Busque em todo o blog do Jornal de fato

ENTRE EM CONTATO CONOSCO: defatojornal@gmail.com / 99209-9899
ACOMPANHE-NOS NO facebook.com/jornaldefato

sábado, 11 de abril de 2015

Edição 172 – Março 2015
CEU Raquel Ferreira Nascimento será construído na COHAB

A população da COHAB já sofreu com poeira, barulho e rachaduras em suas casas e ruas devido ao trânsito incessante dos caminhões transportadores de minério de ferro. Ruas sujas e com mato, e sem sinalização de trânsito são outros problemas. Agora, o bairro pode ter uma boa notícia, o Centro de Esportes e Artes Unificados – CEU -, que será construído na Rua Belmiro da Silva Moreira.
O CÉU se chama Raquel Ferreira Nascimento, nome dado pela Lei 2070/2014, iniciativa do Vereador Reinaldo Fernandes (PT), é uma homenagem a uma ex-moradora, mulher pobre, trabalhadora e simples.
De acordo com o projeto, divulgado em fevereiro de 2014 pela Prefeitura, o CEU “terá 2 pavimentos multiuso, com área de 3 mil metros quadrados. No local serão construídas salas multiuso, biblioteca, telecentro, cineteatro/auditório, com capacidade para 60 pessoas, além de uma quadra poliesportiva coberta, pista de skate, espaço de ginástica, playground e pista de caminhada”.
Em julho de 2014, os vereadores votaram Projeto de Lei da Prefeitura sobre os recursos de R$ 2.041.950,00 (dois milhões e quarenta e um mil e novecentos e cinquenta reais) para a obra, oriundos do governo da Presidenta Dilma Rousseff (PT).
A construção do Centro teve início em novembro de 2012, há mais de 2 anos  e estava paralisada. Na reunião da Câmara do dia 12 de fevereiro, o vereador do PT apresentou um Requerimento cobrando da Prefeitura informações sobre a obra. Dias depois, a Prefeitura deu uma satisfação, fazendo uma publicação no DOM – Diário Oficial do Município de Brumadinho – a respeito,  assumindo o compromisso em realizar a obra. Já no dia 16 de março, a Prefeitura informou que o Executivo municipal assinou contrato com a Mestra Engenharia, que venceu a licitação para execução da obra.

Conquista da COHAB


O objetivo do centro esportivo é integrar num mesmo espaço físico, com programas e ações culturais, práticas esportivas e de lazer, formação e qualificação para o mercado de trabalho, serviços sócio assistenciais, políticas de inclusão digital e prevenção à violência. No momento em que a violência juvenil cresce em Brumadinho, o Centro será um espaço importantíssimo para ocupar a juventude da localidade e de todo o Município. 
Edição 172 – Março 2015
Aécio Neves deverá responder a inquérito do Supremo
Senador é apontado com um dos beneficiados pela corrupção na Operação Lava Jato

O Senador Aécio Neves (PSDB) deve ser incluído nas investigações da Operação Lava Jato, da polícia Federal. Segundo o deputado estadual Rogério Correia e os deputados federais Padre João e Adelmo Leão (todos do PT), já existem provas suficientes para que seja abeto o inquérito, especialmente após a divulgação do vídeo em que o doleiro Alberto Yousseff afirma ter transportado para o ex-deputado federal pelo PP, José Janene, morto em 2011, propinas pagas pela empresa Bauruense por contratos em Furnas.
Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, onde corre o processo da Lava Jato, Yousseff revelou ter ouvido de José Janene que uma diretoria da estatal (Furnas) era controlada pelo PSDB (Aécio) e o seu partido, o PP.
Essa diretoria promovia uma “caixinha” de onde Janene e Aécio Neves obtinham uma mesada no valor de R$ 120 mil mensais, relativa à coleta de propinas na manipulação de contratos de obras entre empreiteiras e a subsidiária da Eletrobrás.
Além de pagar propinas ao PSDB e PP, esse esquema também distribuiu quase R$ 40 milhões aos principais políticos do PSDB e de partidos coligados nas eleições de 2002. Entre eles, aparecem na lista como principais beneficiários da propina os candidatos aos governos de Minas Gerais, então deputado federal Aécio Neves; São Paulo, Geraldo Alckmin; e ao Senado por São Paulo, José Serra.
Anteriormente, quando da divulgação da primeira lista de 54 nomes, na maior parte, políticos com mandatos, o nome de Aécio Neves ficara de fora, embora o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, tenha dito que poderia a ser incluído se aparecem provas mais substanciais contra o tucano.

A “Lista de Furnas”

Os deputados estiveram na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, no dia 19 de março, quando apresentaram uma representação solicitando a inclusão do senador Aécio Neves nas investigações da Operação Lava Jato.
Nesse dia, os parlamentares garantiram que já existiam “provas suficientes” para que se abrisse um inquérito em nome do senador tucano, em especial após a divulgação do vídeo em que o doleiro Alberto Yousseff revela ter tomado conhecimento de um esquema de distribuição de propinas pagas pela empresa Bauruense por contratos em Furnas. Segundo o delator, o ex-deputado federal pelo PP José Janene teria afirmado a colegas correligionários que estes valores eram repassados ao seu próprio partido e ao PSDB, na figura de Aécio Neves, que dividiam a diretoria da estatal Furnas.
O esquema ao qual o doleiro se referia remontava ao caso Lista de Furnas. A lista, já comprovada autêntica por um laudo do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, traz o nome de 156 políticos, entre tucanos e aliados, que teriam recebido dinheiro publico através de um esquema de caixa dois nas eleições de 2002. Sozinho, Aécio Neves teria sido beneficiário de R$ 5,5 milhões, quantia repassada em uma única parcela. No total, o esquema teria desviado R$ 39, 9 milhões.
Em 2012, a utilização de caixa 2 em Furnas já havia sido alvo de uma denúncia realizada por Andrea Bayão, então Procuradora do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. No documento, a Procuradora pede abertura de inquérito contra o então diretor de Furnas Dimas Toledo Fabiano, indicado ao cargo por Aécio Neves, e contra diversas empresas que fariam parte do esquema, dentre as quais a Bauruense, citada agora no depoimento de Yousseff.
Em nota, o senador tucano se limitou a desqualificar a robusta denúncia dos parlamentares petistas, sem responder pelos seus atos, afirmando levianamente mais uma vez que a lista seria falsa.


Processo contra Rogério Correia

Em 2014, Correia passou incólume por tentativas do ex-governador em desconstruí-lo e criminalizá-lo por meio de processo civil público instaurado em Minas Gerais pelo PSDB.
No processo, o tucano acusa Correia de ter providenciado a falsificação da lista e de improbidade administrativa, por ter pago com dinheiro da verba de gabinete na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) o suposto autor da fraude documental.
Em dezembro, a Promotoria de Minas determinou, no entanto, o arquivamento do inquérito aberto contra Correia. O argumento: inexistência de “provas consistentes” alegadas pelo PSDB e também por restar demonstrada a veracidade da Lista de Furnas, até então acusada de “falsificação grosseira” por Aécio Neves.

Nova visita ao Procurador

No último dia 31 de março, os deputados mineiros Rogério Correia, Adelmo Carneiro e Padre João; e ainda os deputados federais Fernando Marroni (PT-RS) e Pedro Uczai (PT-SC), foram recebidos pelo Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem entregaram novos documentos que, segundo eles, provam o envolvimento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) no escândalo de Furnas.
Os deputados voltaram a pedir a reabertura de inquérito para investigar a ligação de Aécio Neves ao esquema de corrupção que veio à tona em 2006. Eles também apontam, no documento entregue no dia 31, que depoimentos da Operação Lava Jato também provam as irregularidades cometidas pelo tucano. Os documentos entregues foram anexados, aditados à petição protocolada no dia 19.
"Fomos muito bem acolhidos pelo procurador, que manifestou-se claramente pela intenção de considerar todas as provas e evidências para instaurar o inquérito", afirmou o deputado federal Odelmo Leão (PT-MG) a jornalistas após o encontro. "Procuramos demonstrar que, com todas as provas, o caso Furnas não pode ficar sem abertura de processo: há, mais que indícios, provas de caixa dois com envolvimento do PSDB em que Aécio Neves é o principal responsável", acrescentou o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG). Correia disse que este é o momento certo para que o Brasil possa “passar a limpo uma parte de sua história. Nós trouxemos muitas provas, inclusive a Lista de Furnas original autenticada pela Polícia Federal, comprovando que Aécio Neves recebeu R$ 5,5 milhões da estatal”, afirmou.
Já o deputado federal Padre João (PT-MG) se disse confiante na investigação de Janot. "Temos esperança e confiança no Dr. Rodrigo Janot. Apresentamos provas e pedimos que abra processo de investigação. Investigar não é condenar ninguém. Isto faz parte do estado democrático e de direito. Se a investigação concluir que houve ilícitos, crime, então que seja ofertada a denúncia ao Supremo Tribunal Federal. Simples assim", disse.

Os cinco parlamentares do PT foram ao gabinete do Procurador a seu convite. No dia em que protocolaram a petição o Procurador não estava em Brasília e não os pode atender.
Edição 172 – Março 2015
Opinião
Estadistas, Políticos e Indignados na Corrupção de Todos Nós


Um problema do debate político atual é o maniqueísmo, no caso, se não é contra a Dilma, só pode ser a favor. Não é meu caso: não apoio as manifestação anti-PT e anti-Dilma, mas também não apoio o PT e o governo eleito. Quando se analisa a história, descobre-se que às vésperas da emergência de grandes ditaduras, tais como o nazismo, o fascismo, o stalinismo e até mesmo o famigerado golpe militar brasileiro, a indignação contra a corrupção foi usada por aproveitadores políticos para mobilizar as massas com promessas de limpeza social e ética, no caso do nazismo, étnica também (judeus, ciganos, comunistas e homossexuais seriam a banda podre a ser banida da sociedade).
A indignação contra a corrupção atualmente carrega várias contradições. Porém, a maior delas é haver indignação com a corrupção das empresas públicas, o que deve haver mesmo, e nenhuma indignação com todos aqueles que fizeram e fazem do bem público um espaço para seus interesses privados.
Vou retratar alguns personagens reais, que foram para as ruas no dia 15 de março. Eles são o retrato bem fiel da hipocrisia de muitos que tomaram a bandeira da ética apenas agora neste momento da história política brasileira e o fizeram com uma violência verbal e moral que não combina com a verdadeira democracia:
Gestor público corrupto - roubou até cansar como assessor na Prefeitura de Brumadinho, teve que mudar de cidade porque a pressão social foi grande demais sobre si, saiu magoado e se dizendo injustiçado, mas sem ser processado e com o bolso cheio. Foi para as ruas com mensagens muito mal educadas de revolta contra a corrupção;
Traficante de Influência Política - conseguiu um emprego público no judiciário sem concurso para a esposa, que trabalha meio horário e não parece ser uma funcionária motivada, dedicada e eficiente;
Empresário Corrupto - dono de uma pequena indústria, vive dizendo que a ditadura não foi barra pesada (seriam invenções da esquerda) e compra fiscais porque diz que no Brasil só assim se consegue tocar um negócio para a frente;
Diretor de Empresa Mafioso - sabe de vários esquemas de corrupção de uma grande empresa na qual trabalhou, cheia de recursos e muito bem organizada para fazer valer seus interesses junto aos políticos, mas acha um absurdo os apoiadores da Dilma, em especial o MST, ir para as ruas de forma organizada;
Ex-Cara Pintada Fã da Ditadura - foi para as ruas contra Collor. Já se formou faz bastante tempo, mas tem carteirinha falsificada de estudante e acha que a solução é o exército voltar para as ruas. Esqueceu que na ditadura houve muita corrupção também e que ninguém podia reclamar dela abertamente;
Eleitor Indignado Seletivo - votou em deputados fisiológicos, com propostas pífias e por motivos privados (família vota, amigo de beltrano, vai arrumar emprego para fulana, etc.); deputados que aumentaram a verba indenizatória em Minas Gerais. Está indignado com a corrupção do governo federal. Já em relação à cara de pau do deputado em quem votou, nem toca no assunto.
Democracia representativa se consolida com democracia participativa forte, através das manifestações das ruas, mas principalmente da ação cotidiana, articulada, discutida livremente, respeitosamente e exaustivamente nos fóruns e conselhos de políticas públicas. Sem que as ruas de 2015 virem ações cotidianas de democracia participativa, as reivindicações podem virar farofa como as de 2013. Há uma série de ONGs que discutem e implementam ações concretas de combate à má gestão pública e a corrupção. Elas precisam de pessoas efetivamente indignadas, no cotidiano e não apenas de vez em quando, para apoiarem as ações que desenvolvem.
Democracia forte se faz não com hipocrisia, virulência verbal, assédio moral e debates insanos entre os que acham que defendem o bem contra aqueles que supõem ser a encarnação do mal. Democracia se faz com profundo respeito a quem tem ideias opostas às suas. Essa é uma das diferenças entre grandes estadistas e políticos. Estadistas reconhecem o direito e o mérito em seus opositores políticos e lutam politicamente contra eles para vencerem eleições baseadas no livre debate público. Não atuam para desqualificar o opositor, mas sim mostrar que as ideias e propostas de mundo e sociedade que defendem são melhores. E é nesse sentido que se percebe que vamos de mal a pior, pois nem no governo nem na oposição conseguimos encontrar verdadeiros estadistas. E essa corrupção é de todos nós. Não ainda querer dizer que essa corrupção é dos outros. É de toda a sociedade e a política brasileiras.


Armindo dos Santos de Sousa Teodósio (Téo), Professor do Programa de Pós-Graduação em Administração da PUC Minas
Edição 172 – Março 2015
Terminal de Sarzedo: a luta continua!

Um dos principais acontecimentos de 2014, envolvendo os usuários de transporte coletivo de Brumadinho, foi a luta contra os desmandos do DER-MG e da empresa SARITUR relativos ao recém-inaugurado Terminal de Passageiros de Sarzedo. Depois de duas semanas de muita reclamação por parte dos usuários do transporte coletivo das cidades de Brumadinho, Mário Campos e Sarzedo, o recém-inaugurado Terminal foi desativado no dia 20 de julho. Agora, diante do anúncio de recomeço do Terminal, os usuários têm nova luta pela frente.


Desinformação e confusão

A principal reclamação dos usuários é a falta de informações. Dessa vez, apesar das informações que se têm, elas estão vindo de forma bastante confusa. A princípio, os ônibus de Brumadinho voltariam a passar pelo Terminal no dia 4 de abril. Depois 5. Agora, 12 de abril. Mas não se tem informações mais concretas. A prefeitura caba de publicar matéria intitulada “Após intervenção da Prefeitura, operação do Terminal de Sarzedo é adiada”. A matéria dá conta de o Secretário Municipal de Governo, Carlos Mendes de Lima, se reuniu com membros da SETOP - Secretaria de Estado de Transporte e Obras Públicas, além de representantes das cidades de Mario Campos e Sarzedo para discutir a volta das operações do Terminal. E que ficou acertado que o sistema de integração voltará somente a partir do dia 12 de abril, mas não traz as informações mais importantes para os usuários.
Ainda segundo a matéria, ficou acertado “que após 15 dias de operação, será feita uma reunião para fazer uma avaliação do sistema. Somente depois desta avaliação é que as autoridades definirão os novos rumos do sistema de transporte metropolitano envolvendo as cidades de Mario Campos, Sarzedo e Brumadinho.”

Audiência Pública deve acontecer no dia 22 de abril

A Câmara de Vereadores devem votar requerimento em sua próxima reunião (9 de abril), solicitando Audiência Pública para que as autoridades discutam com a população as questões relativas ao Terminal. A SETOP já se dispôs a participar e agendou a data de 22 de abril.   

Problemas

Além da falta de informações, várias outras dúvidas afligem a população. Uma delas é o valor da passagem, já que o pouco de informação dá contas de que o valor será de R$ 4,50 até o terminal e mais R$ 6,50 para BH.
Outro problema era a falta de organização do Terminal, ausência de fiscais, que deixava os usuários à mercê deles mesmos, tendo que “brigar” para entrar nos ônibus e arrumar um lugar para se sentarem. Além disso, a estação não possuía nenhum banheiro gratuito e sim pago, além de não contar com serviço de lanchonete, ou qualquer outro.
A falta de horários de para partidas de Brumadinho é outro problema, já que o site do DER só informa os horários de saída do Terminal para Brumadinho. Assim, o usuário terá que ficar “calculando” tempo de viagem, o que se torna cada vez mais difícil por causa do louco trânsito na MG 040 e nas áreas urbanas das cidades.
Mas os problemas não param aí. Se houver ”baldeação”, o que ainda não está claro, aumenta também o tempo de viagem. Na primeira tentativa de implantação do Terminal, nos horários de pico, o passageiro gastava de 20 a 60 minutos para embarcar, uma vez que as filas cresciam rapidamente à medida que os ônibus das linhas alimentadoras iam descarregando passageiros com destino a Belo Horizonte, como informaram usuários e quem esteve lá observando a bagunça.
Como se não bastasse, o itinerário do ônibus no centro de Belo Horizonte também foi mudado, extinguindo pontos e dando imensa volta, passando pela Tereza Cristina.
Outro problema que pode ser verificado no site do DER é a falta de horários suficientes para atender a população. A linha 3787, CONCEIÇÃO ITAGUÁ/BELO HORIZONTE, possui 16 horários, de 03h50min às 22h30min; a 3788, TERMINAL SARZEDO/BRUMADINHO, 15 horários de 05h15min às 22h15min (cálculo aproximado). No entanto, no horário em que a população mais necessita dos ônibus, no início do dia, há grande deficiência. Depois das 05h05min, apenas às 06h45min há novo horário na linha 3787; depois desse horário às 07h30min e, depois, só às 09h30min, duas horas mais tarde. Já na linha 3788, depois de 05h15min, apenas às 06h15min, depois por volta das 06h30min e 07h10min; depois disso, só por volta das 09h10min.   


Editorial

Para entender a crise brasileira. Uma contribuição ao debate.

Democracia sempre mais! Ditadura nunca mais! 

A atual crise econômica mundial começou a se desenhar em 2007, por causa das chamadas hipotecas subprime, que ofereciam empréstimos para compras de imóveis a clientes com elevado risco de créditos. Como bancos do mundo inteiro investiam nesses papéis, a crise se espalhou pelo Globo todo.
Em 15 de setembro de 2008, com a quebra do banco americano Lehman Brothers tem-se início a maior crise econômica da história desde a chamada Grande Depressão de 1930. Dos EUA, a crise se espalhou pela Europa, atingindo primeiramente Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Itália. O desemprego explodiu, benefícios para a população foram cortados.  Reino Unido, Alemanha, Japão, Holanda, França, todos são obrigados a socorrerem bancos em processo de falência. O FMI tem que socorrer a Islândia e a Ucrânia. Os EUA se veem obrigados a concederem empréstimos a Cingapura, México e Coreia do Sul. O Banco Mundial promete triplicar ajuda aos países em desenvolvimento e a Itália destina 80 bilhões de euros para combate à crise. O G7 (sete países mais desenvolvidos do mundo) e o G20 (países avançados e em desenvolvimento) anunciam planos de combate à crise. Ainda em 2008 a 2009, a União Europeia apresenta planos de combate à crise.
Já em 2009, a Alemanha (do G7) entra em recessão técnica, como consequência da crise. Os EUA estão em recessão desde 2007, onde a classe média passa a ter dificuldades até para se alimentar. Enquanto isso, em 2009, o Brasil entra no noticiário internacional como o queridinho para investimentos, chamado pela revista Newsweek como “potência regional única”. A revista The Economist diz que o Brasil é “a maior história de sucesso na América latina”, ano em que o País torna-se credor do FMI, com a compra de 10 bilhões de dólares em bônus, e o dólar perde cerca de 25% de seu valor em relação ao Real. No entanto, a Embraer, fabricante e exportadora de aviões, sente a crise e tem que cortar 4.000 empregos. No 3º trimestre o Brasil volta a crescer. É neste ano que a governo do Presidente Lula toma a decisão de reduzir e retirar impostos. O IPI de veículos e da linha branca (eletrodomésticos) foi retirado, aumentando as vendas, aquecendo a indústria e o nível de emprego e elevando o crescimento no PIB. Neste ano a Selic fechou em 8,75%, menor taxa desde 1999.
Em 2010, a Espanha fez corte de 15 bilhões de euros no seu orçamento para reduzir seu déficit. Nesse ano o PIB brasileiro cresceu 8,9%, o maior desde 1996. Mesmo ano em que a Irlanda teve que ser ajudada pelos europeus. A União europeia aprova pacote de 750 bilhões para ajudar os países da zona do euro.
Em 2011 a Grécia passa por um dos seus piores momentos enquanto no Brasil, em abril, temos o menor índice de desemprego desde 2002. O Brasil volta a cortar impostos para compra de eletrodomésticos e aplicações financeiras. Dólar cai para R$ 1,554, menor valor dos últimos 12 anos.
Em 2012, a Grécia não apenas dá calote em metade de sua dívida com a iniciativa privada como aumenta impostos, corta salários, pensões e empregos. Na Espanha, você deve se lembrar, caro leitor, a população teve que deixar casas, abandonar veículos, tirar crianças da escola privada, tudo por ter perdido seu emprego. Mais de 500 famílias eram despejadas de suas casas a cada dia, por não suportarem o pagamento do aluguel ou das prestações imobiliárias. Em menos de um mês, 4 suicídios. Neste mesmo ano, o desemprego na zona do euro bate recorde, chegando a 11,7% da população desempregada, 19 milhões de pessoas, o maior contingente na história do Bloco. Grécia e Espanha têm 25% de sua população desempregada. Novamente os bancos centrais de diversos países (EUA, China, Japão, Inglaterra) injetam dinheiro na economia para tentar conter a crise. Isso aumenta a entrada de dólares no Brasil e prejudica nossas exportações, crítica feita por Dilma na reunião da ONU.
Em 2013, estudo diz que o Brasil pode se tornar a 4ª economia do mundo até 2050. A Espanha tem 3 milhões de pessoas na pobreza extrema (em torno de 7% do total), enquanto é erradicada no Brasil. No Chipre, banco é fechado, saque limitado a 300 euros e no Brasil Dilma inclui mais oito setores no corte de tributos da folha de pagamentos, como forma de incentivar o emprego enquanto a OIT (Organização Internacional do Trabalho) anuncia que 1 milhão de europeus perderam o emprego nos últimos 6 meses. No EUA a taxa de desemprego cai, com o país começando sua recuperação, crescendo 1,7% enquanto a Itália tem a recessão mais longa, com queda do PIB. Irlanda volta oficialmente à recessão; agência de risco rebaixa nota da França em meio à crise continuada na zona do euro, com recessão já de 1 ano e meio; na Grécia desemprego chega a 27,6%; Espanha loteia espaços naturais e históricos buscando saídas para a crise. Economia brasileira cresce 3,3% no ano.      
Ainda em 2013, os EUA começam a dar sinal de recuperação, mesmo ano em que a China – a economia que mais crescia no mundo - dava mostras do contrário, desacelerando seu crescimento.
O Brasil conseguiu se segurar, aumentou sua poupança (superávit primário), retirou IPI de veículos e dos eletrodomésticos, continuou aumentando o nível de emprego e o PIB continuou crescendo.
Em função da globalização econômica em que vivemos na atualidade, a crise se espalhou pelos quatro cantos do mundo, como pode se ver acima, derrubando índices das bolsas de valores e criando um clima de pessimismo na esfera econômica mundial. Mesmo assim, até 2014, com os dois governos petistas (de Lula, depois, Dilma) tomando as atitudes que tomaram, o Brasil conseguiu segurar a crise. No entanto, como se vê, a crise mundial permanece, com escassez de crédito e consequente fuga de capitais de investidores internacionais.
A queda, ou baixo crescimento do PIB dos países da União Europeia em função do desaquecimento da economia dos países do bloco faz com que diminuam a importação ou impedem que continuem importando do Brasil tal como vinham fazendo (como a China comprando nosso minério). Quando se exporta mais, fabrica-se mais, aumenta-se o emprego etc etc. Mas se os países de fora não podem comprar mais, exportamos menos, fabricamos menos e a consequência é menos investimentos e menos dinheiro no Brasil.
Ora, não há como não ocorrer contaminação da crise para países fora do bloco europeu ou dos EUA. Países que mantém relações comerciais com a União Europeia ou EUA, como o Brasil, são necessariamente atingidos. A crise pode, de acordo com economistas, causar recessão econômica mundial. Não é um problema isolado do Brasil, como poderemos perceber se prestarmos um mínimo de atenção.
Curiosamente, os EUA acabam de ter uma recuperação acima da expectativa, o que fez com que o dólar tivesse uma alta, não apenas em relação ao Real (prejudicando ainda nossas exportações) mas em relação a várias moedas mundiais, inclusive o Euro.
É verdade que o Brasil passa por uma crise. Mas também é verdade que o Brasil se segurou como nenhum outro país no mundo, enquanto foi possível. Se não entendermos isso, continuaremos achando que a corrupção no Brasil aumentou ao invés de entendermos que o que aumentou foi o combate a ela; continuaremos falando besteira, escrevendo besteira, pedindo impeachment da Presidenta, e achando que a solução é a volta dos Militares.
Não! A solução é manter a esperança, estudar um pouco de história e geopolítica, ler fontes alternativas que não sejam da grande e reacionária imprensa brasileira, e cobrar do nosso governo central atenção e medidas concretas para que o País suporte a crise mundial e para que soframos menos com ela. Ou perderemos nossas preciosas força e energia com besteiras do tipo “Fora Dilma”, “Impeachment já” e pedido de volta do governo militar, marcado, especialmente, pelos assassinatos de quem a ele era oposição.