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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Edição 208 – Abril 2018
Editorial
Aos que amam a democracia

Sei que este jornal e lido por gente apaixonada por Lula. E por gente que o odeia. Alguns que o odeiam desde sempre, antes de ele fazer o que fez pelo Brasil e mesmo depois: é um ódio cego. E outros que eram apaixonados antes de 1989 e continuam defendendo-o mais ainda depois do que ele fez pelo Brasil, especialmente pelos mais pobres. Não se trata de paixão, agora se trata de amor, algo mais profundo, mais enraigado, mais racional, um sentimento forte de gratidão. Mas este texto não é nem para uns, nem para outros, é para todos. Este texto é para que ama a democracia.
A democracia pressupõe que, feito o debate, a gente entre em consenso. Se não for possível, a gente vota e a maioria decide, mas continua respeitando a minoria. No caso de governo, não basta respeitar a minoria, é necessário fazer política também para a minoria. 
O que temos no Brasil hoje é um pequeno grupo – porém com o poder do dinheiro e de governos – mandando, desmandando, implementando uma política que não foi aprovada em urna alguma.  O “estado democrático de direito” foi construído nos últimos 30 anos com a chamada “Constituição Democrática”. O que estão fazendo, em resumo, é destruindo essas conquistas: golpe, congelamento de gastos públicos por 20 anos, reforma trabalhista, prisão de Lula sem nenhuma prova etc etc etc.
Mas as coisas estão piorando a cada dia: de tentar impedir exposições de artes a atacar professora da Educação Infantil de BH jogando jatos de água, gás de pimenta e lacrimogêneo e com “caveirão” (ataque do tipo só ocorrido há 39 anos atrás, em plena Ditadura Militar), as relações vão se deteriorando, chegando a ser “permitido” matar uma vereadora e seu motorista, atirar no acampamento “Mariza Letícia” em Curitiba, tentar proibir panfletagens nas ruas e, pasmem!, tentar dizer que a culpa do desabamento do prédio em SP é das lideranças dos Sem Teto.
E o que tudo isso tem a ver com a luta “Lula Livre!”?
Ora, Lula – gostemos dele ou não – é a maior liderança popular que o Brasil já gerou. Nascido do meio do povo pobre, ele o representa como ninguém. A tentativa de retirá-lo da disputa para a presidência nada tem a ver com ele. Nesse aspecto, as elites nacionais “do atraso” concordam conosco: Lula não é um homem, é uma ideia. É a ideia de o povo brasileiro poder ocupar espaço no governo central, nos demais governos, na sociedade, e fazer política de seu ponto de vista, o ponto de vista do povo, frontalmente contrário ao ponto de vista dos ricos deste país.   
É por isso que, defender a democracia neste momento é defender Lula e exigir que seja libertado e que possa disputar as eleições. Este texto é, especialmente, para os que acreditam na democracia como a melhor forma de nos relacionarmos. É também por isso que todos nós precisamos fazer mais pela libertação desse preso político em Curitiba.
Não basta demonstrarmos que somos contra sua prisão apenas nas redes sociais. É preciso ocupar as ruas, as praças, os locais públicos! Todos nós podemos fazer mais. As entidades de classe, como sindicatos e associações, podem convocar atos, fazer adesivos, cartazes “LULA LIVRE” e, se, não fizerem, faça você mesmo, faça no computador, faça num pedaço de papel, e cole no seu carro, no seu caderno, no seu portão; carimbe suas notas com o LULA LIVRE (que é legal, conforme o próprio Banco Central já explicou) e, se não tiver o carimbo, escreve nelas com um pincel, com uma caneta, mas escreva, vamos fazer o LULA LIVRE circular. Faça uma faixa e coloque em sua casa. Compre uma camiseta e saia sempre com ela (se não há onde comprar, faça você mesma, pinte, borde, customize); converse sobre esse assunto na escola, no trabalho, no boteco, no ônibus, no metrô, explique porque Lula é um preso político, e porque temos que defender a democracia. Invente outras formas de exigir a libertação de Lula.
Reinaldo Fernandes
Editor
Lula está aprisionado há quarenta dias. Isso não pode continuar, não se pode prender ninguém depois de um processo em que não há uma unicazinha prova. Exigir o LULA LIVRE é exigir que o estado democrático de direito seja respeitado.  Sem isso, nos restará a barbárie, a violência, o caos... que não interessa a ninguém!
LULA LIVRE!


Edição 208 – Abril 2018
Estudantes de Brumadinho participam do JEMG
Delegação do Município foi de quase 85 pessoas

Estudantes das escolas municipais Maria Solano Menezes (Tejuco) e Padre Machado, além das estaduais Paulina Aluotto Ferreira, na sede, e a de Melo Franco, e ainda a escola privada SEMEAR participaram dos JEMG’s 2018. Nesta edição participaram diversas escolas/cidades que fazem parte da SRE Metropolitana A. Além de Brumadinho, Nova Lima, Catas Altas, Santa Bárbara, Rio Acima, Sabará, Caeté, Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo e Nova União.
O evento aconteceu em Santa Bárbara, dos dias 8 a 12 de maio. Os alunos ficaram alojados na Escola Estadual Rodrigo de Castro, onde tomaram banho, comeram e dormiram. O translado do alojamento para os jogos e dos jogos para o alojamento foi feito com ônibus e van.
Segundo a prefeitura de Brumadinho, nossa delegação foi de “aproximadamente 85 pessoas entre atletas, técnicos, auxiliares e membros da Coordenação Técnica”. 
As modalidades esportivas nesta etapa foram Futsal, Handebol, Basquete, Voleibol e Xadrez, Masculino e Feminino e em dois módulos, o 2, para nascidos em 2001, 2002 e 2003 e o módulo 1,  dos nascidos em 2004, 2005 e 2006.
A E. E. do Ensino Médio de Melo Franco participou na modalidade Futsal Feminino 2; i SEMEAR na Futsal Masculino 1; a Maria Solano no  Handebol Masculino 1. A Padre Machado participou na modalidade Xadrez Masculino 2 e  a Paulina teve participação maior, na Futsal Masculino 2, e no Handebol Feminino e Masculino 2. Essas equipes/escolas obtiveram a vaga para os JEMG’s quando foram campeãs nos Jogos Escolares de Brumadinho 2018.

Equipes de Brumadinho goleiam

Nossos jovens tiveram boas vitórias nos jogos. No Futsal Masculino 2, por exemplo, a moçada do Paulina meteu 9 X 2 na Alzira Alves, de Catas Altas; e nossas meninas da E. E. de Melo Franco enfiaram um 17 X 0 na Escola Professora Angélica M. de Almeida, de Sabará, também no Futsal. Já o time de Handebol Masculino 1 da escola de Tejuco fez nada mais, nada menos do que 26 X 3 na escola particular Santo Agostinho, da vizinha Nova Lima. No handebol Masculino 2, a Paulina meteu um 9 X 4 na E. E. General Carneiro (Sabará). Parabéns à nossas garoas e aos nossos garotos!    

Edição 208 – Abril 2018
Prisão Ilegal de Lula
 Cerveja Lula Livre
O “Bar do Ano”, estabelecimento de Belo Horizonte, está vendendo a cerveja artesanal “Lula Livre”.  O “Bar do Ano” fica na rua Levindo Lopes, 158, na Savassi. Segundo quem já tomou, é uma ótima cerveja, encorpada, resistente e faz muito bem, o povo tem aprovado.


Lula recebe mais um apoio para o Prémio Nobel da Paz cuja campanha já tem mais de 250 mil assinaturas
Luanda - A guatemalteca Rigoberta Menchú, distinguida também com o título, juntou-se à campanha mundial de assinaturas para a proposta do ex-Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para Prémio Nobel da Paz de 2019.

“Nascida em 9 de Janeiro de 1959, Rigoberta Menchú Tum, de seu nome completo é uma indígena guatemalteca do grupo Quiché-Maia, agraciada com o Prémio Nobel da Paz de 1992, pela sua campanha pelos direitos humanos, especialmente a favor dos povos indígenas.
A nova apoiante de Lula da Silva é embaixadora de boa-vontade da UNESCO e vencedora do Prémio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional.
Lançada a 5 de Abril de 2018, pelo argentino Adolfo Pérez Esquivel, agraciado com o Prémio Nobel da Paz, em 1980, por lutar pelos Direitos Humanos na América Latina, a campanha já angariou próximo de 250 mil assinaturas.
A mobilização recebeu, igualmente, uma assinatura de um outro vencedor da distinção, o egípcio Mohamed El-Baradei, que, em 2005, recebeu o Prémio Nobel da Paz, em nome da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
As grandes linhas de força da proposta assentam no facto de 36 milhões de brasileiros terem saído da pobreza, durante a governação de Luiz Inácio Lula da Silva.
 “Lula merece o Prémio Nobel da Paz, e tendo em conta a diminuição de direitos em voga, é necessário mostrar como as coisas melhoraram com ele e a falta de democracia que existe hoje no Brasil”, fundamenta Adolfo Pérez Esquivel.
As entidades detentoras do galardão são as únicas que têm o privilégio de apresentar directamente propostas junto do Comité Nobel Noruguês.”
As informações são do site de Angola, no continente africano, http://cdn1.portalangop.co.ao/angola/, da Agência Angola Press.


Militância mantém acampamentos
Passados quase 40 dias desde o aprisionamento de Lula, a militância dos movimentos sociais se mantém firme na luta para libertá-lo. Em Curitiba forma montados dois acampamentos, o Lula Livre e o Mariza Letícia. A vigília conta especialmente com trabalhadores rurais sem terra do MST. Os acampamentos têm sofrido muitos ataques da prefeitura de Curitiba e já foi alvo de tiros de militantes do neofascista bolsonaro. Mesmo assim, os acampamentos continuam firmes e prometem arredar pé apenas quando Lula foi libertado.

Edição 208 – Abril 2018
Cartas
Carta de Brumadinho para Lula

Todos os dias chegam milhares de cartas para o Presidente Lula. Elas são separadas no acampamento por uma equipe e encaminhadas para Lula. De Brumadinho acaba de partir uma, como em torno de 150 assinaturas e deve chegar às mãos do Presidente na próxima semana. A carta é encabeçada pelo Presidente do PT de Brumadinho, Reinaldo Fernandes.
Além de prestar solidariedade a Lula, a carta agradece a ele “por tudo que fez pelo Brasil, especialmente para nós, os mais pobres”, e diz: “Estamos com você, nunca se sinta sozinho aí, tá? Somos milhões de Lula! E nós vamos te tirar daí, mais dia, menos dia! Tenha paciência!”
A carta ainda lembra ao líder popular algumas necessidades: “Vamos enterrar a Reforma da Previdência, demarcar as terras dos indígenas e mexer nesse negócio dos impostos, fazer reforma e rever essa covardia de só trabalhadores ficar pagando imposto de renda absurdo sem taxar as grandes fortunas! Vamos investir mais no SUS, no transporte coletivo e ajudar os países que precisam da gente. E não se esqueça que a gente tem que regulamentar esse negócio da comunicação, hein! Senão a Globo nos destrói, você sabe!”

Jovens da Amazônia fazem carta de 30 metros em homenagem a Lula

“Liberdade é a razão de nossa teimosia e ousadia, princípio da revolução que queremos. Seja firme! Que não tarde a liberdade!”, diz trecho da mensagem

Um grupo de jovens da Amazônia resolveu homenagear Lula, preso na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde 7 de abril. Eles escreveram uma carta que mede 30 metros endereçada ao ex-presidente. A carta foi entregue nesta sexta-feira (11) à Vigília Lula Livre, no acampamento de militantes na capital do Paraná.
“Liberdade é a razão de nossa teimosia e ousadia, princípio da revolução que queremos. Seja firme! Que não tarde a liberdade!”, diz trecho da carta.

Lula escreve carta para a Vigília (acampamento em Curitiba, em frente ao local em que foi aprisionado): “A minha tranquilidade é porque eu tenho vocês”
Em nota enviada à Vigília Lula Livre, ex-presidente confirma acompanhar atos todos os dias “com muita emoção” e manda um beijo no coração de todos e todas

Queridos companheiros e companheiras,
Tenho acompanhado todos os dias com muita emoção os atos de solidariedade que vocês fazem pela manhã e à noite.
Não há nada no mundo que possa pagar o carinho que vocês têm demonstrado todo dia. Beijos no coração de cada homem e de cada mulher.
Amanhã completam-se 30 dias que estou aqui aguardando que o Moro e o TRF 4 digam qual crime eu cometi. Tenho certeza de que sou vítima de um conluio entre a imprensa e a Força Tarefa da Lava Jato que não sabem como sair da emboscada que se meteram com tantas mentiras.
Estou tranquilo e sereno. Não sei se os acusadores dormem com a consciência tranquila que eu durmo.
A minha tranquilidade é porque eu tenho vocês.

Obrigado,

Opinião
Publicamos abaixo relato emocionando e emocionante de uma pessoa que esteve na vigília Lula Livre recentemente. Um registro para a História deste País.

De Carla Alves/BH sobre as manifestações em Curitiba "Lula Inocente, Lula Livre, Lula Presidente".

CARAVANA LULA LIVRE BH

NÚMEROS
3 Acampamentos montados
1100 refeições em média por dia
9 bujões de gás por dia/ 700 reais
500 kg de comida em doações por dia (média)
5000 pessoas passando pela concentração por dia (média)
1000 pessoas dormindo nos três acampamentos
150 cartas entregues na barraca por dia (média)
Gasolina em Curitiba R$  4,03

O ÔNIBUS
50 mulheres e 6 homens viajando no nosso ônibus
Média de idade 50 anos
Grupo de amigas que foi convidando outras amigas e amigos, formando uma corrente. Somos profissionais liberais, empresários, estudantes, funcionários públicos, aposentados, donas de casa, unidos pela militância política e pelo ideal de justiça para todos e para LULA.

SEGURANÇA
O MST tem indivíduos responsáveis pela DISCIPLINA – são pessoas que transitam entre os manifestantes, para evitar conflitos entre os moradores locais, contrários ao movimento e pessoas que estão visitando os espaços.
Segurança dos acampamentos – Ficam, em sistema de rodízio, nas portas dos acampamentos. Foi justamente um desses seguranças que sofreu tentativa de assassinato. Conversei com o rapaz que estava com ele na hora do ataque e ele contou que os agressores passaram gritando o nome do candidato da extrema direita à Presidência da República e atirando. Deram ao todo 20 tiros, feriram 4 pessoas e quase mataram Jefferson, 39 anos, pai de 3 filhos, um deles em tratamento de leucemia. O ato fascista é o retrato dos dias que estamos vivendo.
Em cada esquina 4 policiais fazem o policiamento das ruas em torno do acampamento. Com nosso grupo foram cordiais e discretos.

VIZINHANÇA
Tem de tudo. O bairro é de classe média, mas algumas casas são bem mais simples. Alguns apoiam o movimento, outros rechaçam. Uma família abriu sua casa para uma cozinha comunitária, local para banhos e banheiros. Quinhentas refeições são servidas ali por dia. Conversamos muito com a dona da casa, agradecemos a acolhida em nosso nome e de todos que lutam contra a prisão política de Lula. Na casa dela transitam uma média de 2000 mil pessoas por dia.  Voluntários ajudam na cozinha e na distribuição de comida. Ali almoçamos uma comida gostosa e carregada de afeto.
 Em outra casa foi montado um ponto de venda de refrigerantes, águas e cervejas. Muitos trailers e barraquinhas de comida, venda de camisetas do Lula e bottons,  foram armadas no entorno.
Uma terceira casa transformou-se em Casa da Democracia e lá ficam correspondentes da imprensa alternativa e de todo o mundo. Inclusive da Al Jazeera, que é uma cadeia de televisão e não um grupo terrorista.
Um casal de moradores veio ao nosso encontro, no domingo à noite, reclamar que perdeu o sossego e não aguenta mais ouvir o Bom Dia Lula e ter que acordar cedo nos finais de semana.  Tive muita empatia por eles. Não deve ser fácil ter todo aquele arsenal montado na porta de casa. A esposa disse que achou que duraria uma semana, mas que agora já não sabia quanto tempo duraria aquilo. Ela estava um pouco alterada, havia bebido, algo normal para um domingo à noite, mas o que se percebia era desespero pelo tamanho do movimento atrapalhando sua rotina. Começou a bater boca com alguém a meu lado e eu entrei na conversa dizendo que sentia muito o transtorno causado a ela, mas que  se preparasse porque o movimento ficaria ali até o dia em que Lula sairá solto, nos braços do povo. Que o melhor que ela tinha a fazer era se envolver no movimento e lutar para que ele fosse logo libertado. O marido a puxou delicadamente pelo braço e saíram desconsolados.
Mas no geral o que vi foram as famílias em suas casas, tranquilas e um respeito mútuo.

LIMPEZA
Fiquei impressionada com a limpeza dos locais por onde passei. Nos acampamentos, voluntários fazem faxinas,  tanto nos banheiros e cozinhas improvisadas, quanto nos locais de trânsito. Nosso grupo participou como voluntário da limpeza do Acampamento Marisa Letícia. Não vi papel no chão, latinhas de cerveja, nem copos plásticos. No evento do primeiro de maio sacolas plásticas foram distribuídas e jovens coletavam o lixo jogado no chão.

ORGANIZAÇÃO
Credenciamento– Logo que chegamos à Praça Olga Benário o cadastramento é feito e pulseiras com cores diferentes, escrito acampamento Lula Livre, são distribuídas de acordo com o nosso intuito. Quem só vai passar o dia recebe uma cor, quem vai ficar no acampamento outra cor. É por aí que eles fazem o controle de quantas pessoas passaram por cada espaço.

Barraca de doações de mantimentos – Coleta toda a comida que é recebida e faz a distribuição. Também recebe material de higiene pessoal, fraldas descartáveis, água mineral, material de limpeza, papel higiênico. Os agricultores doam sacos de batata, cebolas, legumes, verduras e frutas que são distribuídos nos acampamentos e colocados na rua para que as pessoas que passam possam se alimentar.
Barraca de doações de dinheiro, roupas e agasalhos – Recebe e contabiliza tudo que entra em dinheiro. Nosso grupo doou  R$ 1.675,00,  além de muito mantimento, roupas de cama e banho,  agasalho e medicamentos. As doações chegam a todo o momento e vão sendo liberadas à medida que é preciso.
Barraca de cuidados – Confesso que foi a que mais me emocionou, pois tinha remédios, um médico voluntário, aparelho para tirar a pressão, etc. , mas tinha, também, protetor solar, acupunturista e massagista. A prioridade para massagem e acupuntura era para as pessoas que estavam trabalhando no movimento e dormindo no acampamento, por motivos óbvios, mas sobrando vaga todos podiam ser atendidos. Se isso não é amor e solidariedade para com o outro, não sei o que é.
Barraca das Cartas para Lula – Um livro foi aberto e lá as pessoas mandam mensagens para o presidente. As cartas que chegam fechadas são cuidadosamente abertas por uma equipe que lê o conteúdo e verifica se tem alguma ofensa ao Presidente, algum risco a sua saúde ou outras coisas inapropriadas. Depois tudo é novamente lacrado e entregue a ele pela família. Soube por sua filha que essas cartas tem sido um alento em seu cárcere político.
Barraca palanque – Lá fica o som e  durante todo o dia passam artistas, políticos, lideranças e autoridades  nacionais e internacionais. Entre uma fala e outra muita música ao vivo. Muitos cantores famosos têm cantado lá.  Os deputados e senadores do campo da esquerda se revezam por semana e meu deputado, Patrus Ananias, está indo essa semana pela terceira vez.

Essas são as barracas oficiais que se juntam a outras que chegam e saem. Nós levamos de Minas a barraca das bordadeiras do Grupo “Linhas do Horizonte” e elas bordaram política, pedindo a libertação de Lula.  Vendemos camisetas e bottons também, para ajudar na passagem daqueles que querem ir a Curitiba  e não tem como pagar. Aliás, nosso ônibus levou  companheiros que não puderam pagar e o grupo colaborou para que fossem juntos. 

Temos sempre um ônibus indo e outro voltando, o mesmo acontecendo em todos os Estados do Brasil. Por isso a necessidade de arrecadação de fundos para custear as despesas daqueles que querem ir e não podem pagar, além de manter os estoques nos acampamentos.

A CIDADE
Curitiba não é dos coxinhas. Embora se perceba  que a maioria é a favor da Lava Jato e admira o Juiz Moro, outros tantos são radicalmente contra. Como estávamos todos de vermelho e facilmente identificáveis, muitas pessoas vinham até a gente conversar, dar suas opiniões e ouvir as nossas. Curitiba esse final de semana estava vermelho. Todos os hotéis com lotação completa. Todos os bares e restaurantes cheios.  Ambulantes vendendo de tudo. Lula gerando renda.
Os motoristas de Uber, que pegávamos para ir e voltar da Praça Olga Benário, onde fica a polícia federal, foram todos muito delicados e se interessavam em saber  porque estávamos ali. Uns do nosso lado, outros defendendo Moro. Triste é que poucos sabiam que o MTST  desvendou a fraude do apartamento do Guarujá e provou que a reforma nunca foi feita. Ficavam assustados quando comentávamos sobre isso.
Duas senhoras vieram até a mim pedir desculpas pela perseguição  que o juiz Moro está fazendo ao Lula. Disse que sente vergonha por ele ser de Curitiba e que não achássemos que Curitiba é Moro. Quis saber qual a visão que temos de Curitiba em tempos de Lava Jato. Adorei! Mas não me iludi, Curitiba ainda é muito Moro e vai demorar para “cair a ficha”. 
Mas a impressão que fica é a de que é um povo educado. Viam e ouviam o tempo todo a gente gritando LULA LIVRE e não contestavam. Apenas um ou outro passava gritando impropérios dentro dos carros, mas a maioria que se manifestava, buzinava e fazia o L com as mãos, mostrando que estava com a gente.

SOLIDARIEDADE
Sempre é o que mais mexe com nossas emoções. Pessoas que deixam a sua vida, largam as suas casas, para ajudar os outros. Os acampados do MST, se revezam, indo e vindo, de  tempos em tempos. Uns ficam cinco dia, outros dez e aí são substituídos por outros que chegam. Deixam suas lavouras na mão de familiares e vem para a luta.
Um casal com quem conversamos, ambos  aposentados, veio do interior para Curitiba de  caminhonete e estão desde o início transportando mantimentos e comida pronta de um local para outro.
  Um dos acampamentos foi armado no jardim de uma senhora, nas imediações da Polícia Federal. Lá estão montadas 30 barracas. 
Pessoas passam o tempo todo nos oferecendo transporte e insistindo em nos levar solidariamente de um lugar para outro. Um senhor nos deu carona. Éramos sete  mulheres apertadas em um fiat e ele orgulhosamente nos contou que desde que o acampamento  começou ele vem fazendo isso.
Muitos chegam se oferecendo para lavar banheiros, descascar legumes, ajudar no que for preciso. Outros abrem as casas para banhos e banheiros.  Alguns chegam com frutas e flores para serem distribuídas. Camisas que identificam países são trocadas entre pessoas. Na barraca de roupas você chega e apenas diz:- estou precisando de uma toalha ou um casaco e na hora sai com a peça na mão.

BOM DIA/BOA NOITE LULA
É de chorar! Cada dia uma pessoa puxa o bom dia. Nos dois dias que lá estive, de manhã um simples BOM DIA PRESIDENTE LULA repetido dez vezes por umas duas mil pessoas na segunda-feira e 10 mil na terça, dia primeiro de maio.
Agora, o BOA NOITE foi ainda mais especial. 
Em nome dos mais de 40 milhões que saíram da linha da pobreza: Boa Noite Presidente Lula! 
Em nome dos milhões que você permitiu que chegassem à universidade: Boa Noite Presidente Lula!
Em nome de toda a juventude brasileira: Boa Noite Presidente Lula!
Em nome das mulheres brasileiras: Boa Noite Presidente Lula!
Em nome dos que lutam na agricultura brasileira, dos pequenos agricultores: Boa Noite Presidente Lula!
Em nome dos quilombolas  brasileiros: Boa Noite Presidente Lula!
Em nome dos negros e negras brasileiros: Boa Noite Presidente Lula! 
Em nome dos que lutam e não acreditam nas mentiras da rede globo: Boa Noite Presidente Lula!
Em nome dos que lutam pela educação brasileira: Boa Noite Presidente Lula!
Em nome dos que lutam pela democracia e não aceitam a justiça acovardada: Boa Noite Presidente Lula!
Em nome dos acampados de Curitiba que tem direito a lutar pela liberdade sem correr risco: Boa Noite Presidente Lula!

O MUNDO PRESENTE
Cruzamos com gente de todo o mundo prestando solidariedade ao presidente Lula e ao povo brasileiro. Eu vi equatorianos, chilenos, argentinos, franceses, alemães, russos... Disseram-nos que já passaram por lá representantes de 47 países. Fora os que não se identificaram no cadastramento.

O PRIMEIRO DE MAIO
De manhã mais de 10 mil pessoas foram até a porta da Polícia Federal,  dar o bom dia ao Lula. Estava difícil até andar. Pessoas se amontoavam querendo ficar o mais perto possível do cordão de isolamento e a todo momento mais gente chegava.
De lá saíram em marcha até o centro de Curitiba para o ato de Primeiro de maio propriamente dito. Lindo ver aquela multidão marchando por 10 km gritando palavras de ordem.
Lá já aguardavam outras 40 mil. Os shows foram de Flavio Renegado, Beth Carvalho e Ana Cañas. Pela primeira vez o Primeiro de Maio foi feito em conjunto, com sete centrais sindicais presentes.
Cruzamos com caravanas de todos os estados.

Enfim, foi um fim de semana de muitas emoções e de muita esperança de que o Mundo inteiro veja o Golpe que estamos vivendo no Brasil  e que a prisão política de Lula ecoe pelos quatro cantos do Mundo. Foi um primeiro de Maio de resistência. Lindo, Solidário, Emocionante, de muita Luta!


Edição 208 – Abril 2018
Poucas e Boas

“Minha alma está serena porque ela não me acusa de nada e me sinto portador da verdade que possui uma força própria e que no seu devido tempo se manifestará.”
Lula, em conversa com Leonardo Boff, antes e ser aprisionado

“Diga ao pessoal lá fora e à imprensa que eu sou candidatíssimo!”
Do mesmo Lula, falando ao teólogo Leonardo Boff, já aprisionado

O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício do caráter.
Cláudio Abramo

"É isso. legislativo, executivo e judiciário (tudo com minúsculas) de mãos dadas e protegidos pelos milicos. A mesma fórmula de 64, os mesmos personagens.
E o Homem (esse, sim, com maiúscula) que tirou o Brasil do mapa da fome, que conseguiu levar o pobre para a universidade, para programas científicos no exterior, para o aeroporto, para uma vida com possibilidades... é agora sacrificado no altar da emissora que fala para a intelectualmente medíocre, politicamente destrutiva e moralmente corrompida elite brasileira.
Pablo Villaça, crítico de cinema

A canalhice é escancarada, não há preocupação sequer em usar máscaras. (...) Não sei para onde vamos, mas não me parece um lugar bom.
O que eu sei é que vai ter luta. Sempre."
Do mesmo Pablo Villaça

Edição 208 – Abril 2018
Campanha salarial dos Servidores Públicos
Mudanças no PCCV ameaçam servidores

Servidores fazem paralisação do trabalho, com passeata pela ruas da cidades exigindo seus direitos

Os servidores Públicos Municipais continuam em campanha salarial. A campanha, conjunta, envolve três representações dos servidores, o Sind-UTE – Sindicato dos Trabalhadores em Educação -, o SindSaúde – Sindicato dos Trabalhadores em Saúde – e o SindBrum – Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Brumadinho -, que representa dos servidores da Secretaria de Obras e demais secretarias. A campanha teve início ainda no mês de janeiro, quando as pautas foram entregues à Administração de Nenen da ASA (PV). De lá para cá a prefeitura ainda está só nas promessas.
A situação ficou pior quando o prefeito prometeu um reajuste de apenas 3% nos salários mas enviou à Câmara um Projeto de Lei que piora muito a vida dos servidores de Brumadinho e abre porta para demissões e contratação de empresas terceirizadas.

Discussão na Câmara    

No dia 8 de maio aconteceu, na Câmara Municipal de Brumadinho, reunião para discussão dos Projetos de Leis nº 29/2018, 30/2018 e 31/2018 que dispõem sobre os Planos de Cargos e Salários dos Servidores da Prefeitura de Brumadinho e outros assuntos relacionados ao funcionalismo público. Além de apenas 9 vereadores, estiveram presentes servidores, representantes dos Sindicatos, Lílian Paraguai (Sind-Ute), Wagner Gonçalves (SindBrum) e Ivanete Maria Silveira (Sind-Saúde), um representante dos Agentes de Combate às Endemias, um representante da Secretaria de Assistência Social e o Secretário Municipal de Administração.
Os servidores municipais se manifestaram extremamente preocupados com os projetos de leis encaminhados à Câmara. Fizeram várias críticas a diversos dispositivos dos projetos asseverando que, caso aprovado, estariam prejudicando os servidores municipais.

Maior participação é dos professores e trabalhadores da Secretaria de Obras; Saúde tem participação mas servidores das demais secretarias agem como se nada estivesse acontecendo, esperando que seus colegas conquistem os direitos para eles usufruírem  

Prefeitura faz ameaças

A Presidente do Legislativo manteve a proposta de retirar o projeto de tramitação na Câmara caso, ao final das discussões, os sindicatos não entrem em acordo com a Prefeitura e assim o solicitem e justifiquem formalmente ao Poder Legislativo.
Já o Secretário de Administração da Prefeitura de Brumadinho, Flávio Capdeville de Meira, preferiu fazer chantagem e ameaças aos servidores. Capdeville disse que a retirada do projeto de tramitação neste momento seria o não pagamento do reajuste salarial para os servidores no próximo pagamento, além da ocorrência de demissões de servidores municipais.

Cronograma de discussões

Ao final da reunião, ficou definido um cronograma de reuniões diárias, que se iniciaria no dia 9 de maio, 13h30 às 16h, na Câmara Municipal para debater os Projetos de Leis e chegar a um acordo para o início do processo de votação. As reuniões contarão com dois representantes do Sind-Ute, dois do SindBrum, dois do Sind-Saúde, um representante dos Agentes de Combate às Endemias, um representante da Assistência Social e o Secretário Municipal de Administração e vereadores.


Edição 208 – Abril 2018
Só Rindo

O preço do parto
Às vésperas do nascimento do primeiro filho, o marido tenta negociar com o médico os honorários do parto.
___ São cinco mil reais!, sentencia o médico.
___ Cinco mil? Você está maluco?
 ___ São quinhentos para o anestesista, quinhentos para a enfermeira e quatro mil para a AMB.
___ Quatro mil para a Associação Médica Brasileira?
___ Não! Quatro mil Ao Meu Bolso!

Enganando as pessoas
Depois de voltar de uma pelada, Manuel conversa com os amigos da padaria:
___ Ora pois, o jogo foi bem catimbado! Quando fui cobrar o pênalti o goleiro me provocou dizendo: “Chuta do lado direito que eu pego, chuta o lado esquerdo que eu pego, chuta no meio que eu pego!”
___ E então, o que você fez?, perguntou um dos amigos.
___ Ah, eu enganei ele... chutei para fora! 

A placa
Um chefe de departamento da prefeitura, sentindo que seus subordinados não respeitavam nem um pouco a sua liderança, resolveu colocar uma placa na porta da sala, onde se lia: “Aqui quem manda sou eu”. Depois de voltar de uma reunião, viu o seguinte bilhete pregado junto à placa: “Sua esposa ligou mandando que devolva a placa.”

Repouso
O médico diz ao marido de uma paciente:
___ A sua esposa precisa de repouso absoluto. Vou receitar um sonífero.
___ Ah, muito obrigado, doutor! E quando é que ela deve começar a tomá-lo?
___ O sonífero nãomé para ela, é para o senhor!

Afinador de piano
O sujeito bate à porta e é atendido por uma moça muito atraente e elegantemente vestida.
___ Bom dia, eu sou ao afinador de piano, _ se apresenta o moço.
___ Mas eu não mandei chamar um afinador de piano!, responde a moça.
___ Eu sei! – diz o afinador. _ Foram os vizinhos que ligaram. 

Trabalho bem feito
Um homem chega à alfaiataria e pergunta quanto custa para fazer um terno.
___ Quinhentos reais, responde o alfaiate.
___ Isso é um roubo!
E o alfaiate tenta justificar:
___ Mas... são sete dias de trabalho!
___ Espera aí, em sete dias, Deus fez o mundo!
___ Mas não foi sob medida! 


Edição 208 – Abril 2018
Opinião
O acidente com Edifício Wilton Paes de Almeida, Largo do Paissandu/SP, poderia ser evitado?
Valdirene da Rocha Pires*

Muito se tem falado (na mídia e nas redes sociais), sobre o incêndio que levou ao desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, localizado no Largo do Paissandu, em São Paulo. O incidente que deixou, segundo informações dos noticiários, 146 famílias desabrigadas e pessoas ainda desaparecidas, marcou o dia 1º de maio, data em que se comemora o dia do trabalho no Brasil.
Entre os diversos tipos de comentários e leituras sobre o acidente, é possível encontrar, por um lado, opiniões que culpabilizam as famílias e o próprio movimento de luta por moradia por terem ocupado o prédio sem a priori, condições de habitabilidade e, por outro, os que conseguem ler nesta tragédia a real situação da ausência de condições ao acesso à moradia pelas camadas mais pobres no país.
Mas o que leva estas famílias a ocupar um prédio supostamente condenado? Por que elas não foram morar em outro local, mais seguro?
Diante de tantas especulações acerca do que poderia ter sido feito para evitar o acidente, ou ainda, quem seriam os culpados, o que se pode considerar é que a ocupação do Edifício Wilton Paes de Almeida, e de tantos outros imóveis ocupados de forma precária em diversas cidades do Brasil, é um reflexo da formação social desigual histórica do Brasil. E, sim, os desdobramentos deste quadro de desigualdade levam milhares de famílias a, como única alternativa, ocuparem espaços com pouca ou sem nenhuma condição de morar. Isso não é uma escolha, mas a falta dela!
Assim como a alimentação e a saúde, a moradia é uma necessidade humana, pois, além se ser um abrigo, é também um local de identidade e privacidade. Nesse sentido, a ocupação do Prédio no Largo Paissandu materializa a luta por espaço, como forma, ainda que precária, de suprir uma necessidade humana. Esta forma de ocupar vazios urbanos é também meio de se efetivar um direito garantido tanto na Constituição Federal de 1988, quanto no Estatuto da Cidade, trata-se do direito à moradia.
Ocorre que, o direito de morar não se resume apenas a ocupar ou fazer o uso de uma unidade habitacional. Outras necessidades devem ser supridas, como o acesso à água tratada, à energia elétrica, ao transporte, às políticas de saúde, de educação. Em uma situação de ocupação, esses itens também tendem a ser providos de forma improvisada. Como por exemplo, ligações “clandestinas” de rede energia elétrica, que por sua vez, tendem a causar incêndios. Teria sido este o motivo que levou o desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, localizado no Largo do Paissandu? Parece ser uma das hipóteses.
O déficit habitacional no Brasil é um problema estrutural, pois diz respeito ao modo como, historicamente, se deu o uso e a ocupação do solo, bem como a produção de moradias nas cidades brasileiras. Em detrimento do uso social do solo, as cidades brasileiras são planejadas como grandes centros comerciais e não como espaços a serem vividos por aqueles que a habitam. As cidades são planejadas sem considerar políticas habitacionais e outros serviços públicos, como saúde, educação, transporte, entre outros, que de fato atendam a demanda dos cidadãos. Neste cenário, o solo e a moradia são meras mercadorias, cujo valor, não está ao alcance da maioria das famílias, principalmente as de menor renda.
Se a questão é como evitar este tipo de tragédia, teríamos de debater a urbanização no Brasil e indagar o porquê de poucos terem muito, e muitos terem tão poucos para viver. Mas, em poucas palavras, podemos afirmar que só quando a moradia deixar de ser vista como um bem, uma propriedade, objeto de especulação e garantia de lucro, e passar a ser considerada, tanto pela sociedade, quanto pelo poder público, como um direito básico, é que este tipo de tragédia será, quem sabe, reduzida.
Isto significa que acidentes como o que ocorreu com Edifício Wilton Paes de Almeida podem ser evitados se a população tiver outras alternativas de moradias nas cidades onde vivem. Ocupar não é crime, ocupar um abrigo/uma moradia é uma necessidade humana!  

*Valdirene da Rocha Pires é professora do curso de Serviço Social do Centro Universitário Internacional Uninter.  

Edição 208 – Abril 2018
Conselho Municipal da Igualdade Racial recebe computadores

O Conselho Municipal da Igualdade Racial de Brumadinho acaba de ser equipado com computadores. A doação de 3 (três) equipamentos foi feita pelo Governo de Minas Gerais, e  foi entregue, na sede da Prefeitura no último dia 3 de maio, pessoalmente, pela Diretora de Relações Institucionais da Subsecretaria de Igualdade Racial da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, senhora Maria Imaculada Marcelino Ferreira. Ferreira fez a entrega ao Presidente do Conselho Municipal, Aldo César.
Imaculada salientou sobre a importância de o município fazer a adesão ao Sistema Nacional de Promoção de Igualdade Racial, gerando vários benefícios para a sociedade como um todo. Ao conseguir a adesão ao sistema SINAPIR o município passa a contar com um importante mecanismo de fortalecimento da atuação do Conselho Municipal existente, que ampliará suas ações junto às comunidades quilombolas de Sapé, Rodrigues, Ribeirão e Marinhos, que contribuem de forma expressiva para o patrimônio cultural de Brumadinho.
As informações são do DOM.

Edição 208 – Abril 2018
DATA VENIA
O que é o Imposto Territorial Rural - ITR?

Lucas Cavalcanti
O Imposto Territorial Rural – ITR - incide sobre a propriedade, o domínio útil ou a posse a qualquer título de imóvel localizado fora da zona urbana, ou seja, deverá estar inserido na área rural. Cabe destacar que o imóvel situado fora da área rural poderá estar sujeito à incidência do ITR se o imóvel for utilizado para atividades de natureza agrícolas.
Assim como o IPTU, o ITR possui apuração anual e o destacado imposto é de competência da União, porém nada impede que os Municípios realizem a fiscalização e a cobrança do ITR, entretanto não poderão estabelecer qualquer hipótese de redução ou mesmo isenção e, mesmo que optem por não realizarem a arrecadação e fiscalização do ITR, já possuem o direito a 50% (cinquenta por cento) da arrecadação dos imóveis situados em seus respectivos territórios, conforme prevê o art. 158, inciso II da Constituição Federal.
A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, sendo o valor do imposto variável conforme o tamanho da propriedade e seu grau de utilização, sendo apurado nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se à homologação (verificação) posterior.
A Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que dispõe sobre o ITR prevê a não incidência do imposto em relação às pequenas glebas rurais[1], quando o pequeno produtor rural explore, só ou com sua família, desde que não possua outro imóvel.
Por fim, cabe esclarecer que a realização da declaração do ITR é de suma importância para o Produtor Rural, pois quem não declara ou não paga o ITR poderá ficar impedido de vender o imóvel rural e nem poderá obter financiamentos.

1: Entende-se, na região de Brumadinho, para efeito da Lei nº 9.393/96, que as pequenas glebas rurais são os imóveis com área igual ou inferior a 30 ha.

Edição 208 – Abril 2018
Curtas
Câmara homenageia jornalistas
Com o mote “Jornalismo é um compromisso social”, a Câmara Municipal de Brumadinho homenageou os jornalistas. A homenagem foi publicada no DOM de 6 de abril (edição 1121), no seguinte teor: “Nosso apreço e homenagem a esses profissionais essenciais que tem a missão de transformar o dia a dia em informação verdadeira, que são os olhos e a voz da sociedade. "O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício do caráter" (Cláudio Abramo)”

Edição 208 – Abril 2018
SAIU NO DOM
4 X 1 (que conta foi essa?): Prefeitura gasta R$ 670 mil em aluguel de Ambulância por apenas 1 ano; valor dá para comprar 3 ambulâncias
“FUNDO MUNICIPAL DE SAÚDE DE BRUMADINHO/MG. HOMOLOGO, o Processo Administrativo de Compras N° 227/2017, Pregão Presencial Nº 047/2017, cujo objeto trata da Contratação de empresa especializada para prestação de serviço de locação de ambulância tipo UTI móvel, equipada, com motorista e km livre, destinada a atender a demanda de transporte dos pacientes do SUS de Brumadinho, pelo prazo de 12 meses. Vencedora a empresa: Ouromed Serviços Móveis de Saúde Ltda-EPP, CNPJ: 11.263.858/0001-65: Valor global: R$ 670.000,00 (Seiscentos e setenta mil reais). Junio de Araújo Alves - Secretário Municipal de Saúde”
1117 – 28.3.18
A Prefeitura não explicou porque não comprou 4 ambulâncias, já que possui os motoristas. Ou porque não comprou apenas 1 ambulância (que, segundo um membro do Sindicato dos Servidores custa em torno de R$ 175 mil), economizando em torno de R$ 500 mil.

Liga recebe R$ 600 mil
“Extrato de Termo de Colaboração Espécie: Termo de Colaboração Nº011/2018 Concedente: Prefeitura Municipal de Brumadinho – Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Eventos. Convenente: Liga Municipal de Desportos de Brumadinho - LMDB – CNPJ: 18.033.977/0001-70 -. Lei 13019/2014. Art.31, Inciso II e Art.32 Valor: R$600.000,00, Vigência: 09/03/2018 a 31/12/2018. Objeto: Repasse de recursos financeiros à LIGA, destinando-os a cobrir despesas de pessoal, material esportivo e escritório e campeonatos esportivos do Município de Brumadinho”
1120 4.4.18

Horizonte Transporte vai levar R$ 1.650.000,00 (Um milhão, seiscentos e cinquenta mil reais)
“PREFEITURA MUNICIPAL DE BRUMADINHO – EXTRATO DO CONTRATO N° 038/2018 - PMB, Processo Administrativo de Compras n° 218/2017, Pregão Presencial n° 048/2017, Ata de Registro de Preço n° 45/2017. Objeto: Contratação de empresa para a prestação de serviços de manutenção corretiva e preventiva em veículos automotores, com fornecimento de peças de reposição e acessórios originais, genuínos ou similares que atendam as recomendações dos fabricantes para frota Municipal, pelo prazo de 12 meses. Contratada: Horizonte Transporte Logística e Peças Ltda-ME, CNPJ: 27.602.170/0001-00. Valor total global: R$ 1.650.000,00 (Um milhão, seiscentos e cinquenta mil reais). Vigência: 20/03/2018 a 19/03/2019. Avimar de Melo Barcelos/Prefeito Municipal.”
DOM 1122 6.4.18
A Vereadora Renata Parreiras (PPS) fez aprovar requerimento na Câmara, com o seguinte teor: “Que seja cobrado do Chefe do Executivo Municipal esclarecimentos sobre os Contratos nºs 37 e 38/2018, cujos extratos foram publicados no DOM, edição nº 1122.” E olhe que a Vereadora foi eleita junto com o Prefeito e foi sua Secretária de Governo. Nem ela entendeu a gastança! 

Edição 208 – Abril 2018
Morre o Sr. Mardocheu

Faleceu na última noite de 12 de maio, o ex-prefeito de Brumadinho, Sr. Mardocheu de Souza Parreiras. Estava internado em hospital há vários meses, lutando contra uma doença. Desejamos à família a força necessária para atravessar este momento. Veja abaixo entrevista publicada pelo extinto jornal Brumadinho em Foco.

Mardocheu por ele mesmo

"Um resumo de sua história: Trabalhava como agricultor até os 17 anos, mas sempre estudava por correspondência no Instituto Universal Brasileiro. Aos 17 ainda fui para Belo Horizonte, trabalhei em várias empresas e fiz o concurso Ginasial no colégio Anchieta. Fiz o concurso da caixa onde consegui licenciatura plena em Latim e provisória em Francês.
Como começou a sua carreira política em Brumadinho: Quando a gente era menino, em Águas Claras, meu pai era um homem com uma leitura boa, que era coisa rara. O juiz então nomeava as pessoas como preparadora eleitoral, que tinha a função de ficar nas regiões para fazer mais pessoas votar, e o requerimento era escrito a mão, e o meu pai era preparador. Como as pessoas tinham a leitura muito pequena e a dificuldade de redigir, meu pai levava eu e minha irmã para a gente redigir o requerimento e as pessoas copiar. Águas Claras foi à região mais politizada na região de Brumadinho, exatamente por causa disso. E aí que começou. Quando eu mudei para Brumadinho a gente sempre trabalhava com a política, no partido do Aberlado. Aqui havia apenas dois partidos, o do Aberlado e do Jota. O Jota era PSDB e DM e o Aberlado era do PR que era um partido que sempre esteve no governo, e nisso eu sempre acompanhei o Aberlado. Em 59 havia criado a fundação cultural de Brumadinho, que era a mantenedora do Ginásio São Sebastião, eu dei aula no Ginásio e ajudara fundá-lo. Eu ajudei e depois eu fiquei como diretor da fundação, mas depois com o tempo as pessoas que criou vão sumindo, ficou apenas eu, o Paulo Alves e o Aberlado. A fundação cresceu tanto que nós não dávamos conta, e foi quando aconteceu um fato histórico, onde nos reunimos com o governador, sensibilizamos o governo e criou a primeira escola estadual.
No ano em que fundamos o colégio, eu me tornei uma pessoa notória, e por causa da influência política de meu pai, do Aberlado, e do Zezito, antigo prefeito de Brumadinho, para mim um dos melhores que a cidade já teve. O Zezito era dono de cartório e ele era candidato a vereador, antigamente não ganhava nada, eram nove vereadores e só podia candidatar mais um terço, eram 12 vereadores e era dificílimo completar a chapa, por exemplo, Nego Amorim, foi um vereador, nós reunimos e fomos a casa dele para ele aceitar para completar a chapa. Hoje as pessoas candidatam não é para ser vereador não, é pelo dinheiro que envolve. Então o Zezito disse, “você vai entrar no meu lugar, eu não posso ir, mas você entrará.”. Na hora eu fiquei em dúvida. Os quatro que me incentivaram foram o Zezito, Agostinho de Paula, João de Castro e o Amador e então candidatei a vereador. Tive dois mandatos como vereador. O primeiro em 62 e depois em 66. Em Brumadinho tinha 3000 eleitores, eu tive 306 votos, mais de 10% dos votos. Eu fui presidente da câmara. Eu não tinha a intenção de candidatar para prefeito. José Amaral foi um grande prefeito, mas ele deixou um problema: bairros novos como o Jota, a Estrada de Automóveis não tinha luz nem água, e tinha jeito de levar, mas eles não levavam, por falta de pulso, e eu lá da câmara brigava para que levasse a luz e água, mas não adiantava. Um dia eu subindo nesses bairros acima, eu vi uma mulher grávida com um balde d’água na cabeça e uma criança do lado. A mulher disse: “Sr Mardocheu, sabemos que o senhor é o que mais briga por nós na câmara, porque o senhor não candidata para prefeito?”, eu disse que ainda não sabia por causa de votos, mas ela completou que eu teria diversos votos naquela região por ser o único a brigar por nós na câmara. Descendo a rua, nesse mesmo dia, eu encontro o Geraldo, um amigo meu, que tinha um caminhão, com um tambor cheio d’água. Perguntei para que aquele barril e ele disse que tinha que tomar banho ali, já havia quase uma semana que não podia entrar em casa, pois não tinha água para tomar banho, então estou levando esse tambor. E ele também me pediu para candidatar como prefeito. Nisso eu sai e então escutei um estrondo e ouvi a notícia que o Geraldo havia morrido acidentado. Foi um acidente onde ele mesmo foi cortar o tambor com o maçarico, a tampa estourou e lá estava ele morto. Depois disso eu pensei, tenho que consertar esse Brumadinho, então eu candidatei.
Naquela época havia dois partidos: a Arena (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Cada partido podia ter três candidatos, e então somava os votos dos três do partido do MDB e os três da Arena, e o que tivesse mais votos era o vencedor da eleição. Eu fui candidato nessa fase. E então entrou o Gibiu e o vice dele era o Zezinho do Zé Antônio de Piedade. O Hélio Lima era uma pessoa querida e sem muitos recursos, buscou o Henry Karan para ser seu vice, e eu fiquei sozinho. Então eu chamei o Lourival que era muito amigo meu, companheiro de câmara para ser o meu vice então ele aceitou."



Edição 208 – Abril 2018
Programa Valorizar terá iniciativas sociais premiadas pela Vale em Brumadinho
Inscrições podem ser feitas até o dia 21 de maio

estão abertas as inscrições para o Programa Valorizar, da Vale, que tem como objetivo reconhecer e dar prêmios de incentivo a iniciativas sociais que terá sua primeira edição nas cidades de  Brumadinho, além de Belo Vale, Congonhas, Nova Lima (Jardim Canadá e Macacos), Ouro Preto (exclusivo Mota) e Sarzedo.  As inscrições podem ser feitas até o dia 21 de maio.
O Programa vai premiar com recursos financeiros as iniciativas sociais e projetos que beneficiem o público desses municípios e ajudam a gerar desenvolvimento para as comunidades com ações relacionadas à, pelo menos, umas das seguintes categorias: Geração de Trabalho e Renda, Educação, Saúde e Qualidade de Vida.
As entidades devem ser oriundas das cidades e seus distritos. Até a data de inscrição a instituição deverá ter pelo menos 12 meses de existência, comprovada pela data do documento do CNPJ.

Prêmios de R$ 17 a R$ 35 mil

A Vale vai distribuir quatro prêmios de R$ 35 mil, cinco prêmios de R$ 25 mil e seis prêmios de R$ 17 mil reais. Os recursos devem ser obrigatoriamente revertidos para a iniciativa premiada.
Para se inscrever, a instituição deve imprimir e preencher o formulário que consta no edital, disponível no website da Vale (http://www.vale.com/brasil/pt/aboutvale/news/paginas/programa-valorizar-esta-com-inscricoes-abertas-para-organizacoes-de-minas-gerais.aspx), em conjunto com a documentação obrigatória. Os documentos deverão ser enviados via correios, em postagem SEDEX constando no campo destinatário (Vale - Mina Mutuca - PROGRAMA VALORIZAR Fazenda da Mutuca, s/n, zona rural, Nova Lima, MG, CEP. 34.000-000 - Aos cuidados da Comunicação e Relacionamento com Comunidade), até o dia 21 de maio de 2018.
O julgamento das iniciativas e a distribuição dos prêmios acontecerá no dia 26 de julho.
As informações são da Assessoria de Comunicação da Vale.





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