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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Edição 186 – Maio 2016
Editorial

O cenário nacional e a influência nas eleições em Brumadinho

O cenário político federal é um tanto confuso. Veja-se que uma Presidenta legitimamente eleita, com quase 55 milhões de votos (8.369 em Brumadinho), foi retirada do cargo enquanto seus algozes diziam combater a corrupção. E, menos de um mês de governo interino depois, já caíram dois ministros acusados de corrupção, além de ter o envolvimento em denúncias – agora com pedido de prisão pela PGR - dos maiores nomes do PMDB e do PSDB, os dois principais partidos responsáveis pelo Golpe de Estado contra a Presidenta.
A questão é se o cenário nacional interferirá nas eleições locais.
Todos estão vendo o atual governo interino e a que ele serve. Em menos de um mês de governo, as conquistas populares dos últimos anos foram duramente atacadas, como o fim dos ministérios da Reforma Agrária; da Cultura; da Igualdade Racial; das Mulheres e dos Direitos Humanos; da Comunicação, para citar alguns. E o fim da CGU – Controladoria Geral da União - principal órgão de combate à corrupção, o que mostra claramente que a verdadeira intenção do Golpe de Estado contra a Presidenta foi para barrar a Operação Lava Jato e o combate à corrupção que vinha sendo feito por seu governo. As conversas de Sérgio Machado, ex-senador do PSDB, com o primeiro ministro interino que caiu, Romero Jucá, e depois com Sarney e Renan Calheiros (os três com pedidos de prisão) provam isso.
Esse governo interino não dura, tem enfrentado a oposição dentro do governo e nas ruas dias após dias, todos os dias.
Em relação à interferência nas eleições em Brumadinho, vejo dois aspectos. Num primeiro, para a maior parcela da população, o que importa é a política local. O cidadão quer saber dos problemas locais, se o candidato tem solução para a escola de seu filho, para a saúde, para a questão do hospital municipal, quer um quebra-molas na sua porta, quer solução para o trânsito etc. Por isso, essa parcela vai se preocupar com a política local, e não dará a mínima para as questões nacionais.
Outra parcela, creio que bem menor da população, se lembrará sempre das questões nacionais. Ora, qual era o discurso da grande imprensa para derrubar a Presidenta? Que o PT tinha inventado a corrupção e era responsável por ela. E o que está se vendo com a divulgação das gravações, todas feitas antes do dia da votação da admissibilidade do impeachment? As gravações provam que a única intenção era tirar Dilma a fim de parar a Lava Jato e o combate à corrupção, “estancar a sangria”, como disse o Senador Jucá (daí o pedido de prisão da PGR). A parcela da população que estava a favor de derrubar a Presidenta agora percebe que realmente era um golpe de estado o que estava por trás do chamado impeachment.
Nesse sentido, quem será muito beneficiado em Brumadinho? O beneficiado será o candidato (ou candidatos) dos partidos aliados da Presidenta. Primeiro, porque caiu por terra o discurso da grande mídia, do PMDB, do PSDB e dos partidos que apoiaram o golpe de que queriam combater a corrupção.
Segundo, porque a população de Brumadinho conhece, e reconhece, quem são as pessoas honestas do Município. A população sabe exatamente quem se enriqueceu com a política, quem teve ou ainda tem envolvimento em questões obscuras. A população sabe exatamente quem responde a processos e a inquéritos do Ministério Público, por “improbidade administrativa”, o nome bonito para “corrupção”, ou roubo do dinheiro do brumadinense.
Reinaldo Fernandes
Editor
A população sabe, também, quem sempre combateu a corrupção, quem ajudou a retirar do governo dois ex-prefeitos acusados de corrupção e combateu outros corruptos. Sabe quem defende os privilégios dos políticos e quem os combate.
Aliás, a recente prisão do ex-presidente do PSDB, Nárcio Rodrigues, pai de Caio Nárcio, ambos os deputados mais votados em Brumadinho, também ajuda a desmascarar quem combate a corrupção e quem participa dela ativamente.
A população sabe quem pode andar de cabeça erguida nas ruas; quem pode entrar nas casas das pessoas, porque não deve nada, nunca foi acusado de nenhuma corrupção. E conhece os que deveriam se envergonhar até mesmo de frequentar locais públicos, tamanho envolvimento em corrupção e roubo.
Por fim, as eleições são sempre um momento de esperança da população, que já mostrou que gosta de fazer a troca dos políticos, com aquele sentimento que se apossa dela quando sai de casa para votar: “Agora vai dar certo!”. 


Edição 186 – Maio 2016
Eleições 2016
Ex-deputado Nárcio Rodrigues (PSDB), duas vezes entre os mais votados de Brumadinho, foi preso acusado de corrupção em esquema de R$ 14 milhões
Ex-deputado federal por cinco mandatos, ex-presidente do PSDB mineiro foi Secretário de Estado do ex-governador Anastasia (PSDB), Relator do Golpe de no Senado; amigo de Aécio Neves e Nenem da ASA, foi preso no dia 30 de maio e conduzido à penitenciária de Contagem

O ex-presidente do PSDB mineiro, de 2004 a 2007 e de 2009 a 2011, Nárcio Rodrigues, acaba de ser preso. Segundo o Ministério Público, a prisão de Nárcio Rodrigues é por conta de fraudes encontradas nas investigações em obras realizadas em Frutal, cidade natal do peessedebista. As obras realizadas durante a gestão dele como secretário foram auditadas em 2015 pela Controladoria-Geral de Minas Gerais, que apontou irregularidades. Ainda de acordo com o MP, os roubos ocorreram entre 2012 e 2014, durante o governo do também tucano Antônio Anastasia, atual senador pelo PSDB, e tinham como objetivo fraudar para levantar recursos para campanhas políticas.
A Operação Aequalis investiga o desvio de verba pública que deveria ser destinada à Fundação Hidroex, vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, entre 2012 e 2014. A fundação desenvolvia, em Frutal, cidade natal de Nárcio, um centro de pesquisas de recursos hídricos. A estimativa é que tenham sido desviados R$ 14 milhões. O dinheiro desviado teria sido usado em campanhas, como apontou o executivo português Firmino Rocha, em delação premiada. O delator aponta propina de R$ 1,5 mi ao ex-presidente do PSDB preso, Nárcio Rodrigues. Ainda segundo o executivo, a propina teve origem em contrato superfaturado de venda de equipamentos para o centro de pesquisa mineiro "Cidade das Águas", e parte foi remetida ao paraíso fiscal de Hong Kong em 2014.

Aécio Neves, Anastasia e a “honestidade” de Caio Nárcio Rodrigues

Nárcio Rodrigues (PSDB) foi Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais durante o governo de Antônio Anastasia (PSDB), entre dezembro de 2010 e novembro de 2014. Nárcio pertence ao núcleo de Aécio Neves, presidente nacional do PSDB. Ele também é pai do deputado federal Caio Nárcio (PSDB-MG), que na votação pelo afastamento da presidenta Dilma Rousseff citou seu pai como exemplo de honestidade: “Por um Brasil aonde meu pai e meu avô diziam que decência e honestidade não era possibilidade, era obrigação. Por um Brasil aonde os brasileiros tenham decência e honestidade”, afirmou o parlamentar no último dia 17 de abril, com uma bandeira do país nas mãos.
Mas a prisão de seu pai prova que honestidade passa longe da família Rodrigues.
Nárcio Rodrigues (PSDB) foi chamado para prestar depoimento no Ministério Público do Estado, em Belo Horizonte, no dia 1º de junho, e não se defendeu das acusações.
Nárcio Rodrigues com aliados: senador e Presidente do PSDB
Nacional, Aécio Neves, um dos políticos
mais citados nas delações da Operação Lava Jato; e Anastasia,
também senador do PSDB e, ironicamente, relator do
Golpe de Estado contra Dilma Rousseff (PT) no Senado 


Nenem da Asa e Nárcio Rodrigues

Nenem da ASA é aliado do preso Nárcio Rodrigues (PSDB). Recentemente, a empresa ASA, de Nenem (PV) foi condenada por ter, oficialmente, doado ilegalmente R$ 160.000,00 (cento e sessenta mil reais) para a campanha do PSDB em 2014. Por causa dessa doação, Nenem da ASA (PV) ficou inelegível para as eleições desse ano e por mais oito anos e tenta reverter a decisão no TRE-MG, embora deva perder: o Parecer do Procurador Eleitoral do Ministério Público opinou pela manutenção da condenação.
Nenem da ASA (PV) é aliado da família do preso desde 2010, quando apoiou Nárcio Rodrigues para deputado federal. Em vídeo gravado em apoio à candidatura de Nárcio Rodrigues, Nenem da ASA (PV) enaltece o prisioneiro, dizendo: “Eu considero o Nárcio como um cidadão brumadinense. Estamos apoiando mesmo Nárcio Rodrigues.” No vídeo (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=HzutUoha7O4) Nenem diz que “Nárcio Rodrigues tem nos ajudado na construção do novo hospital”. Até hoje o hospital está inacabado e se acabando no meio do mato, apesar da construtora, ligada à família de Nenem ter recebido quase R$ 9 milhões pela obra. Quase três mil brumadinenses (2.801) votaram em Nárcio Rodrigues (PSDB).
Nárcio recebeu também apoio financeiro de muitas pessoas e empresas para sua campanha eleitoral. Segundo o site “Os Donos do Congresso”, Nárcio arrecadou R$ 2.878.337,64. Ainda de acordo com o site, uma de suas doadoras foi Gislene Parreiras Zuza. Gislene Parreiras Zuza aparece na lista de doadores de Nárcio Rodrigues como quem doou R$ 200,00. Outros doadores foram Alcimar Barcelos, Ademir Fernandes Maciel, Horizontes Ltda, Cosme Jose da Silva, Edney Cândido Rodrigues e Cláudio Rodrigues Braga (conferir em: http://donosdocongresso.com.br/doadores/?donatario=30222290625&cargo=2&ano=2010).

Retribuições

Já em 2014, o ex-prefeito retribuiu Nárcio Rodrigues (PSDB) e apoiou seu filho, Caio Nárcio (PSDB).  Desta vez, 1.628 brumadinenses votaram em Caio Nárcio (PSDB).
Como numa grande amizade, Nárcio Rodrigues (PSDB) retribuiu o apoio de Nenem da ASA (PV), apoiando-o na reeleição em 2012. Em vídeo gravado para a campanha (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=ERbRG5Xwq7c), Nárcio fala uma série de mentiras, e afirma que ajudou muito Brumadinho. Uma das mentiras diz respeito à água: “Graças à nossa ação, Brumadinho recebeu 100% de água tratada em Brumadinho”, o que ele chama de uma das “conquistas extraordinárias”.  Afirmando que aquela era uma conquista “extraordinária” era dele e de Nenem, disse: “Nenem tem o meu apoio!” No entanto, como se sabe, Brumadinho nunca teve água tratada para metade da população.

Nenem toma PSDB de Zé Paulo

Recentemente o PSDB de Brumadinho mudou de dono. O PSDB foi tomado do ex-secretário de Saúde José Paulo e agora seu presidente é o irmão de Nenem da Asa, Cid Barcelos. A lógica dos partidos de direita, praticamente de todos eles, é que o deputado majoritário, ou seja, o mais votado na cidade, seja o dono do partido. Zé Paulo e sua turma do PSDB apoiaram Toninho Pinheiro, do PP, e Neném apoiou Caio Nárcio, filho de Nárcio Rodrigues, do PSDB: nessa lógica, quem deve ser dono do PSDB em Brumadinho é Caio Nárcio, que entregou o Partido a Nenem.


Edição 186 – Maio 2016
Aliado de Aécio Neves teria recebido suborno para financiar campanha eleitoral

O ex-presidente do PSDB de Minas, aliado do senador Aécio Neves, teria recebido propina de R$ 1,5 milhão, dinheiro vindo de contrato superfaturado de venda de equipamentos para o centro de pesquisa mineiro “Cidade das Águas”.
A declaração é do executivo português Firmino Rocha, em delação premiada assinada com o Ministério Público de Minas Gerais, na operação “Aequalis”, conforme noticiou o Jornal Folha de S. Paulo.  Nárcio Rodrigues foi preso no dia 30 de maio.
Segundo o delator, parte do suborno foi destinado ao financiamento ilegal de campanhas eleitorais. Na época, Rodrigues ocupava o cargo de secretário estadual de Ciência e Tecnologia do governo do hoje senador Antônio Anastasia (PSDB). O candidato da família foi seu filho, Caio Nárcio (PSDB), apoiado em Brumadinho pelo ex-prefeito Nenem da ASA (PV).

Ligação com Aécio Neves

Rodrigues foi um dos coordenadores políticos das campanhas eleitorais estaduais de Anastasia em 2010 e do tucano Pimenta da Veiga, derrotado no pleito de 2014. Ex-presidente do PSDB estadual e ex-deputado federal em cinco mandatos, sempre teve forte ligação com o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Firmino Rocha revelou que a propina foi paga para que o grupo Yser, um dos maiores de Portugal, fosse beneficiado em contrato superfaturado no esquema de aquisição de material para a “Cidade das Águas”, projeto da Fundação Hidroex, sediado em Frutal (MG), cidade natal de Nárcio e Caio Rodrigues e sua base eleitoral.
Segundo a Controladoria-Geral de Minas Gerais, que investigou a obra em conjunto com o Ministério Público, os equipamentos foram comprados sem licitação e com superfaturamento de R$ 3,8 milhões. Apesar de terem sido pagos, os equipamentos não teriam sido entregues, gerando prejuízo de R$ 8 milhões ao governo do Estado.

Com informações do Jornal Folha de S. Paulo

Edição 186 – Maio 2016
Roubo de R$ 14 milhões
Braço direito de Nárcio Rodrigues, Odo Adão Filho, é preso em BH
A pedido do Ministério Público de Minas Gerais, a Justiça também prorrogou a prisão do ex-secretário do governo de Antônio Anastasia (PSDB), Nárcio Rodrigues; esquema de corrupção é antigo

A operação Aequalis prendeu no dia 3/6 o advogado Odo Adão Filho, mais conhecido como “Odinho”, braço direito do ex-presidente do PSDB em Minas Gerais Nárcio Rodrigues. Odo Adão Filho é apontado como lobista internacional e operador de Nárcio Rodrigues. "Odinho" era considerado foragido.
Desde 2014, Odo Adão Filho é diretor de relações institucionais do grupo português Yser. O diretor no Brasil da multinacional, Hugo Alexandre Timóteo Murcho, também foi preso na operação do dia 313/5. O presidente da empresa portuguesa, Bernardo Ernesto Simões Moniz da Maia, está foragido.
A investigação apura se o dinheiro desviado teria sido usado em campanhas, como apontou o executivo português Firmino Rocha, em delação premiada. Aos investigadores, Firmino afirmou que Nárcio Rodrigues teria recebido R$ 1,5 milhão em propina, parte destinada a financiamento eleitoral. Na época em que Nárcio comandava o partido, o operador financeiro das campanhas era Eduardo Nogueira, que não foi encontrado para se manifestar sobre a investigação.

Esquema antigo

Não é a primeira vez que Nárcio Rodrigues envolve-se em esquemas de corrupção. A parceria entre Nárcio Rodrigues e Odo Adão Filho é mais antiga. O ex-deputado tucano e o pai de “Odinho”, Odo Adão, criaram juntos o Centro Nacional da Cidadania Negra (Ceneg), em Uberaba, no Triângulo Mineiro.
Entre 2000 e 2002, governo do PSDB, o Ministério do Turismo repassou ao Ceneg quase R$ 3 milhões em convênios para a realização de projetos destinados à qualificação e promoção da comunidade negra, segundo dados da Controladoria Geral da União (CGU). Em 2009, o Ceneg foi fechado pelo governo federal em função de denúncias de desvio de dinheiro, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF). Odo Adão Filho era presidente da instituição na época.
Em julho de 2009, enquanto estava sendo investigado, um incêndio destruiu parte do prédio que abrigava o centro. Vários documentos e materiais informativos foram destruídos. Na época, o então deputado Nárcio Rodrigues negou irregularidades e culpou o governo federal do então Presidente Lula pelo fechamento do centro.
No final de 2014, o MPF obteve a condenação dos ex-diretores do Ceneg Gilberto Caixeta e Adélio Leocádio da Silva, por crime de estelionato contra a administração pública. Segundo a sentença, ficou demonstrada a prática de diversas irregularidades na execução dos convênios com a União. Constatou-se que foram desviados mais de R$ 700 mil em valores da época.


Legenda da foto de Nárcio de vermelho: A pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Justiça do Estado prorrogou por mais cinco dias a prisão do ex-secretário de Antônio Anastasia (PSDB), Nárcio Rodrigues (PSDB) 
Edição 186 – Maio 2016
DEU NO DOM
Férias prêmio dos servidores municipais: conversão em dinheiro
PORTARIA 05 DE 18 DE ABRIL DE 2016 “Define critério de concessão de licença prêmio convertida em espécie, no exercício de 2016.” O Prefeito Municipal de Brumadinho, no uso de suas atribuições legais, em conformidade com o disposto no artigo 99, inciso II, da Lei Orgânica do Municipal de 20 de março de 1990 e o parágrafo único do artigo 141 da Lei Complementar 39/2004; CONSIDERANDO as restrições orçamentárias e financeiras impostas ao Município pela crise financeira por que passa o país em razão de fatores externos e internos; CONSIDERANDO o impacto financeiro sobre as contas públicas resultante de pedidos de conversão em espécie de licença prêmio adquirida e por adquirir por servidores do Município; R E S O L V E: Art. 1.º - Fica limitado em um mês o deferimento de conversão em espécie de férias prêmio a cada servidor, durante o curso do ano de 2016. Art. 2.º - A limitação definida no artigo anterior poderá ser revista, caso recuperada a arrecadação do Município. Registre-se. Publique-se. Cumpra-Se.


Edição 186 – Maio 2016
Falta de vacinas contra H1N1 em Brumadinho
A campanha de vacinação contra a grife H1N1 duraria do dia 30 de abril (com mobilização especial em todo o país) até 20 de maio. Mas em Brumadinho ela terminou na primeira semana. Não porque foram vacinados todos que precisavam ser ou os que estavam na listagem do Ministério da Saúde. As vacinas acabaram muito antes da hora e muita gente idosa, crianças e gestantes, entre outras pessoas do grupo que deveria ser vacinado ficou sem a vacina.
A entrega das vacinas aos municípios é de responsabilidade dos Estados.

Outro lado

Segundo a Secretaria de Saúde de Brumadinho, as vacinas acabaram porque houve uma procura muito grande por pessoas que não usam normalmente os serviços do SUS. Segundo o setor de vacina do SUS, a quantidade de vacina é enviada a partir dos dados apresentados pelo Município. Os dados são colhidos pelos agentes comunitários das equipes do PSF – Programa Saúde da Família – mas muita gente recusa-se a dar as informações, recusa-se mesmo a receber os agentes. E muitas dessas pessoas, que faziam parte do grupo com maiores riscos de contrair a doença, foram tomar vacinas, e como chegaram antes de outros, foram atendidas, já que o SUS é universal e deve atender a todos que o procuram.
A Secretaria informou que teria solicitado mais vacinas à Secretaria de Estado de Saúde mas que ainda não obtivera resposta. 
Segundo o Ministério da Saúde, neste ano, contando até o dia 16 de abril, foram registrados 1.635 casos de influenza de todos os tipos no Brasil. Desse total, 83% (1.365) por influenza A (H1N1), sendo 230 óbitos, com registro de um caso importado (o vírus foi contraído em outro país). A Região Sudeste concentra o maior número de casos (976) de H1N1, sendo 883 no Estado de São Paulo.

As vacinas protegem as pessoas dos grupos de riscos contra três subtipos do vírus da gripe, incluindo o vírus tipo A, causador da gripe H1N1. 
Edição 186 – Maio 2016
Opinião
Proposta de emenda constitucional agride a legislação ambiental
Reinaldo Dias

No último dia 27 de abril, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou Proposta de Emenda Constitucional (PRC), de n. 65/2012, que modifica a legislação ambiental. Agora a proposta será encaminhada ao plenário para deliberação.
A proposta é um texto simples em seu enunciado afirmando que o artigo 225 da Constituição passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo 7º. “A apresentação do estudo prévio de impacto ambiental importa autorização para a execução da obra, que não poderá ser suspensa ou cancelada pelas mesmas razões a não ser em face de fato superveniente”.
Na realidade sua simplicidade oculta uma grave agressão à legislação ambiental, pois torna irrelevante a exigência de licenciamento ambiental para obras. A partir da apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), nenhuma obra – pública ou privada – objeto de licenciamento ambiental poderá ser interrompida.
O licenciamento ambiental é um dos pilares da legislação ambiental brasileira. Qualquer obra para estabelecer sua viabilidade deve apresentar o EIA e cumprir os três passos do licenciamento ambiental. Primeiramente solicitar a licença prévia ambiental e somente após a aprovação desta se pede a licença de instalação, que permitirá que se inicie o empreendimento. Na última etapa, caso sejam cumpridos os ajustes indicados pelo órgão ambiental, é fornecida a licença de operação que autoriza o funcionamento do empreendimento. A PEC 65, na prática, ignora essas fases do licenciamento.
Aproveitando-se do atual momento de crise que vive o país, os defensores da PEC se aproveitam do caos político institucional para, discretamente, acelerarem a tramitação da proposta. Tendo sido apresentada em 2012, foi somente no final de 2015 que voltou a tramitar com rapidez.
Caso seja aprovada, a medida impedirá a análise de todo processo de licenciamento com a consequente dificuldade na identificação dos impactos negativos dos empreendimentos tanto nos níveis federal quanto estadual.
Um dos principais argumentos dos defensores da PEC é que a proposta garante maior agilidade e consequente economia de recursos em obras sujeitas ao licenciamento ambiental. Ocorre que a solução do problema de maior celeridade não está na eliminação de mecanismos que garantem uma relação mais sustentável entre economia e meio ambiente, mas em tornar mais eficaz e eficiente a máquina pública. O problema está na melhoria da gestão pública ambiental com foco na melhor articulação entre o econômico, o social e o ambiental.
A legislação é cautelosa, como deve ser, pois envolve a liberação da instalação de empreendimentos em locais que certamente serão afetados pela obra, tanto do ponto de vista social quanto ambiental. Os processos naturais que formaram e mantém o ecossistema local que será afetado ocorreram durante muitos anos. Em alguns casos contam-se aos milhares ou milhões de anos para se consolidar e entrar em equilíbrio, que pode ser alterado bruscamente pela intervenção humana. Desse modo toda cautela é pouca.
O processo de licenciamento, na maioria dos casos não é lento, é cauteloso, pois a avaliação de impacto ambiental envolve inúmeras variáveis e profissionais de diversas áreas que devem sugerir medidas mitigadoras para diminuir os efeitos da obra sobre o meio ambiente.
O cenário futuro numa eventual aprovação da PEC 65/2012 é de aumento da agressão aos ecossistemas mais sensíveis, aumento do desmatamento, destruição de habitats, deslocamento de populações que dependem diretamente de recursos naturais e que se encontram no entorno do empreendimento entre outros prejuízos e retrocessos.
Esse quadro indica a necessidade da sociedade se mobilizar para barrar o avanço da PEC 65/2012 no Senado. Lembremos do famoso poema que começa assim: “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada”.  E continua o poeta mostrando que temos que barrar ideias retrógradas em seu início. Nesse caso, vamos impedir que a proposta prospere. Nenhuma flor será roubada.


*Reinaldo Dias é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus Campinas. É Doutor em Ciências Sociais, Mestre em Ciência Política pela Unicamp. É especialista em Ciências Ambientais.

Edição 186 – Maio 2016
 5 de junho: Dia Internacional do Meio Ambiente

Inhotim inaugura Largo das Orquídeas durante a 12ª Semana do Meio Ambiente
Programação também inclui 2º Curso de Paisagismo e atividades gratuitas

A 12ª Semana do Meio Ambiente do Inhotim teve início no dia 3 de junho, estendendo-se até o dia 12. Este ano, a grande atração é a inauguração de um novo jardim temático no Instituto, desta vez dedicado às orquídeas da espécie Cattleya walkeriana. Sucesso de público na primeira edição, o  Curso de Paisagismo do Instituto com Raul Canovas e Juliano Borin está de volta e abriu a programação.
Atividades gratuitas também foram oferecidas aos visitantes. Para conhecer mais sobre o trabalho realizado nos jardins do Parque, uma visita temática relaciona biodiversidade e conservação. No Espaço Ciência, montado no Centro de Educação e Cultura Burle Marx, os mediadores do Inhotim conversam com o público sobre as características das orquídeas. Essas plantas poderão ser vistas também no Epifitário, localizado no Viveiro Educador, que ficou aberto à visitação especialmente no dia 9.

Para o diretor de Jardim Botânico do Inhotim, Lucas Sigefredo, a Semana do Meio Ambiente já é uma programação tradicional do Inhotim e reforça o papel do Instituto na preservação ambiental. “Por meio de nossas atividades educativas, incentivamos o público a ter um papel mais ativo no mundo. Além disso, alinhamos nossa agenda de conservação da natureza com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU manifestados pelos números 13 [Ação contra a mudança global do clima] e 15 [Vida terrestre]”, explica Sigefredo.
(foto: laura de las casas)

Inauguração oficial do Largo das Orquídeas

Novo espaço temático do Inhotim, possui cerca de 17 mil orquídeas da espécie Cattleya walkeriana, nativa de Minas Gerais, São Paulo e Goiás e típicas do Cerrado. Usada em ornamentação de jardins, a flor possui alto valor no mercado devido a características como cor e simetria.
As flores foram doadas ao Inhotim por meio de uma parceria firmada com a Orchid Brazil, empresa especializada em orquídeas raras e melhoradas geneticamente que é a fornecedora oficial de orquídeas do Inhotim.
A inauguração aconteceu no dia domingo, 5 de junho, Dia Internacional do Meio Ambiente.

As informações são da Assessoria de Imprensa de Inhotim.
Edição 186 – Maio 2016
Poucas e Boas
'Decência e honestidade'
"Por um Brasil onde meu pai e meu avô diziam que decência e honestidade não era possibilidade, era obrigação. Por um Brasil onde os brasileiros tenham decência e honestidade. Por Minas, pelo Brasil, para os jovens que estão lá fora nas ruas, verás que um filho teu não foge à luta.”
Deputado Federal Caio Nárcio (que recebeu 1628 votos em Brumadinho, apoiado pelo ex-prefeito Nenem da ASA), no dia da votação do Golpe de Estado contra Dilma Rousseff (PT), 17 de abril. Depois de votar, levantou a bandeira do Brasil, beijou-a e disse "sim" ao Golpe. O “meu pai” a que ele se refere é Nárcio Rodrigues, cinco vezes deputado federal, presidente do PSDB de Minas de 2004 a 2007 e de 2009 a 2011, mais votado em Brumadinho em 2006, e ex-secretário de Estado de Anastasia, o relator do Golpe no Senado. Nárcio foi preso no dia 30 de maio, acusado de participar de um esquema que roubou 14 milhões de reais de dinheiro público, dos brumadinenses que votaram nele e dos demais mineiros. Nárcio teria recebido R$ 1 milhão e meio em propina

Votos minguando, fogo contra Dilma’
"O impeachment perdeu força no Senado a olhos vistos e a resposta foi imediata: fogo contra Dilma.  Como a acusação baseada em pedaladas fiscais e decretos orçamentários sem autorização legislativa foi questionada mundo afora e vem abalando a disposição de voto de senadores decepcionados com os rumos do governo Temer, a  nova ofensiva trata de vincular  Dilma à Operação Lava Jato"
Jornalista política Tereza Cruvinel, colunista do 247, no texto “Votos minguando, fogo contra Dilma”, em 4/6/16

Corrida entre impeachment e delação da Odebrecht
"Há dois movimentos caminhando juntos neste momento, em velocidades diferentes: a delação dos dirigentes da Odebrecht e o esforço do bloco de Temer para acelerar o ato final do impeachment da presidente Dilma, de modo que ele ocorra antes das revelações da empreiteira. Se elas tiverem a força e o alcance esperados, revelando todos os participantes do esquema “ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”, como anunciou a própria empresa em março, as condições para a condenação de Dilma podem ser definitivamente comprometidas. Elas já se deterioraram muito por conta das bizarrices do próprio governo interino, ameaçando a consecução dos 54 votos necessários"

Da mesma Tereza Cruvinel, colunista do 247, no texto “Corrida entre impeachment e delação da Odebrecht”, em 3/6/16

Edição 186 – Maio 2016

Não desanimais, animais, como eu.”
As coisas estão difíceis? Parece que seu mundo ruiu, que você chegou ao fundo do poço? Não se des-espere! Nada como um dia após o outro. A experiência nos mostra isso: as coisas podem melhorar. Mais do que isso: as coisas vão melhorar! Levante sua cabeça, sacuda a poeira, olhe em frente. O horizonte é sempre belo, nos mostra amplidão, caminhos, saídas. Coloque um sorriso no rosto: a tristeza nos destrói, nos joga ao chão, mas a alegria é revolucionária, nos ajuda a nos manter de pé, nos impulsiona para lutar por dias melhores. E a luta nos traz vitórias! Ao final, seja feliz!  

É isso!   
Edição 186 – Maio 2016
Servidores se mobilizam e exigem 11,36%

Brumadinho é a 42ª cidade mais rica entre os 853 municípios de Minas Gerais. Tem uma das maiores rendas per capta do Estado, em torno de 1500 reais mensais. Entre os anos de 2000 a 2010, passou de 80º município de maior renda per capta para o 7ª lugar, avançando nada menos do que 73 posições. O Município apresentou uma das maiores taxas de crescimento anual entre os 10 primeiros colocados no ranking mineiro, que define as maiores rendas per capta. Apresentou uma taxa de crescimento anual de sua renda per capta, ao final do décimo ano, de 85%, maior do que a taxa de crescimento de BH e menor apenas do que a mais cresceu em MG, Nova Lima. Os dados demonstram que o problema em Brumadinho não é exatamente falta de dinheiro.
Apesar da posição confortável do Município, os servidores públicos municipais, em campanha salarial, estão encontrando dificuldades em negociar com a prefeitura.
Assembleia dos Trabalhadores em Educação; presença do Ver. e
pré-candidato a prefeito pelo PT, Reinaldo Fernandes

Reajustes

Os trabalhadores em Educação e demais servidores de Brumadinho cobram reajustes de 11,36% em seus salários. Como os salários são baixos precisam, no mínimo, de ter essa correção para não perderem seu já baixo poder aquisitivo, para não ficarem mais pobres. No entanto, a Prefeitura continua insistindo no reajuste de zero por cento.

Prêmios

Os servidores cobravam também da administração que ela pagasse a Gratificação por assiduidade, de 30%, relativa a 2015 (art. 130 da Lei 1777/2010, Plano de Cargos, Carreiras e Salários). Os servidores da educação cobravam a regularização do pagamento do Prêmio de 10% por assiduidade, pagando o prêmio de 2015, que ainda não foi pago, e o do primeiro trimestre de 2016, que também não foi pago, respeitando, assim o art. 131 da lei 1777.
Outra reivindicação dos servidores é que a administração fizesse a conversão em espécie das Férias Prêmio e o pagamento da Progressão Vertical.
Iniciada em janeiro, as negociações não tinham avançado em nada até que a categoria fez algumas da paralisações do trabalho. O Governo Municipal mudou de posicionamento e acenou para discutir efetivamente e apresentar contrapropostas às justas reivindicações dos servidores.
A prefeitura comprometeu-se a pagar a Gratificação por assiduidade, de 30%, relativa a 2015, em duas parcelas, no final de maio e no final de junho; quanto às Férias Prêmio, em julho a administração retornará a conversão em espécie, por ordem de solicitação dos servidores. Os pedidos que já estão protocolados serão atendidos primeiro.
Sobre a Progressão Vertical, a Prefeitura se comprometeu a regularizá-la em setembro, quando será pago retroativo ao mês do protocolo. Eventualmente será parcelado.
A Administração comprometeu-se ainda a apresentar proposta de regularização do Prêmio de 10% por assiduidade para a Educação para pagamento de 2016. O retroativo (2015) será negociado nas próximas reuniões.
Os avanços demonstraram o que todo mundo já sabe ou deveria saber: só a luta, só a mobilização faz os governos mudarem de ideia. Não há conquista sem luta”, disse o Vereador Reinaldo Fernandes, que tem acompanhado e participado das manifestações dos servidores. “Numa cidade em que os trabalhadores têm mobilização muito baixa, ver aquelas professoras e professores na rua, dialogando com a população, depois ali em frente à Prefeitura, não só fazendo a paralisação no dia mas também manifestando sua indignação, exigindo seus direitos básicos, é uma alegria, uma coisa muito bonita”, completou o Vereador. “Está de parabéns a categoria, merece nossos aplausos”, finalizou.

Cartão Alimentação tem reajuste de 9,54% e vai a R$425,00

Uma das conquistas foi o reajuste do cartão-alimentação. A prefeitura reajustou o Cartão Alimentação em 9,54%. Agora o valor mensal é de R$425,00, correspondente a um valor diário de R$14,16. Secretários também receberão o valor, apesar de ser ilegal, nos termos da Constituição Brasileira (vereadores, que também são agentes políticos, como os secretários municipais, não recebem).

Apoios de Vereadores

Pelo menos quatro vereadores têm participado mais de perto da mobilização dos servidores. A partir da iniciativa proposta pelo vereador Reinaldo Fernandes (PT), cinco vereadores prepararam um documento e entregaram ao governo do Prefeito Brandão (agora, do PSB). No documento, Reinaldo Fernandes, Renata Marilian (PPS) e Alessandra de Oliveira (PPS) – membros da Comissão de Educação e Saúde da Câmara Municipal -, Hideraldo Santana (PSC) e Lucas Machado (Rede) defenderam a necessidade de reajuste salarial e apresentaram à administração uma série de sugestões para reduzir gastos.
Na reunião do Plenário do dia 5 de maio, o vereador Reinaldo Fernandes, depois e usar a Tribuna para falar sobre o documento, convidou os demais vereadores para o assinarem também e todos concordaram, o que reforçou o pedido da Câmara Municipal. No dia 12 de maio, os vereadores se reuniriam com a Secretária de Administração para entregarem as reivindicações.

Servidores pedem a vereadores para não votarem projetos de leis do Executivo

As professoras foram pedir ajuda os vereadores. A grande maioria dos projetos de leis votados pelos vereadores é de autoria do Chefe do Poder Executivo, o prefeito, que sempre necessita de aprovação dos vereadores para executar uma série de ações. Recentemente, os vereadores aprovaram dois Projetos que permitiram ao Executivo gastar quase R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), que ele não poderiam ser gastos se os PL’s não fossem aprovados, Mais um projeto de quase R$ 2 milhões encontra no Legislativo esperando a aprovação dos vereadores. Sabendo disso, as professoras pediram aos vereadores para fazerem obstrução na Câmara e não votarem nenhum Projeto de Lei proposto pelo Executivo, até que o Prefeito mude de ideia e apresente uma proposta de reajuste aos salários.        
O que os servidores estão pedindo é apenas o reajuste do salário, o que é garantido por lei”, disse o vereador Reinaldo Fernandes, colocando-se ao lado dos trabalhadores e deu seu total apoio à proposta das servidoras. “O Prefeito precisa ter mais compromisso com os servidores, valorizá-los, tratá-los com o respeito que eles merecem. Estou do lado dos servidores porque essa é a coisa certa a ser feita”, disse o petista.

Outros três vereadores já concordaram com a proposta e se comprometeram com a obstrução proposta pelos servidores e pelo Sindicato dos Professores. 

Edição 186 – Maio 2016
PGR pede prisão de Renan, Jucá, Sarney e Eduardo Cunha
Os quatro meliantes do PMDB para os quais a PGR pediu prisão

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP). A notícia foi veiculada na última terça-feira, 7 de junho.
O chefe do Ministério Público pediu a prisão dos quatro peemedebistas por suspeita de eles estarem tentando obstruir as investigações da Operação Lava Jato. No caso de Sarney, por causa da idade, ele ficaria em prisão domiciliar monitorado por tornozeleira eletrônica.
Além de pedir a prisão de Renan, Janot solicitou ainda à Suprema Corte que ele seja afastado da presidência do Senado.
O pedido de prisão de Cunha se deu pelo fato de ele continuar agindo na Câmara, mesmo depois de afastado pelo Supremo.

Já no dia 7 de junho foi preso “o Japonês da Federal”, acusado de facilitar contrabando. Newton Ishii, conhecido por escoltar investigados da Operação Lava Jato. Ishii também é investigado por suspeita de vazar informações sobre operações da PF.
Edição 186 – Maio 2016
Em áudio, Sarney reclama da "ditadura da Justiça"

Em trechos de gravações com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ex-presidente da República José Sarney se queixa das decisões tomadas pelo juiz Sérgio Moro em investigações contra corrupção - que chamou de “ditadura da Justiça” - e comenta sobre o afastamento de Dilma Rousseff, que, segundo Sarney, vai resistir “até a última bala” no processo de impeachment. Os trechos foram divulgados no dia 26 de maio. As conversas foram gravadas em março, antes do Golpe na Câmara. Machado fez acordo de delação premiada e se tornou colaborador da Justiça.
Na conversa gravada, Sarney e Machado criticam os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a mídia e a comunidade jurídica por não se manifestarem contra as ações de Sérgio Moro, que é responsável por autorizar as ações da Operação Lava Jato.
Na gravação, Machado diz: “Como é que o Toffoli e o Gilmar fazem uma p*** dessa? Se os dois tivessem votado contra não dava. Nomeou uns ministros de m*** com aquele modelo". "Não teve um jurista que se manifestasse. (...) A ditatura da toga tá f***", acrescentou o ex-presidente da Transpetro.

Eduardo Cunha e eleições

Na conversa, Sarney afirma que quem deveria assumir a presidência é Eduardo Cunha, antes da realização de eleições. No caso de um novo pleito presidencial, ambos avaliam que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) não sairia “de jeito nenhum” vitorioso. Dois meses antes de Dilma ser afastada pelo Senado, quando a conversa foi gravada, Machado e Sarney dizem que a presidenta deve “sair de qualquer jeito”, e especulam que o vice-presidente Michel Temer, hoje presidente interino, deve cair em seguida.
No áudio, Machado pergunta a Sarney se Michel Temer não assumisse a presidência do país quem seria o nome. Machado responde que será "O Aécio pensa que vai ser ele, não vai ser não". Sobre a possibilidade de Aécio Neves assumir, Sarney diz "que não vai ser ele, de jeito nenhum".
Então, Machado questiona quem assumiria a presidência. Sarney diz que será Eduardo Cunha. Machado reforça: "Ele não vai abrir mão de assumir, não". "No Supremo não tem. Não tem ninguém que tenha competência pra tirá-lo. Só se cassarem o mandato dele. Fora daí, não tem. Como é que o Supremo vai tirar o presidente da Casa?", acrescenta Sarney.  

Dilma Rousseff

Na conversa gravada, tanto Machado quanto Sarney reclamam da insistência de Dilma em permanecer no cargo. Segundo o ex-presidente, ela irá resistir “até a última bala”.

As conversas: Renan Calheiros


A divulgação de trechos inéditos de conversas gravadas por Machado com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-presidente José Sarney indicam a preocupação com os desdobramentos da Lava Jato por parte dos políticos, que estariam articulando para restringir as consequências da operação.
Edição 186 – Maio 2016
Queda de Jucá: interesse em barrar a Lava Jato
"O primeiro a ser comido vai ser o Aécio”

Nas conversas ocorridas em março e divulgadas apenas no dia 23 de maio, o ministro do Planejamento, o senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), um dos principais articuladores do impeachment de Dilma Rousseff (PT), cita o ministro Serra e os senadores Aécio Neves, Aloysio Nunes e Tasso Jereissati, todos do PSDB. "O primeiro a ser comido vai ser o Aécio", disse Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, em referência à Operação Lava Jato.
Jucá afirma ainda que Aécio não ganharia eleições:  "O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB..." Os diálogos de uma hora e 15 minutos sugerem um pacto, inclusive com "o Supremo, com tudo", para barrar a Lava Jato.

Além das possíveis investidas numa espécie de força-tarefa para barrar a Operação Lava Jato, as conversas entre o ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB), e Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e ex-senador pelo PSDB, fala nos possíveis danos a políticos. Eles foram grampeados e, na conversa, “entregam” que a verdadeira razão para tirar Dilma Rousseff (PT) era impedir que a Operação Lava Jato continue e chegue até eles.  Entre eles, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente do PSDB, Aécio Neves. "Todo mundo na bandeja para ser comido", diz Jucá. Num país mais sério, Juca (PMDB) já estaria preso e a Presidenta devolvida ao cargo, já que as gravações são de antes do dia da votação do chamado impeachment (Golpe de Estado) na Câmara. A divulgação foi feita pela Folha de São Paulo no dia 23 de maio, que até hoje ainda não explicou porque não divulgou antes da votação na Câmara a conversa gravada, que certamente mudaria o rumo das coisas.

O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra.”

Na conversa com Romero Jucá (PMDB), Machado se mostra preocupado com a união entre Sérgio Moro e Rodrigo Janot, que, segundo ele, "querem pegar todo mundo". Jucá responde, então: "Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura".
Sérgio Machado fala que o primeiro a "cair" será o senador tucano. "O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB. O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele [Aécio] ser presidente da Câmara?". O senador tucano Aécio Neves (PSDB) presidiu a Câmara dos Deputados entre 2001 e 2002, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Renan 'não entendeu'

O ex-ministro do Planejamento de Temer ainda fala sobre como a "a solução Michel" enfrentou dificuldades com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Só Renan que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha está morto, porra", afirma Jucá.

"O Renan reage à solução do Michel. Porra, o Michel, é uma solução que a gente pode, antes de resolver, negociar como é que vai ser. 'Michel, vem cá, é isso e isso, isso, vai ser assim, as reformas são essas", disse Jucá ao ex-presidente da Transpetro e ex-PSDB.