesses de grupos?
Não seria oportuno aproveitar a falta de problemas para fazer palestras para os conselheiros, para discutir o papel do Conselho, para fazer curso de formação ou para discutir questões ambientais do Município?
Não poderia o CODEMA aproveitar a falta de problemas (será?!) para discutir, por exemplo, o que fazer com a COPASA? Essa empresa não cumpre leis, detona com o Município, e fez de nossos rios – para usar as palavras do vereador Aurélio do Pio – “rios mortos”. Essa empresa joga todo o esgoto de Brumadinho nos rios e córregos, como no Bananal e deixa famílias – como aquela que mora na Estrada de Automóvel, entre ruas Rio São Francisco e Aníbal Coelho -, convivendo e sofrendo, dia e noite, 24 horas por dia, com a podridão e o mau cheiro. Foi multada por outras infrações e não se sabe se pagou. Não seriam esses assuntos a serem discutidos pelo CODEMA? 
Ou estaria este Editor tomado de loucuras e apenas criticando por criticar? De quem é a bola fora?        

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