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sábado, 11 de abril de 2015

Edição 172 – Março 2015
Editorial

Democracia sempre mais! Ditadura nunca mais!

A atual crise econômica mundial começou a se desenhar em 2007, por causa das chamadas hipotecas subprime, que ofereciam empréstimos para compras de imóveis a clientes com elevado risco de créditos. Como bancos do mundo inteiro investiam nesses papéis, a crise se espalhou pelo Globo todo.
Em 15 de setembro de 2008, com a quebra do banco americano Lehman Brothers tem-se início a maior crise econômica da história desde a chamada Grande Depressão de 1930. Dos EUA, a crise se espalhou pela Europa, atingindo primeiramente Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Itália. O desemprego explodiu, benefícios para a população foram cortados.  Reino Unido, Alemanha, Japão, Holanda, França, todos são obrigados a socorrerem bancos em processo de falência. O FMI tem que socorrer a Islândia e a Ucrânia. Os EUA se veem obrigados a concederem empréstimos a Cingapura, México e Coreia do Sul. O Banco Mundial promete triplicar ajuda aos países em desenvolvimento e a Itália destina 80 bilhões de euros para combate à crise. O G7 (sete países mais desenvolvidos do mundo) e o G20 (países avançados e em desenvolvimento) anunciam planos de combate à crise. Ainda em 2008 a 2009, a União Europeia apresenta planos de combate à crise.
Já em 2009, a Alemanha (do G7) entra em recessão técnica, como consequência da crise. Os EUA estão em recessão desde 2007, onde a classe média passa a ter dificuldades até para se alimentar. Enquanto isso, em 2009, o Brasil entra no noticiário internacional como o queridinho para investimentos, chamado pela revista Newsweek como “potência regional única”. A revista The Economist diz que o Brasil é “a maior história de sucesso na América latina”, ano em que o País torna-se credor do FMI, com a compra de 10 bilhões de dólares em bônus, e o dólar perde cerca de 25% de seu valor em relação ao Real. No entanto, a Embraer, fabricante e exportadora de aviões, sente a crise e tem que cortar 4.000 empregos. No 3º trimestre o Brasil volta a crescer. É neste ano que a governo do Presidente Lula toma a decisão de reduzir e retirar impostos. O IPI de veículos e da linha branca (eletrodomésticos) foi retirado, aumentando as vendas, aquecendo a indústria e o nível de emprego e elevando o crescimento no PIB. Neste ano a Selic fechou em 8,75%, menor taxa desde 1999.
Em 2010, a Espanha fez corte de 15 bilhões de euros no seu orçamento para reduzir seu déficit. Nesse ano o PIB brasileiro cresceu 8,9%, o maior desde 1996. Mesmo ano em que a Irlanda teve que ser ajudada pelos europeus. A União europeia aprova pacote de 750 bilhões para ajudar os países da zona do euro.
Em 2011 a Grécia passa por um dos seus piores momentos enquanto no Brasil, em abril, temos o menor índice de desemprego desde 2002. O Brasil volta a cortar impostos para compra de eletrodomésticos e aplicações financeiras. Dólar cai para R$ 1,554, menor valor dos últimos 12 anos.
Em 2012, a Grécia não apenas dá calote em metade de sua dívida com a iniciativa privada como aumenta impostos, corta salários, pensões e empregos. Na Espanha, você deve se lembrar, caro leitor, a população teve que deixar casas, abandonar veículos, tirar crianças da escola privada, tudo por ter perdido seu emprego. Mais de 500 famílias eram despejadas de suas casas a cada dia, por não suportarem o pagamento do aluguel ou das prestações imobiliárias. Em menos de um mês, 4 suicídios. Neste mesmo ano, o desemprego na zona do euro bate recorde, chegando a 11,7% da população desempregada, 19 milhões de pessoas, o maior contingente na história do Bloco. Grécia e Espanha têm 25% de sua população desempregada. Novamente os bancos centrais de diversos países (EUA, China, Japão, Inglaterra) injetam dinheiro na economia para tentar conter a crise. Isso aumenta a entrada de dólares no Brasil e prejudica nossas exportações, crítica feita por Dilma na reunião da ONU.
Em 2013, estudo diz que o Brasil pode se tornar a 4ª economia do mundo até 2050. A Espanha tem 3 milhões de pessoas na pobreza extrema (em torno de 7% do total), enquanto é erradicada no Brasil. No Chipre, banco é fechado, saque limitado a 300 euros e no Brasil Dilma inclui mais oito setores no corte de tributos da folha de pagamentos, como forma de incentivar o emprego enquanto a OIT (Organização Internacional do Trabalho) anuncia que 1 milhão de europeus perderam o emprego nos últimos 6 meses. No EUA a taxa de desemprego cai, com o país começando sua recuperação, crescendo 1,7% enquanto a Itália tem a recessão mais longa, com queda do PIB. Irlanda volta oficialmente à recessão; agência de risco rebaixa nota da França em meio à crise continuada na zona do euro, com recessão já de 1 ano e meio; na Grécia desemprego chega a 27,6%; Espanha loteia espaços naturais e históricos buscando saídas para a crise. Economia brasileira cresce 3,3% no ano.       
Ainda em 2013, os EUA começam a dar sinal de recuperação, mesmo ano em que a China – a economia que mais crescia no mundo - dava mostras do contrário, desacelerando seu crescimento.
O Brasil conseguiu se segurar, aumentou sua poupança (superávit primário), retirou IPI de veículos e dos eletrodomésticos, continuou aumentando o nível de emprego e o PIB continuou crescendo.
Em função da globalização econômica em que vivemos na atualidade, a crise se espalhou pelos quatro cantos do mundo, como pode se ver acima, derrubando índices das bolsas de valores e criando um clima de pessimismo na esfera econômica mundial. Mesmo assim, até 2014, com os dois governos petistas (de Lula, depois, Dilma) tomando as atitudes que tomaram, o Brasil conseguiu segurar a crise. No entanto, como se vê, a crise mundial permanece, com escassez de crédito e consequente fuga de capitais de investidores internacionais. 
A queda, ou baixo crescimento do PIB dos países da União Europeia em função do desaquecimento da economia dos países do bloco faz com que diminuam a importação ou impedem que continuem importando do Brasil tal como vinham fazendo (como a China comprando nosso minério). Quando se exporta mais, fabrica-se mais, aumenta-se o emprego etc etc. Mas se os países de fora não podem comprar mais, exportamos menos, fabricamos menos e a consequência é menos investimentos e menos dinheiro no Brasil. 
Ora, não há como não ocorrer contaminação da crise para países fora do bloco europeu ou dos EUA. Países que mantém relações comerciais com a União Europeia ou EUA, como o Brasil, são necessariamente atingidos. A crise pode, de acordo com economistas, causar recessão econômica mundial. Não é um problema isolado do Brasil, como poderemos perceber se prestarmos um mínimo de atenção.
Curiosamente, os EUA acabam de ter uma recuperação acima da expectativa, o que fez com que o dólar tivesse uma alta, não apenas em relação ao Real (prejudicando ainda nossas exportações) mas em relação a várias moedas mundiais, inclusive o Euro.
É verdade que o Brasil passa por uma crise. Mas também é verdade que o Brasil se segurou como nenhum outro país no mundo, enquanto foi possível. Se não entendermos isso, continuaremos achando que a corrupção no Brasil aumentou ao invés de entendermos que o que aumentou foi o combate a ela; continuaremos falando besteira, escrevendo besteira, pedindo impeachment da Presidenta, e achando que a solução é a volta dos Militares.

Não! A solução é manter a esperança, estudar um pouco de história e geopolítica, ler fontes alternativas que não sejam da grande e reacionária imprensa brasileira, e cobrar do nosso governo central atenção e medidas concretas para que o País suporte a crise mundial e para que soframos menos com ela. Ou perderemos nossas preciosas força e energia com besteiras do tipo “Fora Dilma”, “Impeachment já” e pedido de volta do governo militar, marcado, especialmente, pelos assassinatos de quem a ele era oposição.    
Edição 172 – Março 2015
Multa de 53 mil: TRE dá vitória a Vereador

O vereador Reinaldo Fernandes (PT) foi multado em R$ 53.205,00 (cinquenta e três mil duzentos e cinco reais). A multa foi em razão de ele ter divulgado uma pesquisa eleitoral em seu perfil do facebook, durante as eleições de 2012, e a pesquisa estaria supostamente proibida de ser divulgada. Condenado em Brumadinho, o Vereador recorreu ao TRE – Tribunal Regional Eleitoral - e teve sua sentença reformada por unanimidade dos juízes daquela corte.
Segundo o vereador Reinaldo, em agosto de 2012 fora procurado por Bruno Diniz - PSDB - (atualmente Secretário de Saúde de Sarzedo) que lhe dissera que o jornal O Estado de Minas tinha publicado uma pesquisa em que o candidato Brandão (PSDB) aparecia na frente de Nenen da ASA (PV). Questionado sobre a legalidade da pesquisa, Bruno garantiu que era legal, dizendo que até tinha sido publicada no jornal. “O Bruno Diniz era da coordenação de campanha, um companheiro naquele momento, e acreditei nele, achei que falava a verdade, mas fui enganado", lamentou Reinaldo.   
Fernandes explica que, no mesmo dia, a campanha de Nenen da Asa entrou com um processo na Justiça que mandou que ele retirasse a publicação do facebook. A publicação foi retirada, o processo continuou, Reinaldo se defendeu e a Juíza Juliana Beretta arquivou o processo. Nenen da ASA, mesmo sabendo que não ganharia nada com isso, já que a multa iria para os cofres da Justiça Eleitoral, recorreu para o Tribunal Regional Eleitoral Eleitoral e o TRE mandou o Processo voltar para Brumadinho. A mesma juíza condenou o vereador a pagar a multa para a Justiça Eleitoral.

TRE dá vitória ao Vereador

O Vereador Reinaldo Fernandes recorreu da decisão da 1ª instância (Brumadinho) ao TRE. No dia 12 de março, o Tribunal julgou o recurso e refez a sentença. “Contratei uma boa advogada e prevaleceu a justiça no seu sentido correto”, concluiu o vereador.
Em sua defesa, o Vereador sustentou que a aplicação da multa era incorreta uma vez que fundamentava-se indevidamente em analogia não autorizada pela legislação, “conquanto considera equivalentes as hipóteses de pesquisa invalidada e de pesquisa não registrada.” O Vereador sustentou também que não havia prova de que ele soubesse que a pesquisa não era válida, que a pesquisa fora registrada, além de ter argumentado que a decisão liminar de retirada da informação do facebook  foi devidamente cumprida. O Vereador apresentou documentação que mostrava que a Justiça Eleitoral Indicava número de registro da pesquisa impugnada.
O tribunal reconheceu que a proibição de divulgação da pesquisa eleitoral impugnada dirigia-se primeiramente às partes que efetivamente atuaram naquela representação e a decisão somente
poderia alcançar o Vereador se tivesse tido ciência inequívoca da impugnação, e ele não fora intimado da decisão. O Vereador juntou documento emitido pela Justiça Eleitoral no qual constam a data e o número do
registro da pesquisa, sem qualquer indicação de sua irregularidade. “Assim, a aparência de conformidade da pesquisa eleitoral afasta a presença de dolo ou culpa por parte do representado”, entendeu o TER, concluindo ser “impossível presumir a ciência prévia do representado acerca da irregularidade da pesquisa eleitoral.”

O Tribunal, à unanimidade, deu provimento ao recurso do Vereador Reinaldo Fernandes. O escritório que defendeu o Vereador no TRE foi o Lobo Leite Advogados Associados, da Doutora Edilene Lobo.
Edição 172 – Março 2015
de fato entrevista finlandesa em visita a Brumadinho
Seu país tem um dos maiores IDH’s - Índice de Desenvolvimento Humano - do mundo, 0,879 ponto, com uma população subnutrida na ordem de 4% de total de 5.325.587 de habitantes (http://www.brasilescola.com/geografia/finlandia.htm). Um dos líderes mundiais na produção de celulares e no uso da internet, atualmente é o país que tem a maior taxa de utilização de celulares do mundo (65%), sendo, também, o principal produtor e exportador de telefones móveis do planeta. Participando da União Europeia desde 1995, a Finlândia possui 338.143 km² de área e 348 municípios de 12 províncias. O país nórdico tem 92,8% de cristãos, especialmente luteranos mas é também um dos países com maior porcentagem de ateus no mundo. No entanto uma das principais características da Finlândia é o avanço na Educação, sendo considerado um país com um dos melhores modelos educacionais do mundo, com mais uma recente inovação: será o primeiro país do Planeta a abolir a divisão do conteúdo escolar em matérias.
Ela é luterana, vem da capital Helsinque, onde a temperatura pode chegar a até - 3 °C no inverno e é sua primeira vez no Brasil, aonde chegou no dia 6 de março. Filha de uma família de cinco filhos (duas irmãs e dois irmãos), Anu Luoma tem 32 anos e é recordista em intercâmbio estudantil: já visitou 30 países, entre os quais Egito e Coreia do Sul.     
Simpaticíssima, esbanjando bom humor, e sentindo-se muito à vontade, Anu Luoma visitou, a nosso convite, a sede do jornal de fato, onde ficou por mais de cinco horas, respondeu nossa entrevista e ainda nos ofertou um monte de informações sobre seu País. Falando em língua inglesa (finlandês e sueco são os idiomas oficiais de seu país), a jovem Anu Luoma falou-nos de sua paixão pelo Brasil, sua admiração por nossos rapazes, a vontade de conhecer o Rio, SP e o Amazonas. Mostrou-se encantada com o programa do Governo Federal Ciências Sem Fronteiras; com o que chamou de nossa “conexão”, nosso acolhimento e abertura aos estrangeiros; e se disse surpresa com nosso transporte coletivo que, segundo ela, funciona “direitinho”. Disse-nos que também em seu país existe o “horário de verão”, mostrou-se encantada com nossas montanhas, e explicou porque a Educação funciona naquela região escandinava.
Sorrindo sempre, Anu falou-nos de sua vontade de aprender a dançar forró e que não quer ir embora sem antes experimentar o nosso churrasco.
Com vocês, Anu Luoma, uma finlandesa em Brumadinho. Acompanha sequência de fotos feitas durante a entrevista. Créditos: Larissa Alves Fernandes 

















de fato: Por que você escolheu o Brasil para fazer intercâmbio?

Anu Luoma: Porque sempre foi um sonho vir para o Brasil.

de fato: Em quais estados e cidades você esteve aqui no Brasil?
Anu Luoma: Apenas em Minas gerais, Belo Horizonte. Mas quero conhecer outros lugares como Rio, Amazonas, Foz de Iguaçu, Bonito [MT]... todos os lugares que eu tiver tempo e condições de ir.



 de fato: Como você achava que era o Brasil?

Anu Luoma: Eu só ouvia falar de São Paulo e Rio de janeiro. Não tinha ideia do que era o país. Quando estive na Coreia do Sul, encontrei um monte de brasileiros que estavam lá por causa do Ciências Sem Fronteiras [referindo-se ao programa do Governo Federal que possibilita jovens de todas as classes sociais estudem no exterior, custeados pelo Governo e recebendo bolsa de estudos de 800 dólares por mês). Conheci-os, achei-os muito interessante e aumentou minha vontade de visitar o Brasil. Fiquei encantada com o Ciências Sem Fronteiras.


 de fato: O que você está achando do Brasil? O Brasil é o aquilo que você achava que era, a imagem que você tinha do Brasil coincide com o que você está percebendo, sentindo aqui?

Anu Luoma: Sempre ouvi dizer que os brasileiros eram muito amigáveis, abertos, acolhedores. Mas não imaginava que fosse tão assim! Fiquei impressionada com a conexão brasileira, com a capacidade de as pessoas estarem conectadas uma às outras: quando cheguei a Belo Horizonte, estava com grande dificuldade de comunicação, então fiz contato com uma amiga, que fez contato com outros amigos seus e rapidamente conseguiram uma pessoa que entendia minha língua e fui ajudada.

 de fato: Comida, pessoas, cultura, o que você acha que acha mais interessante no Brasil?

Anu Luoma: As pessoas são muito conectadas. Assim que cheguei a Belo Horizonte já recebi o convite de Marina [referindo-se a estudante de Relações Internacionais Marina de Oliveira, que trabalha no serviço de intercâmbio do CEFET-MG e que recebeu a finlandesa] para passar a Páscoa em sua casa. Sobre a infraestrutura, eu não esperava que o transporte funcionasse tão bem! Fiquei surpresa como funciona bem, direitinho. No CEFET, o programa de intercâmbio é muito eficiente, os professores são bons, bem conceituados. Não visitei muitos lugares, mas acho a história do Brasil muito legal, estive em Outro Preto, acho muito legal a história do minério de Minas Gerais. As pessoas aqui são abertas, amigáveis, como falei. Estou adorando as frutas, que aqui são mais baratas que na Finlândia, estou aproveitando. Mal posso esperar para experimentar o churrasco. Só senti o cheiro até agora! A comida em geral não é muito doce, mas há doces muito doces, comparados aos da Finlândia. E algumas comidas mais salgadas do que as de lá.

 de fato: O que você achou dos rapazes brasileiros, gostou deles?

Anu Luoma: [A finlandesa disparou a rir e, com o sorriso mais gostos do mundo exclamou:Anu Luoma: Quem não gostaria?!

de fato: O que você acha do nosso povo, coisas positivas e negativas?
Anu Luoma: Quando a gente vai fazer intercâmbio, há um primeiro momento em que a gente acha tudo bonito, animado. Depois a gente começa a ter recaídas e, depois, volta ao estágio inicial. Mas ainda não cheguei à fase das recaídas [novamente dispara sua risada].


 de fato: Você já esteve em vários países. De qual mais gostou?

Anu Luoma: Honestamente, eu realmente gosto do Brasil, aqui me sinto em casa, é o mesmo espírito da Finlândia, em sinto muito bem.

de fato: Como é o povo finlandês?
Anu Luoma: Os finlandeses precisam muito de seu espaço privado, não são muito abertos como os brasileiros, não se tocam como vocês, brasileiros. É difícil se aproximar bem dos finlandeses, conhecê-los de forma mais íntima é difícil, mas se você os conhece, cria-se uma intimidade, a relação se torna mais próxima e você se torna um grande amigo. Eu nem me sinto uma típica finlandesa, adoro todos esses abraços e beijos que vocês dão na gente!

 de fato: A Finlândia é um país de muitas planícies, sem muitos pontos altos, sem grandes montanhas. O ponto mais alto do país, o Halti, no extremo norte da Lapónia, possui apenas 1328 m. O que você achou das nossas montanhas, especialmente das montanhas de Minas Gerais e de Brumadinho?

Anu Luoma: Gosto muito das montanhas. Inclusive hoje, quando estive na Estação do Conhecimento, fiquei olhando as montanhas e disse: “É muito diferente da Finlândia!” Lá é muito plano, tudo é perto. Aqui, quando vi o mapa de Belo Horizonte, achei que era tudo peto também. Mas quando a ente começa a andar de ônibus, ele desce, sobe, desce, sobe novamente e nunca chega!

de fato: O inverno finlandês pode durar 180 dias, de acordo com a região; o sul costuma ficar coberto de neve de 3 a 4 meses por ano, e o norte, até 7 meses. O inverno pode atingir temperatura de até -15 °C em janeiro e fevereiro ao sul, e -30 °C ao norte. O que você achou do nosso clima? Na sua região há no inverno noites muito longas, de quase 24 horas. Quando isso acontece, o que vocês fazem?  E no verão, com os dias longos, de quase 24 horas, o que fazem?
Anu Luoma: A gente se acostuma com o nosso clima, mas fica sempre esperando a próxima estação. Quando é verão, faz mais calor, os dias são muito claros, não escurece direito fica no máximo como se fossem 18 horas aqui, como estava hoje lá na Estação do Conhecimento. As férias acontecem nesse período, época em que as pessoas saem mais com os amigos, aproveitam mais, vão comer na piscina, vão à sauna. Aqui no Brasil é mais quente [ela enfrenta até -3 °C na capital Helsinque] mas tem ventos, tem muitas árvores e eu não senti falta do clima da Finlândia. Lá também existe o Horário de Verão. Quando posto na internet minhas fotos do verão brasileiro, meus amigos finlandeses ficam “furiosos”, “com inveja” de mim. [diz brincando]

 de fato: Em poucas palavras, o que é a Educação na Finlândia? Por que ela é considerada das melhores do mundo? Há algum nível de analfabetismo?

Anu Luoma: Eu não tive oportunidade de visitar escolas, mas me parece que a Educação no Brasil é muito teórica. Na Finlândia é muito interativa, o tratamento entre professor e aluno é mais igual, em relação ao conhecimento. Há matérias eletivas [matérias que os alunos por si mesmos escolhem cursar], curso extras dentro da escola. na faculdade, o aluno tem que obter 15 créditos, e eles podem obtê-los em diversos cursos, em cursos extras e não necessariamente no curso que faz, não necessariamente em sua graduação. Os professores usam métodos diferentes pois sabem que há alunos que aprendem mais escrevendo, outros ouvindo, e os professores estão atentos a isso. Há muita interatividade e dinâmica, há parceria com empresas, há muitos projetos desenvolvidos. Analfabetismo? [mostrando-se muito intrigada com nossa pergunta] Não!! Quando alguém tem dificuldades, tem algum tipo de deficiência, é feito um trabalho com eles, eles aprendem!  

de fato: E as salas de aula são cheias?
Anu Luoma: Tenta-se o limite de 30 alunos. Nos subúrbios, às vezes faltam alunos. Na escola infantil, se houver muitos alunos, há um assistente. Crianças com alguma dificuldade são atendidas em grupos menores. Os estudantes são muito acompanhados, há contato com as famílias de forma muito rápida, quase sempre via internet, e-mail [a Finlândia é um dos países onde o uso de internet é dos maiores do mundo].

de fato: E os professores recebem bons salários?
Anu Luoma: Em minha opinião, os professores não ganham o que deveriam ganhar. Mas eles ganham o suficiente para pagar tudo que precisam, para ter um bom padrão de vida. Lá o professor tem que estudar 7 anos, enquanto outros profissionais, como médicos, estudam 5 anos.  

de fato: Desde 1990, a Finlândia é considerada um Estado de bem-estar social. Há pobreza na Finlândia?
[Essa foi outra pergunta que deixou a finlandesa muito encucada e com dificuldade para responder]
Anu Luoma: Pobreza para nós é um conceito diferente do que é para vocês. Nós não temos mendigos, como existem em Belo Horizonte. Por causa da União Europeia, e o fato de as pessoas não precisarem de visto para irem de um país a outro, a Finlândia recebe muitos romenos que vão procurar trabalho, e causam certo estranhamento. Mas eles têm uma cultura de serem nômades e não ficam muito tempo no país. A nossa pobreza é quando as pessoas enfrentam alguma dificuldade, se divorciam, por exemplo, e a avó tem que ficar com os netos, aí aumentam as despesas da família, são despesas inesperadas. Então, para nós, pobreza é passar por essas dificuldades inesperadas. 

de fato: Mas vocês não tem pobreza no sentido de as pessoas passarem por privações, ficarem sem comer, sem condições de se divertir, viajar, não ter acesso à cultura, comprar bens, esse tipo de coisa?
Anu Luoma: No sentido de passar privações, não. É diferente do Brasil.

de fato: Conhece Jean Sibelius [Johan Julius Christian Sibelius, compositor erudito finlandês, 1865-1957]? O que achou de nossa música?
Anu Luoma: Sim, conheço. Não escutei muito a música brasileira. Mas tenho vontade de aprender a dançar forró.
O Editor do de fato ladeado pela tradutora Marina Oliveira e a finlandesa Anu Luoma
 Nota da redação: agradecemos imensamente a Marina de Oliveira, que foi nossa tradutora na entrevista com Anu Luoma.   
Edição 172 – Março 2015

Tentar. Até conseguir.

Dizem que a fé remove montanhas. É verdade! Ninguém chega a lugar algum senão pela fé. Não que sejamos Moisés, assim, tipo batendo o cajado para abrir o mar. Mas quem espera [acontecer], quem deseja luta. Até conseguir. Sempre foi assim! Foi assim que Graham Bell, depois de mil tentativas (sim, 1.000, conforme a lenda), conseguiu inventar o telefone (que hoje virou celular, microcomputador, câmera, gravador, filmadora etc etc etc) enquanto Elisha Gray desanimou e parou no meio do caminho. Mandela esteve 27 anos na prisão, saiu, tornou-se presidente da África do Sul. Lula tentou ser presidente em 1989, 1994, 1998, e só o conseguiu em 2002.
Não havia vacina para sarampo. Foi criada! Não havia tratamento para os diversos tipos de câncer. Existe! Não há cura pra AIDs. Haverá! Os cientistas não param de trabalhar! E de ter esperança!
Quer ser médico? Você vai conseguir! Se estudar, se lutar, se não desistir, se não trocar seu sonho por um “sonho” mais fácil com medo da concorrência. 
Quer sair de uma situação difícil? Não entregue os pontos, não desista, até conseguir! Mantenha viva a chama da esperança. E trabalhe! Porque “a fé sem obras é morta!”
É isso! 


Edição 172 – Março 2015
Zé e Rita: O Casamento do Ano!



“Está disposto a educar os filhos na lei da Igreja?”, perguntou o Padre Felipe, arrancando risadas de todos, inclusive a sua própria. Antes mesmo de perguntar, ele já sorria, avisando que ia perguntar por que o rito assim o exigia.
Não era para menos: José Gonçalves da Costa, o Sr. Zé, com 84 anos e Rita Marta da Silva, d. Rita, com 77, provavelmente não terão filhos.
E não foi o único momento de descontração no casamento do ano. As centenas de pessoas que lotaram o Lar dos Idosos Padre Vicente Assunção, o Asilo, estavam todas encantadas com o acontecimento. “No meu casamento não tinha nem um terço dessa gente toda”, comentava um senhor.
Alguns dias antes, casaram-se no Civil. E, no Religioso, tiveram todos os direitos que os noivos têm. A começar com a valsa nupcial. Quer dizer, antes foi o atraso de 20 minutos da noiva, que apareceu linda, maravilhosa, olhos brilhando. A reportagem do de fato apurou que ela ganhou até o “dia de noiva”, passando o dia em salão de beleza. E o Sr. José não ficou pra trás. Segundo um dos voluntários do Lar, ele também foi levado ao salão para uma geral. E só se recusou a cuidar das unhas: “Que que é isso, menino, tá me estranhando?”, dissera ele ao ser perguntado se gostaria de “fazer as unhas”.   ´

“Pro resto da vida!”

Padre Filipe comandou a cerimônia. “Eu estou todo atrapalhado, nunca fiz um casamento assim”, confessou ele.  Quando perguntou ao noivo se o amor que ele prometia à Rita era “por toda a vida”, ele disse: “É, sim, Senhor!”. Já ela olhou para ele e disse: “Zé, você não sabe o quanto eu te amo!”, arrancando suspiros da assembleia. Noutro momento, o Sr. Zé não esperou nem o Padre terminar a frase e já completou: “... pro resto da minha vida!”
Feita a troca de alianças, antes da bênção final, Padre Filipe perguntou aos noivos: “Onde vai ser o forró?”, a que o Sr. Zé apressou-se a responder: “O nosso vai ser fora!”, arrancando mais risadas de todos.

Acontecimento histórico

“Um fato inédito em Brumadinho, no Lar dos Idosos. Ficou na história”, disse Itamar Mendes, voluntário do Lar, empolgadíssimo como evento, registrando tudo, quando nossa reportagem perguntou sua opinião. “Muito gratificante a gente presenciar um momento desses. O amor não tem idade”, completou Adilson Sebastião de Souza, 62 anos.
Como tinham direito a tudo, os noivos se sentaram e duas filas se formaram para os cumprimentos, enquanto um sanfoneiro tocava sua Oito baixos. Dali, a noiva Rita foi levada ao quarto que será do casal (sim! Eles terão um quarto só deles!), onde trocou seu vestido de noiva por outro. Em seguida, forma servir o bolo, quando ela aproveitou para brincar e sujar o seu marido, passando-lhe glacê no nariz, enquanto ele ria, feliz. 

Lua de Mel

Nossa reportagem apurou que a Pousada Nossa Fazendinha dera como presente aos noivos uma Lua de Mel. Perguntamos ao Sr. Zé como ia ser, e ele, se derretendo em risadas, disse: “A coordenadora disse que tem gente querendo participar da festa”.
E não faltaram, é claro, os comes e bebes. Enquanto os noivos não se retiravam para sua Lua de Mel, os voluntários do Lar serviam salgados e refrigerantes. Lá fora, um belo carro esperava os noivos para encaminhá-los ao seu leito nupcial.   

Veja abaixo as fotos do casamento, cliques do Editor Reinaldo Fernandes


     






Centenas de pessoas acompanharam a celebração

A noiva, brincando de passar bolo no rosto do noivo


O bolo de casamento


O novo quarto do casal