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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Edição 202 – Setembro 2017
Editorial
Palmas para os vereadores

É certo “que os partidos políticos brasileiros não estão em seu melhor momento na apreciação da sociedade. Em 2016, segundo a Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, somente 6% dos brasileiros confiavam nos partidos”. Não é pra menos! O jeito de agir da maioria arrasadora dos políticos é de dar nojo! No Congresso Nacional, a coisa chegou a patamares inimagináveis, com aprovação de reformas como a Trabalhista e a tentativa de aprovar a da Previdência, a Terceirização, a PEC da contenção de gastos, a entrega do pré-sal e o agora o “Fundo Partidário” bilionário. Além disso, trabalham (contra o povo, via de regra) de terça à quinta feira e têm salários altíssimos, dezenas de assessores, inúmeras regalias.
Em Brumadinho não é muito diferente. Salário de R$ 7.480,62 sem exigência de ir à Câmara, a não ser duas vezes por mês; diária de 160 reais se saírem do Município; pagamento no dia 25 do mês (ou 24 ou 23 se o dia 25 “cair” no sábado, domingo ou feriado); recebem verba de gabinete de aproximadamente R$ 500,00; possuem cantina com café, leite, chá e pão à vontade, a menos de 10 metros do gabinete, mas, mesmo assim, ainda recebem um frigobar; cópias de Xerox à vontade; e podem contratar para seus gabinetes assessores que custam em torno de mais R$ 10.000,00 por mês sem NENHUM controle de presença no trabalho feito pela Câmara, o que quer dizer que podem ficar sem nunca ir lá e, mesmo assim, receber ao final, digo, no dia 25 de cada mês; recesso de 30 dias em janeiro, 15 em julho, mais de 10 a 20 em dezembro e mais uns 20 durante o ano (Semana Santa, Carnaval e outros dias de “ponto facultativo”). E um vergonhoso aumento salarial dado neste ano por eles mesmos, no valor de R$ 735,00, elevando o salário de R$ 7.480,62 para R$ 8.215,62.  
No entanto, no meio disso tudo, alguma atitude merece nosso respeito e nossos aplausos. É o caso dos vereadores Hideraldo Santana (PSC), Caio César (PTB) e Maxiliano Maciel, o Barrão (PP). Esses vereadores, segundo informou ao Jornal de fato o Setor de Recursos Humanos da Câmara, “não recebem os valores referentes ao cartão alimentação”.  Palmas para eles!
Enquanto isso, os demais vereadores agiram como se não tivessem nenhuma preocupação com seus eleitores e a população em geral. No momento em que boa parte dessa população está desempregada e passando por dificuldades, nossos vereadores Alessandra do Brumado (PPS), Toninho da Rifel (PV), Vanderlei Xodó (PRB), Henerson Rodrigues, o Ninho (PP); Zé Raimundo (PTC), Juca Dornas (PV), Geada (PR); Ivam do Aranha (PR); Flávio Flecha (PTC) e Bruno Fernandes decidiram aumentar o próprio salário em R$ 735,00 (setecentos e trinta e cinco reais). Não quiseram nem mesmo dar tempo a si próprios para refletirem: correram para colocar o projeto em pauta, na surdina, às vésperas do Carnaval, para se darem um aumento de 735 reais; sem publicar o PL no site da Câmara, e sem contar para nós, população, quem votou a favor e quem votou contra. Quem sempre combateu a falta de transparência agora faz o mesmo: Alessandra escreveu no DOM: “Confira a votação completa no site www.cmbrumadinho.mg.gov.br.” Mas no site não havia uma linha sequer sobre quem aprovou esse aumento! E o cinismo continuou: “A próxima reunião está agendada para o dia 6 de abril, às 19h. A sua participação é muito importante!” (Jornal de fato nº 195, Fev/2017)
Já os vereadores Hideraldo Santana (PSC), Caio César (PTB) e Maxiliano Maciel, o Barrão (PP) votaram contra.
O Projeto de Alessandra do Brumado e Toninho da Rifel elevou o salário dos vereadores de R$ 7.480,62 para R$ 8.215,62. Ao final do mandato, cada vereador receberá em torno de R$ 37.000,00, o que significarão quase R$ 500.000,00 (meio milhão de reais) a mais de gastos da Câmara de Brumadinho. Esse dinheiro poderia, por exemplo, comprar remédios para a população de São José do Paraopeba.
O aumento proposto por Alessandra do Brumado e Toninho da Rifel é vergonhoso! Aumentar o próprio salário, já tendo tantas regalias, é uma atitude que deveria deixar os vereadores com vergonha de andar nas ruas da cidade e de encarar seus eleitores e aos brumadinenses em geral. Daí o fato de que, nesse quesito específico, merecerem os aplausos os vereadores Hideraldo, Caio César e Barrão.
Ao se recusarem a receber os R$ 735,00, agiram, no nosso entender, de forma correta, honesta e corajosa. Creio que, se não agissem assim, recusando-se a receber mais esse privilégio, passariam à população a ideia de que foram piores do que os outros: votaram contra apenas porque sabiam que o aumento seria aprovado mesmo, que já havia votos necessários (sete) para ser aprovado. Votar contra e depois usufruir do privilégio os tornaria, nessa questão, piores do que Alessandra do Brumado, Toninho da Rifel e os demais. Não foi o que fizeram! 
O que os outros vereadores fizeram é completamente indefensável! Quando a notícia do projeto de autoria de Alessandra e Toninho da Rifel caiu na rede social houve uma reação imediata das pessoas, posicionando-se contrariamente a esse absurdo. Os vereadores ficaram sabendo dessa reação, é claro. Esperava-se, então, que refletissem em sua atitude, percebessem que era errado o que queriam fazer, além de ser ilegal, e voltassem atrás. Não foi o que fizeram: votaram um projeto de lei imoral.
Alguns desses vereadores, que eles me perdoem a franqueza, jogam a própria história na lata de lixo, enquanto Caio, Hideraldo e Barrão contribuem para melhorar a política e os políticos. Aqueles contribuem para que a população desacredite nos políticos e os coloquem todos no mesmo saco, corroborando o dado que apresentamos acima (“em 2016 somente 6% dos brasileiros confiavam nos partidos”). Caio, Hideraldo e Barrão nos dão esperança de que é possível ter políticos melhores.

Reinaldo Fernandes
Editor
Não poderíamos deixar de registrar que o Vereador Maxiliano Maciel, o Barrão, tem tido mais coragem. Na 15ª Reunião Ordinária no Plenário votou contra 2 (dois) projetos de lei sobre o Calendário de Eventos do Município, que já tem em torno de 150 festas no ano! “Eu fui contra, pois acredito que inflar o Calendário de Eventos não é o foco do papel de um Vereador. Mais uma vez votei contra TODOS estes projetos por entender que nosso Calendário Turístico, Cultural e Religioso já contém muitas datas comemorativas e a maioria delas NÃO são celebradas e até mesmo esquecidas pelo Executivo, e também porque a maioria das proposituras já são Leis Estaduais e Federais, inexistindo a necessidade de inflar o calendário, criando “novas” Leis Municipais”, disse o Vereador. Mostra coragem ao ter coragem de posicionar-se francamente contra projetos de leis que nada, ou quase nada, acrescentam à melhoria de vida da população. Ou que já existem e só servem para que o autor divulgue que apresentou um Projeto de Lei Aprovado. Lado outro, Barrão tem sido firme na fiscalização do Executivo, o que demonstra que ele entendeu o verdadeiro papel de um vereador que se preze! Mais palmas para ele! 

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