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terça-feira, 11 de dezembro de 2018


Edição 215 – Novembro 2018
DIVERSÃO & ARTE: Crítica Musical – Escuta Musical
Lorde - The Louvre
Por Larissa Fernandes*

Tudo está sempre mudando, sempre. Mas a impressão que a gente tem é de que, hoje, as coisas estão mudando cada vez mais rápido, embora a gente não consiga dizer exatamente quais coisas estão mudando, como elas estão mudando, se é bom ou ruim que elas estejam mudando... É difícil visualizar qualquer coisa estando no centro do furacão, mas os acadêmicos continuam tentando, sem descanso, por seus meios, e os artistas, por outros. O fato é que tudo parece muito… rápido.
Sem dúvidas, quem mais sente na pele essa velocidade são as pessoas jovens. Mesmo que elas não tenham consciência dessa velocidade, se beneficiam ou padecem dela, de alguma maneira. Nesse sentido, um ponto da cultura que sempre merecerá atenção, ainda mais hoje, é a relação das pessoas e dos jovens com a arte, a produção cultural e a apreciação estética. Alguns pensadores e críticos culturais têm discorrido sobre como a nossa relação com as mídias audiovisuais está intensificada e acelerada com a presença das redes sociais e de outras características do nosso tempo, e muitos artistas também estão produzindo sobre isso, de maneira que a arte fica quase obrigada a falar sobre si mesma e a metalinguagem é inevitável. Além da rapidez com a qual a informação é compartilhada, e do grande fluxo de estímulos estéticos, fica destacada uma questão de performance: é como se, em seus seguidores do Instagram, todo mundo tivesse sua própria plateia. É como se todo mundo fosse um artista pop.
Lorde é uma artista pop que escalou nessa velocidade maluca e provavelmente sente na pele tudo que tá rolando: aos 17 anos, já tinha um grammy. Apressada. Desde seu álbum de estreia Pure Heroine, sucessor de um EP que foi incorporado na versão deluxe do disco, dá pra suspeitar que ela seria considerada a voz de uma geração, como acabou sendo chamada pelo jornal espanhol El País. No hit Royals, canção vencedora do grammy, já estão postas questões sobre música, performance e sobre ser jovem no meio disso tudo: “Mas toda música fala sobre dentes de ouro, vodka, drogas no banheiro/ (…) E nunca seremos da realeza, não corre no nosso sangue/ Esse tipo de amor não é pra gente”. O título da faixa White Teeth Teens parece uma boa descrição do que é encontrado quando a gente abre o Instagram.
Em Melodrama, seu segundo disco, mais maduro e complexo, fica ainda mais claro o caráter metalinguístico de seu trabalho, e ainda mais evidente uma arte que fala sobre si mesma: o próprio “melodrama” é um gênero dramático, uma maneira de se ver o mundo e contar histórias; a capa do disco é o que parece ser uma bela pintura a óleo, com luz e sombra bem marcadas, representando a artista, taciturna, em uma cama, o que parece ser um momento íntimo, solitário, privado. Merece atenção especial a quarta faixa do álbum, The Louvre (sim, o maior museu de arte do mundo).
A própria Lorde depôs sobre a faixa, no Podcast Exclusivo Spinoff, dizendo: "Eu queria reproduzir a sensação da “grande idiotice ensolarada” (“big sun-soaked dumbness”) que é se apaixonar. É tipo como se toda a sua cabeça fosse como cola, é incrível. É como usar drogas. É tipo 'eu só quero estar com você o tempo todo, eu só quero ouvir você falar e ver seu rosto fazer todas essas coisas estúpidas que faz quando você fala. É tipo uma grande alegria idiota e intensa - e eu sinto que a instrumentação daquela música ajudou a transmitir isso."
Dessa maneira The Louvre parece ingênua, não parece consciente dessa pressa das coisas, que nos invade hoje, e nem da constante transmissão de uma performance. Não parece refletir sobre sua própria afirmação de que deveria estar exposta no maior museu de arte do mundo. Porém, conscientemente ou não, mesmo falando de assuntos típicos da música pop como paixões e relacionamentos, The Louvre tem camadas, e fala de algo maior.
A chave para experienciar The Louvre em seu máximo são os versos “broadcast the boom boom boom/ and make 'em all dance to it.” Transmita, faça uma live, um streaming, publique, dissemine o boom boom boom, e faça com que todos dançam ao som dele. O boom boom boom poderia ser o próprio coração de Lorde, seu próprio batimento cardíaco, como o instrumental sugere. Lorde derrama seu coração na música e molda-o em algo dançante. É uma canção pop: fala para um “lover”, fala de boom boom booms, mas, musicalmente, não é tão festiva quanto a terceira faixa, Homemade Dynamite: em The Louvre, o final, melancólico, tendência que aparece desde Pure Heroine, é quase triste, como se anunciasse uma perda. A perda sucede a intensidade e a pressa. Com a pressa, a gente se agita, e depois padece, porque explodiu com toda a energia que tinha. Provavelmente não é à toa que Homemade Dynamite precede The Louvre.
A primeira vez que ouvi o Melodrama, foi de uma vez, com pressa, com o desespero de quem era uma fã de Pure Heroine, com praticamente a mesma idade de Lorde, e esperava, já fazia tempo, um novo trabalho. Não decepcionou: como antes, eu a entendia e ela me entendia. Hoje, ainda nos entendemos, mas a cada vez que a ouço, a cada intervalo de uma experiência estética quase sempre rápida e intensa - seu ritmo pop não permitiria algo muito diferente -, sua música parece ter mais camadas.
                O Melodrama é música pop, mas, nem por isso, tem poucas camadas. De fato, soa como a voz de uma geração. Uma verdadeira obra de arte, que poderia estar exposta no Louvre! Mas, ironicamente, assim como é irônico que Royals tenha ganhado um grammy e se tornado parte da “realeza” musical ao reclamar de não fazer parte dela, Melodrama é uma obra de arte não porque clama ser, em sua capa e título: é uma obra de arte porque articula camadas, sentimentos e sensações com grande competência. Porém, pertence ao nosso tempo porque tem pressa, se agita e depois padece; pertence ao nosso tempo, porque clama, sem vergonha, sem privacidade, ser uma verdadeira obra de arte, em sua capa e título.

*Larissa Fernandes é graduanda de Jornalismo da UFMG, artista e @esmagadinha no twitter, instagram, facebook e youtube


Edição 215 – Novembro 2018
OPINIÃO:
Música: mude sua vida para melhor!

Wilas Fernandes*

Pequenino, via e ouvia  meu irmão mais velho, Neri Sanfoneiro, “rasgar” sua sanfona (nome popular do famoso acordeon ou acordeão) e já começava ali minha formação e parte importante de minha influência musical. Mais à frente o irmão do meio me ensinaria as primeiras tríades e tétrades no violão, instrumento que, doravante, se tornaria minha paixão, apesar de não me tornar um exímio executor. Minha mãe e a mais velha, Vera, duas vozes mezzo – soprano encantadoras, afinadas, entravam, vez outra vez uma, com o toque feminino que eu adorava curtir para enriquecer-me depois. Valter (o da Mustafá) me fazia parar pelos falsetes e suavidade nas cordas. As duas mais novas não me recordo mas, fatalmente cantavam bem também. Afinadas e sem cacofonia, eu posso garantir. Papai, JOSE JOAQUIM FERNANDES, arranhava sua “cabecinha de égua”. Não que sua cabeça fosse de égua - apelido dado  ao instrumento de fole e teclas conhecido como Oito baixos, também um tipo de sanfona. “Manjava” um pouco de violão também. Da família de seis irmãos, pai e mãe recebi de tudo um pouco em harmonia, melodia, ritmo e compasso. Mas... espera aí. Eu falei seis. Falta um. Reinaldo... desafinava até nas palmas... mas tinha que ter um diferente. Sim, diferente. Lia muito. Ia ter tempo para tocar ou cantar? Foi assim que se completou o que chamamos de composição: uma boa música tem de ter uma  boa historia (ou estória), poesia ou letra, como queiram. Salvou os demais neste quesito como fez Fernando Brant com o Clube da Esquina.
Esse prólogo é pra te fazer entender o processo que um indivíduo pode sofrer no inicio de sua vida que irá colaborar para uma ruim, boa ou ótima formação. Neste caso, musical. Entretanto, esse SOFRER pra mim, foi bom. Mas poderia ter sido um desastre se não aprendesse a liquidificar, apurar e absorver o que me tornasse melhor. É o que sugiro.
Quando ouvimos uma voz suave, sem agressões auditivas, sem sub tonação ou super tonação, sem atrasos ou falhas lembramos  Kell Smith, Fernanda Takai, Maria Rita, Nana Caymmi,  Maria Gadú, Gil, Zeca Baleiro, Lenine, Djavan, etc. Do contrário tudo se torna apelativo demais como na maioria das rádios FM. Temos mais pedras que feijão. O que atrapalha a composição, quase sempre, é a letra. Mas há barulho demais em muitas delas. Destacam o homem/mulher sem o mínimo de valores e também baladas e bebedeira. O caminho deve ser sempre apurar pra curtirmos e vivermos atitudes positivas.
Quando ouço Chico Buarque, aprendo a escrever e a falar melhor. Associa-me à inteligência, ao combate à desigualdade social, à poesia, a bons livros. As posições e vida social dos cantores/compositores são espelho pra seus fãs. De qual livro ou poesia você se lembra ouvindo Eduardo Costa?(cri,cri,cri...) E carros com som alto? Já ouviu um Djavan num desses? É disso que estou falando.
Se não teve ajuda na família, teve dos vizinhos ou amigos e colegas. Tem que batear e ficar com o melhor.
Os lugares que frequenta tem que ter músicas que te transmitam alegria, positivismo e boa aura. Não brigas, traição e choro.
Devemos, sim, ouvir todos os estilos, ritmos e tendências. Até para melhorarmos nosso senso crítico. Mas com o devido cuidado para não sermos engolidos por tanta difusão ruim que tem por aí. Dependendo do lugar que for, não leve sua (seu) filha (o) ou... se arrependa depois. Criança forma seu perfil musical com muita sensibilidade. Cuidado com o que coloca para elas ouvirem. Elas certamente serão o que ouvem e veem.
Trago comigo ótimas lembranças musicais ouvindo e tocando musicas da MPB. Mas esse tipo de música ficou marcado como música de qualidade, quando, na verdade, significa musica popular brasileira. E a popular, com o nível geral cultural que a maioria tem, envolve as mais tocadas. Essas são mpb, porém, nem sempre de qualidade.
Fica assim, então, minhas sugestões: músicas que te façam rir de verdade, que te ensinem, que te apaixone pelo amor verdadeiro, que te coloque na viagem pela sua poesia, que balance seu corpo sem ser vulgar, que te solte e, principalmente, que mude sua vida para melhor como fez comigo. Eduardo Costa? Ele, NÃO!

*Wilas Fernandes é artista


Edição 215 – Novembro 2018
Só Rindo
Meritocracia
O presidente da empresa chama um de seus funcionários e diz:
- Bem, rapaz, você entrou aqui na empresa como office-boy, e dois meses depois já era chefe de seção. Seu brilhante desempenho o levou a ser promovido a subgerente, e, em seguida, a gerente de departamento. Hoje, apenas um ano e meio depois de sua chegada na empresa, você já se tornou um de nossos diretores. O mais respeitado deles. E para demonstrar que me preocupo com o bem-estar de meus funcionários, eu lhe pergunto: está motivado por trabalhar conosco, e satisfeito com todas essas promoções?
- Sim, papai.

O governo bolsonaro sem o Minstério do Meio Ambiente
Um rapaz franzino se candidata ao emprego de lenhador.
- Sinto muito - diz o chefe dos lenhadores, olhando o homem de cima a baixo. - Você é pequeno demais.
- Por favor, peço apenas uma chance para mostrar o que sei fazer - diz o rapaz. - O senhor não vai se arrepender.
- Tudo bem - concorda o chefe. - Está vendo aquele carvalho enorme ali? Quero ver você derrubá-lo.
Meia hora depois, o imenso carvalho está no chão, deixando o chefe abismado.
- Onde aprendeu a cortar árvore assim? - pergunta ele.
 Na Floresta de Saara.
- Você quer dizer o Deserto de Saara?
- Ah, claro! Se é assim que o chamam agora...

Palavra mágica
A mulher dá uma laranja ao menino. A mãe, ao ver que o filho aceita a laranja e se mantém calado, pergunta:
- O que é que se diz?
O menino se aproxima da mulher, estende o braço e diz:
- Descasca!


Edição 215 – Novembro 2018
Social
Luzia

Quem nos deixou foi a doce Luzia, esposa do Bá, mãe de Renatinho, Cris e Luciana. Faleceu no último dia 14 de novembro e deixou muitas saudades. Prova disso foram seu velório e enterro, que contaram com presença de centenas de pessoas.


“Zé da Usina” completa 57 anos de muito futebol


José de Brito, o Zé da Usina, completou 57 aninhos de vida no último dia 17 de novembro. Foi abraçado pelos companheiros de pelada, todos admirados. Além da disposição e do preparo físico, Zé – que joga pelada todo sábado, depois de meio século de futebol – ainda é ótimo goleiro. Nesse 17/11, houve momento em que venceu 7 partidas direto, sem levar nenhum gol sequer, todas de 3 a 0: seu time fez 21 gols enquanto ele levou 0.
Vida longa ao nosso goleiro! Que ele continue jogando... pelo menos até os 80!


sexta-feira, 16 de novembro de 2018


Edição 214 – Outubro 2018
Editorial
A eleição das Fake News

Quem for estudar História do Brasil daqui pra frente descobrirá que a última eleição presidencial foi a mais violenta desde a redemocratização do Brasil. Ameaças, mentiras, agressões, invasões de universidades com censura por parte de TRE’s, e pelo menos dois assassinatos cometidos por eleitores do capitão reformado.
Aqui em Brumadinho, houve ameaças feitas a homossexuais, além de agressões a rodo nas redes sociais. Já no dia da eleição, à noite, após o resultado, o Presidente do PT foi “homenageado” por um grupo de eleitores do capitão: por inúmeras vezes, passaram em frente à sua casa em seus carros, pararam, soltaram foguetes em seu terreiro, buzinaram e gritaram “chupa PT”. A “homenagem” durou até de madrugada.
Foi a eleição das fake news (notícias mentirosas da internet), criando, nos incautos e ingênuos, um ódio cego contra o PT, pura repetição da grande mídia ou da campanha do capitão, como o famoso “kit gay”, que, todos sabem, nunca existiu. Eleições fraudulentas desde que Lula foi impedido de candidatar-se, mesmo com uma determinação da ONU – Organização das Nações Unidas. E como o Golpe de Estado teve – e continua tendo – um papel central do Supremo (“Com o Supremo e com tudo”, como diria o “filósofo” Romero Jucá – pMDB), de nada adiantaram as denúncias feitas pelo Jornal Folha de São Paulo sobre os crimes de Caixa Dois praticados pelo militar: o TSE fingiu que, no caso do capitão, não era crime.
O homem que defende abertamente a tortura; que se orgulha de ter votado – duas vezes, como ele diz – contra as empregadas domésticas; que defende metralhar um aglomerado urbano; que insinua que negros são animais ao dizer que quilombolas são muito gordos e deveriam ser pesados no arroba; que defende a perseguição aos adversários e o ataque aberto a trabalhadores rurais sem terra; que disse publicamente a uma deputada que só não a estuprava porque ela era feia; que disse ter usado o dinheiro do “auxílio-moradia” para “comer gente” – dentre outras coisitas mais! – foi eleito por 39% dos eleitores.
Reinaldo Fernandes
Editor
O anúncio de suas primeiras medidas, como a Reforma da Previdência; o fim dos Ministérios do Meio Ambiente, do Esporte e da Cultura; o convite ao juiz de 1ª instância que dizia que nunca entraria para a política para Ministro; a volta da CPMF; o aumento de imposto para a classe média; e a taxação das igrejas já causaram grande impacto negativo, e o número dos arrependidos aumenta a cada dia.
Preocupando o mundo inteiro por causa de suas posições consideradas fascistas, o capitão toma posse em janeiro, para um mandato de quatro anos. Enquanto isso, os movimentos sociais recordam a “Bella Ciao”. E preparam a resistência.