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domingo, 23 de março de 2014


Edição 159 – Fevereiro/2014
Editorial

8 de Março: Machismo às avessas? Ou a mulher precisa mesmo ser “melhor”, mais “gostosa” e mais “bela”?

Nesse sábado comemorou-se mais um Dia Internacional da Mulher. Melhor seria que não tivesse acontecido. Não as comemorações, mas o dia em si. O fato de existir um dia especial não é bom negócio, é um indicador de que as coisas não vão bem. Mas, já que o Dia existe, valhamo-nos dele para contribuir com algumas reflexões.
Nesta edição trazemos um belo artigo a respeito, Dizem que a Mulher é o Sexo Frágil...”, de Teo Armindo. Belo porque profundo, foge do lugar comum das comemorações e põe o dedo na ferida. É disso que precisamos, disso que a luta pela emancipação feminina precisa. “Sob pena de “levarem, mas não ganharem”, ou seja, conquistarem muita coisa, mas não alcançarem sua emancipação”, como defende Teo.
De nosso lado, os homens, nada, ou de muito pouco, nos adiantará mandar flores, escrever poemas mas continuarmos, por exemplo, fechando os olhos para o fato de que em Brumadinho, companheiros, namorados e  maridos continuam espancando suas mulheres, tratando-as como se delas fossem donos e senhores, tratando-as como se fossem seres inferiores.
Também não adianta comemorar o 8 de Março e continuar fazendo piadinhas machistas, pagando salários menores pelo mesmo trabalho, ou irritando-se quando as vemos jogando futebol, ocupando cargos políticos importantes ou tendo que conviver com o fato de elas serem nossas chefias na empresa. Não adianta comemorar e se recusar a ajudar no trabalho doméstico, a dar banho nos filhos, e implicar com ela porque escolheu uma profissão “masculina”. Ou dizer que ela é “mal-amada” ou criticá-la por ter feito opção pela vida de solteira ou por não ter filhos. 
Reinaldo Fernandes
Editor
Por outro lado, as próprias mulheres – quem nos alerta novamente é Teo Armindo – precisam se cuidar para que não caiam na esparrela da visão de mundo e dos valores do machismo e da sociedade capitalista, baseada no superficial; na vida loucamente corrida, dominada pelo trabalho e busca de dinheiro, dinheiro e mais dinheiro, sem tempo para si mesma, para os amigos, para a família; sociedade baseada na efemeridade, na hipocrisia, na fachada.
Assim, é hora de se perguntar o que fazer com a ditadura da “beleza”. É crime ser gorda ou baixa? Está correta essa obsessão pelo corpo “perfeito”? É crime ser solteira, descasada ou divorciada? O cabelo precisa, mesmo, ser liso? Por que é preciso depilar? 
Ser “melhor”, mais “gostosa”, ter mais coisas do que a outra mulher; ou fazer algo concreto pelas mais pobres, mais maltratadas, mais marginalizadas, mais menos em tudo?
Se o Dia Internacional da Mulher nos servir para que possamos refletir de forma mais profunda sobre a situação da mulher de Brumadinho - e também da mulher do Brasil e do Mundo -, ele terá valido a pena. Se não, será apenas mais um 8 de março. Ano que vem tem mais!         

Edição 159 – Fevereiro/2014


O Vereador Reinaldo Fernandes (PT), no uso de suas atribuições, propõe a seguinte “lei”:

Art. 1º - Fica decidido que todas as mulheres de Brumadinho terão salário igual para trabalho igual.
Art. 2º - Fica decidido que, em todos os lares, haverá divisão igual das tarefas domésticas entre homens e mulheres.
Art. 3º - Fica decidido também que toda mulher terá liberdade para trabalhar onde queira, terá a profissão que queira.
§ único: Elas nunca serão privadas de liberdade.
Art.4º- Fica garantido o direito de ser magra, de ser gorda, de ser alta ou baixa.
§ 1º: Fica garantido, também, o direito de andar maquilada ou não; de usar vestido, saia ou calça jeans; de usar cabelo curto ou cabelo longo, de ir sozinha para a balada sem dar explicações a ninguém, de ser solteira, e o direito de mudar de namorado se ele for ciumento.
§ 2º: Fica garantido o direito de escolher sua opção sexual, sua religião e seu time de futebol.
Art.5º- Fica garantido o direito de permanecer com seus filhos durante o período de amamentação, e, inclusive, o direito de não ter filhos sem que tenha que dar explicações à sociedade.
Art.6º- Fica garantida sua integridade física e moral.
Art.7º- Fica garantido o direito à creche para seus filhos.
Art. 8º- Fica terminantemente proibido que qualquer homem, marido, namorado, amante, irmão, pai, amigo ou inimigo encoste num fio sequer de cabelo da mulher, salvo se para acarinhar, aconchegar ou para fazer chamego.   
Art. 9º- Revogam-se todas as disposições em contrário, especialmente o machismo, a discriminação e o preconceito.
Art. 10- Esta lei entra em vigor a partir de hoje e vigora para todo o sempre. Amém.

Homenagem do vereador Reinaldo Fernandes (PT) às 

Mulheres de Brumadinho, todas elas. 

Edição 159 – Fevereiro/2014
Márcio Nagô, letrista, compositor e cantor
 De Brumadinho, A Caminho do Mar


Em 31 de março de 1980, ele nasceu Marcio Roberto Ferreira Lima, hoje é Márcio Nagô, letrista, compositor e cantor. Com mais de 100 composições em sua bagagem, lançando seu segundo trabalho, A Caminho do Mar, Márcio Nagô já se apresenta mais maduro, sabendo o que quer, consciente da música que faz.
E a música que faz é das boas! Suas parceiras vão desde o músico Sanrah (“Samba nas Veias”) até Serginho Beagá, um dos maiores nomes do samba de BH, de renome mundial, e gravadora japonesa. Pelo caminho das parceiras ainda tem Mandruvá, Pirulito da Vila, Fabinho do Terreiro e Waldir Silva, músico cavaquinista, que levou o som de seu cavaquinho aos cinco continentes, gravou mais de 30 discos e comandava o projeto Minas Ao Luar (falecido em 1/92013).
Ele produz e canta samba de raiz, e este seu segundo trabalho traz fortemente a marca de sua africanidade, especialmente nas faixas 1 (Nego de Angola), 5 (Zumbi Nagô) e 13 (Força da Fé). No entanto, em metalinguagem das boas, seu samba tem como tema o próprio samba, uma exaltação ao gênero, como se verifica nas faixas Menino Traquina (nº 6), De Ponta Cabeça (nº 7, parceria com Serginho Beagá), Está Escrito (10), Samba nas Veias (11), Cantar Cantei (12), Força da Fé (13) e especialmente em Fazer o quê (9).
E não faltou a força da negritude, especialmente em Samba nas Veias (“Não sou de fugir da batalha, não sou de correr, meu negócio é lutar. Se a vida tá dura, a gente segura que vai melhorar”); em A Força da Fé (“Somos herdeiros do samba, sim, não desistimos e vamos lutar... com a espada de Ogum, vencer quimbandas; com o machado de Xangô, a Justiça liberar”);
Em dezembro, lançou seu cd no espaço Oi Futuro, em BH, e já tem agenda para fazer o mesmo no Rio de Janeiro.
O jornal de fato, de olho nos novos talentos, conversou com Márcio Nagô, e se orgulha de tê-lo como um brumadinense tão ilustre! Acompanhe a entrevista.      

de fato: Pra começar: por que Márcio “Nagô”?
Márcio Nagô: Porque Nagô é uma linguagem, um idioma. É a cultura africana que veio para o Brasil, que veio muito da cultura nagô, apesar de não ter sido só desta cultura. Escolhi esse nome a partir do momento em que os elementos da minha música estão todos voltados para a África. É uma palavra que tem uma força. Escolhi essa força, o lado mitológico da palavra.

de fato: Letrista, compositor, cantor: como tudo começou?
Márcio Nagô: Participei de Congado, de Capoeira. O início, não inconsciente, é por aí. Mais profissionalmente com o grupo Atrassamba, com, Marcelo Jabah, Rei Batuque, Sidney de Paiva.   

de fato: Este, A Caminho do Mar, é seu 2º trabalho. O que foi feito do primeiro?
Márcio Nagô: O primeiro disco foi gravado em 2008, intitulado “Raiz do Meu Samba”. Esse disco me proporcionou entrar em rádios como a Itatiaia, Inconfidência, alguns canais de TV fechados, me deu a possibilidade ainda na construção do disco, conhecer o cantor Serginho Beagá, um divisor de águas pra mim. Serginho me levou para disputar o carnaval pela sua escola de samba em Belo Horizonte, a Império de Nova Era. Fui o puxador do samba e a Escola foi a campeã do carnaval 2009.

de fato: Como foi o show de lançamento deste 2º trabalho?
Márcio Nagô: Tivemos o público esperado, apoio totla da crítica mineira. No ápice do show, fizemos uma homenagem ao grande Marku Ribas. E uma homenagem ao saudoso Valdir Silva. Outro resultado do show é que a Oi Futuro nos convidou para fazer o lançamento do disco, no 2º semestre, no Rio de Janeiro.


de fato: Como foi o processo de construção deste trabalho, quanto tempo?
Márcio Nagô: Em torno de seis meses para fazer a gravação. Eu já tinha muitas músicas, e fiz a escolha a partir do conceito do disco.

de fato: Um panorama deste trabalho: você tem conseguido espaços para mostrar seu trabalho? Tocando onde; Quantos cd´s vendidos? À venda onde?
Márcio Nagô: O trabalho está sendo executado nas grades de rádios importantes, como a Inconfidência FM e a Itatiaia, a Viva o Samba, do Rio. A estratégia foi de distribuição do disco, sem venda, por achar que as pessoas devem ter acesso ao trabalho, foram 3.000 presentes distribuídos.


de fato: Suas parcerias, como surgem?
Márcio Nagô: Acontece na mesa de um bar, numa roda de samba, um papo informal. Frequentemente, quando o artista sente que um trabalho tem a ver com outro artista, aí a gente entra em contato, faz música até pelo telefone. Minha parceira com Mandruvá, em Sincero e Puro (faixa 4 do cd), por exemplo, ele me ligou, estava vivendo um situação. Aí desligamos o telefone, compus a música e liguei pra ele: “Cara, é isso mesmo!”, me falou no Mandruvá. Como Pirulito da Vila aconteceu algo parecido, comecei a música, achei que era a cara dele, liguei e ele completou.

de fato: Quais são suas influências?
Márcio Nagô: Acho que comecei com a Perla, andando atrás de um disco de vinil. Cresci ouvindo todos os tipos de música, de Martinho da Vila a Roberto Carlos. Mas o samba foi o que me chamou mais a atenção. Bezerra da Silva, Almir Quineto, Agepê, Benito de Paula e Zeca Pagodinho, é claro, são alguns.

de fato: Como você define sua música, qual é o gênero?
Márcio Nagô: Eu diria que é samba de raiz, mas com variações, samba de terreiro, samba de roda, partido alto, que pra todo mundo é samba.

de fato: Quando você compõe, como é seu processo?
Márcio Nagô: Meu processo é basicamente inspiração, algo me toca, a minha vida, a vida do outro, a manifestação cultural ou não do povo. Às vezes acordo de madrugada com a música pronta, como aconteceu com Está Escrito (faixa 10). A música pode acontecer em qualquer momento. Depois a gente lapida, trabalha melhor, troca palavra, troca melodia. O que eu não consigo é escrever só a letra.  

de fato: Sua música fala de Zumbi de Palmares, de Angola, Aruanda, do povo Nagô, tem um viés de africanidade. De onde vem isso?
Márcio Nagô: primeiro, porque sou afro-brasileiro. Depois, por ter sido influenciado pelo Congado, ainda criança. Tenho também estudado mitologia africana e tento trazer todo esse universo pra dentro da minha música.

de fato: O que temos pela frente? Shows marcados? Quais são seus projetos?
Márcio Nagô: No dia 8 de abril vou participar da abertura do Projeto “Sambaqui”, no Conservatório de Música da UFMG. E, no segundo semestre, o lançamento do disco no Rio, no Teatro Oi Futuro, em Ipanema. Para este lançamento no Rio estou buscando parcerias.




Edição 159 – Fevereiro/2014

Dance!
Dance. Todas as vezes que puder, dance. Dance no carnaval, na Quaresma, nas festas, na escola, nos bares, na rua, na igreja. Se não tiver oportunidades de dançar, invente essa oportunidade: ligue o rádio, põe um cd, vá pro meio da sala e dance. A dança faz um bem danado pro corpo, anima, produz endorfina (o hormônio que melhora a memória, o bom humor; aumenta a resistência, a disposição física e mental; melhora o nosso sistema imunológico; bloqueia as lesões dos vasos sanguíneos; têm efeito antienvelhecimento; alivia as dores; melhora a concentração).
Você já viu alguém, ao dançar, ficar de cara feia, mal humorado? Claro que não!
Seu eu fosse Presidente do Brasil decretaria: “Toda pessoa deve dançar pelo menos uma vez por  semana!” E a gente seria o povo mais feliz do mundo! 
É isso!


Edição 159 – Fevereiro/2014
Câmara homenageia Geni Coelho


A Câmara Municipal votou, na sessão do Plenário do dia 13 de fevereiro, “Moção de Aplausos” a Geni Coelho de Moraes, apresentada pelos 13 vereadores. A homenagem foi um reconhecimento ao trabalho realizado pela servidora efetiva da prefeitura municipal de Brumadinho no Setor de Acervo Artístico, Histórico e Cultural do Departamento de Cultura da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de Brumadinho.
“A Senhora Geni Coelho de Moraes, servidora da Prefeitura Municipal há anos e anos, sempre desenvolveu importante trabalho em seu departamento, tendo em vista sua correta compreensão de que é preciso preservar o patrimônio Artístico, Histórico e Cultural do Município, que significa, em última instância, preservar nossa História, nosso passado para compreensão do presente e construção do futuro”, dizia a Moção.  
Geni foi especialmente lembrada pela realização do evento chamado "Chá com Prosa". O "Chá com Prosa" reuniu moradores da cidade, idosos, detentores de saberes históricos importantes sobre a vida de Brumadinho, que passaram uma tarde falando de comércio, política, carnaval, mineração e tantas outras histórias de Brumadinho.
“Um de seus mais importantes trabalhos foi sua iniciativa de criar o projeto “Chá Com Prosa”. Gestado há vários anos sem conseguir colocá-lo em prática, Geni conseguiu que se fizesse realizar pela Secretaria Municipal de Turismo e Cultura um primeiro encontro em agosto de 2013. Sucesso total, a primeira versão do Chá Com Prosa reuniu personagens importantes de nossa História, como ex-vereador, ex-prefeitos, trabalhadores da mineração, comerciantes, gente que traz em sua memória os fatos que marcaram e construíram nosso Município, tendo, eles mesmos, sido atores protagonistas na construção dessa história. Além disso, o “Chá Com Prosa” serviu como espaço importantíssimo para reunião de vários de nossos idosos, momento em que puderam confraternizar, reviver momentos bons, relacionar-se com seus contemporâneos e, especialmente, sentir-se importantes, o que eleva sua autoestima, às vezes, tão pra baixo. 
Merece, pois, nossos aplausos, a senhora Geni Coelho de Moraes, que, no anonimato, longe da intensa propaganda e das redes sociais, tem feito um trabalho maravilhoso em nome da Cultura de Brumadinho”, continuava o documento.       

Departamento perde o trabalho de Geni

Durante a discussão da Moção, o vereador Reinaldo Fernandes, que representa a Câmara Municipal no Conselho Municipal de Cultura, lamentou a saída de Geni Coelho do Departamento de Cultura da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura. Segundo Fernandes, depois que a atual Secretária Municipal de Turismo e Cultura, Marta de Deus Boaventura, a Marta da Maroto (PSD),  foi empossada no cargo pelo Prefeito Brandão (PSDB), no mínimo 7 pessoas foram retiradas do Departamento de Cultura pela Secretária ou por alegarem impossibilidade de relacionamento com ela. O próprio Conselho de Cultura enviou documento ao Prefeito tratando do assunto, mas não obteve resposta.         

Éden Amorim também é homenageado

Outra pessoa homenageada pela Câmara foi o Doutor Éden Santana Campos Amorim. Amorim recebeu MOÇÃO DE CONGRATULAÇÃO pelo Doutorado em matemática. Éden Amorim defendeu sua Tese de Doutorado no último dia 7 de fevereiro, no curso de Matemática da Universidasde Federal de Minas Gerais – UFMG, uma das mais importantes do Brasil e do continente Americano.

Éden Amorim tornou-se orgulho dos brumadinenses ao ser aprovado na defesa de sua tese de Doutorado, intitulada “Curvas de Contato no Espaço Projetivo”. Ao defender a 50ª Tese do Programa de Pós-graduação do Curso de Matemática da UFMG, Éden Amorim juntou-se ao pequeno e seletíssimo grupo de cidadãos de Brumadinho que chegaram a tão alto grau de escolaridade acadêmica”, dizia a Moção proposta pelo vereador Reinaldo Fernandes (PT). “Brumadinho, o Brasil e o mundo precisam de pessoas que gostam e se dedicam aos estudos, tão necessários para a construção de uma Brumadinho melhor, de um País e um mundo melhores. Nada mais justo e necessário do que dizer em alto e bom som: PARABÉNS, ÉDER AMORIM!”, continua o documento.