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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Edição 194  Janeiro 2017
Editorial:
A Demagogia e a Demagoga de plantão
"À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta"

A frase acima tem origem na Roma do séc. I a. C., no episódio em que César se divorcia de Pompeia, sua esposa, sob a alegação de que "minha esposa não deve estar nem sob suspeita": pairava a dúvida, sem nenhuma prova, de que Pompeia poderia ter sido seduzida pelo jovem Públio Clódio. Desta frase derivou outra: "À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta". E desta, resultou outra muito  ensinada pelo líder da Revolução Burguesa da França, Nicolau Maquiavel, “Mais importante do que ser é parecer ser.” Esta, por sua vez, muito utilizada na política brasileira.
Segundo Maquiavel, não é necessário ter todas as qualidades, mas é indispensável parecer tê-las. “Se as tiver e utilizar sempre, serão danosas, enquanto, se parecer tê-las, serão úteis. "...empenhar-se para que, em suas ações, se reconheça grandeza, ânimo, ponderação e energia", ensina o autor de “O Príncipe”. É ele também que ensina: “Fazei o mal, mas fingi fazer o bem” e “Lograi o próximo toda vez que puderdes.”
A isso, chamo “demagogia”, um termo mais moderno, embora de origem grega. Demagogia significa "arte ou poder de conduzir o povo". “É uma forma de atuação política na qual existe um claro interesse em manipular ou agradar a massa popular, incluindo promessas que muito provavelmente não serão realizadas, visando apenas a conquista do poder político ou outras vantagens correlacionadas.”
A (o) demagoga (o) usa essa “estratégia de condução político-ideológica, valendo-se da utilização de argumentos apelativos, emocionais ou irracionais, ao invés de argumentos racionais para proveito próprio.” Trata-se de manipulação da população pelo uso de aparentes argumentos de senso comum entremeados com falácias, falsas verdades. 
A demagoga aparenta humildade ou honestidade para atrair o reconhecimento ou admiração dos outros.
No livro "A Política", Aristóteles aponta a demagogia como a corrupção da democracia. Nos dias de hoje a democracia é corrompida graças, também, à demagogia quando políticos (vereadoras, prefeitos, deputados etc) - que deveriam servir ao povo - utilizam estratégias para enganá-lo, fazendo promessas que nunca serão cumpridas, tudo para o seu próprio benefício.
A política demagoga é aquele tipo de gente que vive postando fotos no face book enquanto participa de uma reunião ou evento: muitas vezes, não está colaborando em nada com o evento (isso quando não está atrapalhando!). No entanto, na foto, parece (Mais importante do que ser é parecer ser.”) que está contribuindo para aquela reunião. Aliás, a demagoga chega num evento depois que ele já se iniciou, fica dez minutos, pede a alguém para fotografá-la, envia para o face, e se retira. Porque, o importante, mesmo, não é apoiar o evento, mas parecer que apoia.
Outro exemplo seria (mera suposição, é claro!): a demagoga chega para a senhora, mesmo que seja num velório, momento de dor (“utilização de argumentos apelativos, emocionais”), abraça-a e diz: “Nossa, a senhora está muito bem! E suas filhas, como vão?”, embora aquela senhora nunca tenha tido filhas. A demagoga não se importa com aquela senhora e sua família. Mas isso não é importante! O importante é parecer que ela se preocupa com aquela senhora, com seus eleitores, com a população.
Outro exemplo de demagogia, a título, assim, de argumentação teórica, mera suposição: uma demagoga chega para a moça e diz: “Oi, Fulana! (dando dois beijinhos, igual Judas em Cristo...) Cadê o namorado?” A que a moça responde: “Não tenho namorado.” E como a demagoga é uma “cara de pau”, sempre preparada para enganar, sorri e acrescenta: “Não tem porque não quer, porque você é linda!”
Os demagogos, e as demagogas, são assim.
Aprovam uma lei para beneficiar servidores públicos, para fazer demagogia com dinheiro do cidadão. E quando são pegos “com a boca na botija” pelo Ministério Público dizem para os servidores: “É um absurdo esse MP, exagerado, era só uma forma de ajudar vocês, de melhorar a vida de vocês!” e recebem os abraços dos incautos, inocentes ou, por vezes, outros igualmente demagogos.
Os demagogos – e as demagogas – criticam um projeto de lei por seu conteúdo. Embora tenha agido da mesma forma alguns meses antes.
“Agradar a massa popular, incluindo promessas que muito provavelmente não serão realizadas”: a demagoga fala o que o povo quer ouvir, mas não fala o que o povo precisa ouvir. Vamos supor outra situação: a demagoga promete protocolar um Projeto de Lei para que todos possam ter um carro particular do SUS para levá-los a BH, embora saiba que essa é uma proposta inconstitucional e que o PL não será aprovado. Outro exercício retórico: a demagoga promete protocolar um Projeto de Lei para que todas as meninas possam receber gratuitamente a vacina contra o HPV nas escolas de Ensino Médio (onde há jovens que votam!). Embora a demagoga saiba que a vacinação gratuita para o HPV seja apenas para meninas de 11 a 13 anos de idade e saiba que essa é uma proposta inconstitucional e que o PL não será aprovado. Mas isso, também, não é importante: o importante é “parecer” que quis defender os interesses do povo e dos eleitores. Depois diz: “Eu tentei, gente. Eles é que reprovaram meu projeto!”
Reinaldo Fernandes
Editor
Fazei o mal, mas fingi fazer o bem”: o demagogo é um enganador! Quando você, caro leitor, se interessar por aquele que você acha que pode ser uma demagoga (o), acompanhe seu trabalho, fiscalize. Você vai descobrir que fala demais, faz de menos. O grosso mesmo, do que “parece” fazer, não faz! São fotos, discursos, enganação: demagogia. Minha mãe não era grega. Nem romana. Mas era sábia: “O fundo da panela quem conhece é a colher!” 

Boa leitura do de fato, edição nº 194, ano 19 de circulação! 
Edição 194  Janeiro 2017
Começou mal
Relação entre Câmara, população e Prefeitura começou de forma ruim: vereadores aprovaram o Orçamento de 2017 deixando ao Prefeito a liberdade para gastar em torno de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) sem que a Câmara possa opinar a respeito ou ao menos saber sobre os gastos

Os novos vereadores poderiam ter começado seus mandatos mostrando para a população que querem ser diferentes dos vereadores anteriores, fazendo melhor do que fizeram os antigos vereadores. Muito provavelmente, foi isso que disseram aos seus eleitores durante a campanha: que seriam melhores vereadores. Mas não foi o que aconteceu logo na primeira decisão que tiveram que tomar. Pelo contrário, começou muito mal a relação entre os novos vereadores, a população que os elegeu e a nova administração da Prefeitura de Brumadinho.
Em sessão extraordinária realizada no dia seis de janeiro vereadores aprovaram o Orçamento de 2017 deixando ao Prefeito a liberdade para gastar em torno de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) sem que a Câmara possa opinar a respeito. Além de não poder opinar a respeito, os novos vereadores também não saberão como os 50 milhões serão gastos, onde e por quê.
A sessão foi comandada pela vereadora Alessandra do Brumado (PPS), atual presidenta da Casa. De acordo com o texto aprovado, conforme informações da própria Câmara, o prefeito poderá gastar 25% (vinte e cinco por cento) “para abertura de créditos adicionais suplementares (que não precisam passar por votação da Câmara Municipal)”. Os vereadores aprovaram também mais 25% para “abertura de créditos suplementares” do supéravit financeiro do exercício anterior (dinheiro que sobrou em caixa de 2016) e excesso de arrecadação que ocorrer em 2017. O valor do Orçamento previsto para 2017 é de R$ 170.437.660,00 (cento e setenta milhões, quatrocentos e trinta e sete mil e seiscentos e sessenta reais).
A Câmara omite a informação sobre como se posicionou cada vereador durante a votação.


Vereadores abrem mão de seu papel

É muito lamentável que o Prefeito Municipal queira, em pleno séc. XIX, gastar em torno de 50 milhões do Orçamento sem que os vereadores possam opinar a respeito. No entanto, muito pior é ver os próprios vereadores se sujeitarem a esse papel.  Aos aprovarem tais medidas, os vereadores abrem mão de seu papel de acompanhamento e fiscalização de um dos mais sérios trabalhos que deveriam exercer enquanto representantes do povo. Ao que tudo parece indicar, vai se repetir o que aconteceu de 2009 a 2012, total submissão dos vereadores ao Chefe do Poder Executivo.

Orçamento Participativo fica de fora

O Orçamento Participativo, uma conquista da população que foi transformada em Lei, também ficou de fora da proposta orçamentária aprovada pelos novos vereadores em 6 de janeiro. Dessa forma, tanto o novo Prefeito quantos os novos e velhos vereadores iniciam seus mandatos descumprindo uma lei municipal. Isso pode levar a mais uma intervenção do Ministério Público.

Vereadoras se contradizem

Segundo o site da Câmara Municipal, “o Poder Executivo optou por manter a proposta orçamentária do mandato anterior, uma vez que a reavaliação de todas as receitas e despesas demandaria um trabalho demorado, o que travaria a atual gestão, impedindo implementação de políticas públicas e a manutenção de atividades fundamentais.” O discurso é antigo: “impedindo implementação de políticas públicas e a manutenção de atividades fundamentais”. O fato de não se aprovar o orçamento no ano anterior não impede o governo de fazer gastos: ele pode gastar 1/12 (um doze avos) do valor equivalente ao orçamento anterior até que o novo seja aprovado. Aliás, essa foi a explicação dada aos populares que estavam na Câmara em dezembro para justificar a não votação do PL e convencer a população de que isso não prejudicaria a “implementação de políticas públicas e a manutenção de atividades fundamentais.
O que houve na verdade foi uma contradição de pelo menos duas das vereadoras da legislatura anterior, Alessandra do Brumado e Renata Parreiras, ambas do PPS.
As duas vereadoras participaram da reunião de Comissões Permanentes em dezembro e defenderam, diante de dezenas de pessoas, que o PL do Orçamento não fosse votado em 2016. Diante de dezenas de pessoas, a maioria delas do chamado Observatório Social – que vinha participando das reuniões sobre o assunto - Alessandra do Brumado e Renata Parreiras discursaram criticando a peça orçamentária e a não previsão de dinheiro para o Orçamento Participativo. Alessandra do Brumado e Renata Parreiras lembraram que o PL apresentava uma série de inconsistências e que não deveria ser aprovado.
Acompanharam também a reunião várias pessoas ligadas ao governo atual e que tinham interesse em que o Orçamento não fosse aprovado naquele moimento.
As duas vereadoras tinham razão: a peça era muito ruim. O que causa estranheza é o fato de as duas terem “mudado de opinião” logo em seguida. Se em dezembro as duas achavam que o Projeto de Lei tinha que ser modificado, e que deveria ser incluso o Orçamento Participativo, “mudaram” de opinião e votaram uma proposta boa para a atual administração. Mas piorada para a população.

Regimento Interno foi desrespeitado

O episódio ainda traz à tona outro problema sério: o Regimento Interno do Legislativo foi desrespeitado. A posse foi no domingo, 1º de janeiro e o PL só pode ter sido enviado à Câmara a partir do dia 2, segunda. Na sexta ele foi votado.  No entanto, de acordo com o Regimento Interno, quando o Projeto de Lei do Orçamento chega ao Legislativo, ele deve ser distribuído aos vereadores, que terão 15 (quinze) dias para apresentação de emendas. Pode ter acontecido de os vereadores novatos, ao não saberem desse dispositivo do Regimento, terem sido ludibriados por outros mais “experientes”. Ou então foram convencidos pelo corriqueiro discurso de que haveria o impedindo da “implementação de políticas públicas e a manutenção de atividades fundamentais.”
Assim, o Regimento não foi respeitado, o que pode ser um grande complicador para a atual legislatura.
O Regimento é a “Lei” que garante que os trabalhos do Legislativo sejam organizados por regras, impedindo que a Presidência ou qualquer outro vereador imponha sua vontade, ou, como se diz na gíria política, “passe o trator” sobre os demais colegas. Mesmo o Plenário da Casa, que é soberano, só pode decidir sobre qualquer questão respeitando o que dispõe o Regimento.

O Regimento é importante também, e especialmente, para proteger as minorias, de forma que a ditadura da Presidência ou de qualquer outro impeça o trabalho dos colegas. Mesmo os projetos nos quais o Executivo pede “Urgência” – que deve ter sido o caso - podem ser apreciados em 30 dias, conforme o Regimento. 
Edição 194  Janeiro 2017
Iluminação Pública: Prefeitura arrecada R$ 1,572 milhão e gasta apenas R$ 516 mil
População contribui com mais de R$ 1 milhão que não é gasto com a iluminação pública: dinheiro pago na conta da CEMIG engorda os cofres da Prefeitura

Deu “pano pra manga” a matéria “Vereadores votam contra projeto que acabava com a Taxa ilegal de Iluminação Pública”.  Com direito à ameaça de processar o Editor do de fato, ataques ao jornal acusando-o de ser “folhetim” (como se isso fosse ofensa!), etc, e mais algumas bobagens e falácias de quem não tinha argumentos para convencer as quatrocentas pessoas que assinaram o abaixo-assinado em apoio ao projeto e ao restante da população de que ela – a população – ficou prejudicada com o voto dado contra o projeto.  
A desculpa mais dada por quem votou contra a população e a favor da Prefeitura foi a de que o Projeto de Lei era inconstitucional.
Esse foi o argumentado apresentado pela Assessoria Jurídica da Câmara quando analisou o projeto. No entanto, as empresas que prestam assessoria jurídica para a Câmara de Brumadinho não são contratadas por licitação. Elas são contratadas diretamente pela Presidência do Legislativo. Dessa forma, são cargos de confiança da Presidência. Historicamente, muitos pareceres jurídicos são dados de acordo com o interesse de quem os encomenda. Assim, se a Presidência pedir um parecer “a favor”, o parecer aparece “a favor”. Se a Presidência pedir um parecer contrário, ele também aparece. Vale ainda ressaltar que a palavra “Parecer” quer significar “aquilo que parece a alguém, uma opinião” e não uma verdade absoluta. Muito embora muitos assessores se sintam irritados quando seus pareceres são questionados, como se fossem portadores de verdades absolutas, irretocáveis, ou, pior, inquestionáveis.
A Assessoria Jurídica da Câmara deu parecer defendendo que o PL era inconstitucional. 
Já o autor do PL, o então vereador Reinaldo Fernandes (PT) defendeu que a Taxa é ilegal porque "a doutrina administrativista, de forma quase uníssona, classifica o serviço de iluminação pública como aquele prestado pelo Estado indiscriminadamente, de forma geral e universal, portanto remunerável apenas por impostos.”
Como a iluminação pública beneficia a coletividade indiscriminadamente, o Supremo Tribunal Federal decidiu que “o serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa”, editando, inclusive, a Súmula n° 670, notadamente por se tratar de serviço imensurável, que não atende aos critérios de divisibilidade e especificidade, conforme previsto no art. 145, II, da CF/88 e no art. 77 do Código Tributário Nacional - CTN.
A iluminação pública não é um serviço público específico e divisível, utilizado apenas pelo contribuinte. Por isso, o que é inconstitucional, antijurídico é cobrá-la.

Falar em inconstitucionalidade foi desculpa para votar contra a população

Na superfície do discurso de alguns vereadores e vereadoras, “parece” verdade que votaram contra o fim da taxa ilegal de iluminação pública porque o Projeto de Lei era inconstitucional. Esse é mais um discurso fácil de ser produzido por quem não quer assumir as consequências de seus atos. Para além da superfície do discurso, o que se viu, na prática, durante a discussão do Projeto de Lei foi outra coisa. 
Na primeira reunião, os vereadores debateram por mais de uma hora e muitos tinham dúvidas sobre seu voto, apesar do “parecer” da Assessoria Jurídica e apesar do esforço da própria assessoria em defesa de seu “parecer”. Alguns vereadores diziam temer que a Prefeitura ficasse sem um grande recurso se o fim da Taxa fosse aprovado. Só depois desse tempo, tendo se mantido calada durante as discussões, que a Vereadora Alessandra do Brumado (PPS) apresentou pedido de informações, impedindo a votação do Projeto na reunião de Comissões.  Ausente a vereadora Renata Parreiras (PPS).
Depois de mais de um mês sem prestar informações, quando a Prefeitura o fez, ficou provado o que dizia o então vereador Reinaldo: a Prefeitura usava a Taxa para fazer fundo, aumentar a arrecadação às custas da população, ou seja, gastava apenas 516 mil com iluminação pública mas arrecadava mais de um milhão e meio. Mesmo desmascarada a Prefeitura, e derrubada expectativa de alguns vereadores de que a Prefeitura informasse que a Taxa era insuficiente para custear a iluminação pública, eles mantiveram o posicionamento contrário ao projeto. A vereadora Alessandra do Brumado (PPS), mesmo já tendo recebido as informações que tinha pedido, nomeada incorretamente como Relatora do PL, pediu oito dias para apresentar o seu relatório. Isso faria com que o projeto não fosse à votação, já que o ano estava terminando, os vereadores teriam que entregar seus gabinetes no dia 16 de dezembro e não haveria mais sessões do Plenário.
Em conclusão: a razão para votar contra o fim da Taxa ilegal não foi jurídica (inconstitucionalidade), foi política. Pode ser que o prefeito eleito, que ficara sem 1 milhão e meio anual, tenha pedido para que a Taxa não fosse aprovada.
Outra razão pode ter sido o mesquinho ciúme: é muito comum que vereadores fiquem chateados com outro vereador quando este propõe um projeto que pode lhe render vantagens políticas. Ou quando esses vereadores "acham" que a aprovação do projeto pode render vantagens políticas. Nesses casos, não ligam para 400 assinaturas dados pelo povo apoiando o projeto, não ligam para qualquer pessoa da população. É lamentável... mas acontece. 
 

Documento da própria Prefeitura prova que a Administração arrecada mais de 1 milhão e meio de reais e gasta apenas 516 mil com a iluminação pública por ano; por mês são R$ 131.054,50 arrecadados contra gasto de apenas 43 mil (os gastos com faturas dos “próprios públicos” não têm nada a ver com iluminação pública, dos postes nas ruas e praças). Ou seja, a Prefeitura engana e explora a população em sua "ganância arrecadadora", como diria o vice-prefeito Leônidas Maciel 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Edição 194  Janeiro 2017
Saúde
Cefaleia em crianças e adolescentes 

 A cefaleia ou “dor de cabeça” é um dos sintomas mais comuns em crianças e, felizmente, na maioria das vezes não representa uma doença complicada. Apenas 5% das cefaleias são secundárias, ou seja, representam um sintoma de alguma outra doença, exigindo um tratamento específico. De qualquer forma, é um sintoma que não pode ser negligenciado, ainda mais se estiver acompanhado dos chamados sinais de alerta.
Mesmo que raramente traga riscos para a criança, a cefaleia pode exigir tratamento contínuo já que a frequência e a intensidade das dores podem atrapalhar as atividades escolares e de lazer. A criança que tem cefaleia não tratada pode apresentar além da dor, comprometimento no rendimento escolar, além de isolamento dos amigos por não poder participar das atividades de lazer e esportivas na frequência desejada.
Um mito ainda muito presente é o de que os problemas visuais sejam importante causa de cefaleia. A principal forma de cefaleia crônica encontrada na infância é a enxaqueca, seguida pela cefaleia tensional (devida à tensão ou contração exagerada de grupos musculares do pescoço, ombros, couro cabeludo e face). Devemos tentar caracterizar a intensidade da dor, o horário, sintomas associados, fatores desencadeantes para ajudar a caracterizar o tipo de cefaleia e sua intensidade. A criança pode apresentar fatores desencadeantes como a ingestão de determinados alimentos, jejum prolongado, sono excessivo, privação de sono, esforço físico, uso de medicamentos, dentre outros. Na enxaqueca, por exemplo, é frequente a ocorrência de náuseas, vômitos, dor abdominal, incômodo à luz ou ao barulho, palidez e sudorese, dentre outros. Além disso, devemos nos atentar ao uso abusivo de analgésicos, que podem ser responsáveis pela cronificação de cefaleias episódicas.

Sintomas

Os principais sintomas de alerta para cefaleia secundária são dor intensa, de início abrupto, mudança no comportamento da dor com aumento da frequência ou intensidade, dor diária desde sua instalação, dor que não responde à analgésicos,  presença de convulsões  associadas, presença de doenças que atinjam outros órgãos, distúrbios de coagulação, além de sinais observados ao exame físico como sinais meníngeos (sugestivos de meningite), febre, alterações motoras (perda de força de uma lado do corpo, por exemplo) e alterações visuais.
A enxaqueca é a cefaleia mais estudada da infância. Não existe nenhum exame de laboratório ou imagem que defina o seu diagnóstico. Sendo assim, é a partir das características das crises que o médico vai definir o tipo de cefaleia. Nos casos de cefaleias crônicas, é importante que se faça um diário da cefaleia, assim a criança ou seu familiar devem anotar como foi o início da dor, tempo de duração, se foi de um lado da cabeça ou dos dois, se causou tontura, náuseas ou vômitos, se melhorou com o analgésico, que medicamento utilizou, etc. A enxaqueca, em geral, dura poucas horas até 72 horas, pode ser em qualquer lugar no crânio mas principalmente na fronte ou dos lados do crânio, pulsátil, com tontura, náuseas ou vômitos, incômodo à luz e ao barulho. Conforme a idade de apresentação, os sintomas podem variar.
Fatores genéticos, psicológicos e ambientais influenciam fortemente a expressão da cefaleia na infância.
O tratamento deve ser individualizado conforme as suas características e intensidade, visando melhorar a qualidade de vida da criança e da sua família.

As informações são de Marcela Lima, com conteúdo desenvolvido pelo Dr. Marco Aurélio Safadi (CRM: 54792), professor de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e coordenador da Equipe de Infectologia Pediátrica do Hospital. 
Edição 194  Janeiro 2017
Saúde
Síndrome de Burnout e esgotamento profissional
Sete dicas para vencer o estresse corporativo

Competitividade acirrada, metas cada vez maiores e mais rígidas, tempo escasso e cobrança excessiva fazem do mercado corporativo um negócio para o desenvolvimento das chamadas doenças emocionais. O estresse tem sido rotulado como o grande mal do século e crescendo o número de pessoas com a Síndrome de Burnout, conhecida pelo esgotamento profissional.
A chamada Síndrome de Burnout é definida por alguns autores como uma das consequências mais marcantes do estresse profissional, e se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). Enfim, a Síndrome de Burnout representa o quadro que poderíamos chamar "de saco cheio" ou "não aguento mais".
"A depressão é a doença número um esperada até 2030. Portanto, temos que prestar atenção aos sinais que nossas emoções estão nos apresentando", alerta a especialista Andrea Deis.
Profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada correm risco maior de desenvolver a síndrome.
Esta síndrome é o resultado do estresse emocional incrementado na interação com outras pessoas. Algo diferente do estresse genérico, a Síndrome de Burnout geralmente incorpora sentimentos de fracasso. Seus principais indicadores são: cansaço emocional, despersonalização, falta de realização pessoal, dores de cabeça, problemas digestivos, erupções cutâneas, resfriados constantes, alterações de apetite, fadiga, dificuldade de concentração, vazio mental, esquecimentos, frustração, agressividade e solidão.

Confira 7 dicas da especialista Andrea Deis para vencer o estresse e evitar o esgotamento profissional:

1 . Aprenda a administrar o seu tempo.
2 . Repense sobre seus valores e perceba como está lidando com eles.
3 . Estabeleça prioridades.
4 . Aprenda a lidar com o vício do sucesso.
5 . Ninguém está livre das frustrações. Aprenda a superá-las.
6 . É importante saber gerenciar os relacionamentos.

7 . Saiba administrar os conflitos e não somatizá-los.
Edição 194  Janeiro 2017
Saúde
As doenças do cigarro
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o número de mortes pode chegar a oito milhões por ano até 2030

Todos sabem que fumar não faz bem para saúde. O cigarro possui quase cinco mil substâncias tóxicas, dessas, 60 são cancerígenas.  A mais conhecida entre essas substâncias é a nicotina, que está entre as que mais fazem mal ao organismo, além de ser a principal responsável pelo vício. Por se tratar de uma droga lícita, as pessoas conseguem comprar cigarros e fumar em diversos ambientes sem maiores problemas.
Segundo estudo divulgado, no último dia 10 de janeiro, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, o número de mortes relacionadas ao tabaco deve saltar de 6 para 8 milhões até 2030. Desse total, estima-se que 80% ocorram em países de baixa e média renda. Ainda segundo a pesquisa, o número total de fumantes em todo o mundo vem aumentando.  O grande problema é que nem todos nem todos sabem que o cigarro pode desenvolver mais de 50 tipos de doenças no fumante e até mesmo nos não fumantes, mas que aspiram a fumaça.
“Quando o cigarro é tragado, a mucosa nasal fica irritada e as cordas vocais se dilatam. A voz fica rouca, os batimentos cardíacos aumentam assim como a pressão arterial e a frequência respiratória, a digestão fica mais dificultada e ocorre um aumento na vasoconstrição. Tudo isso possibilita o desenvolvimento de diversas complicações”, explica Aier Adriano Costa, especialista na questão.


Outras doenças

Ainda segundo o médico, existem vários tipos de doenças, além do câncer, que podem ser causadas ou agravadas pelo cigarro, trazendo problemas para os mais variados sistemas do corpo humano.
– Sistema nervoso: a nicotina atinge o cérebro e vicia, causando, além da dependência, degeneração muscular, catarata e deficiência visual. O consumo frequente de cigarro também enfraquece o olfato e o paladar;
– Sistema respiratório: as substâncias do cigarro, quando inaladas, danificam os pulmões, que com o passar do tempo perdem a sua capacidade de filtro. Isso faz com que os fumantes desenvolvam doenças como o enfisema, a bronquite crônica e a mais séria de todas: o câncer de pulmão;
– Sistema cardiovascular: a nicotina causa a constrição dos vasos sanguíneos e aumento na pressão arterial, aumentando o risco da formação de coágulos sanguíneos e abrindo espaço para o acidente vascular cerebral. E isso vale não apenas para os fumantes de longa data, mas também para os passivos;

– Sistema digestivo: o cigarro, quando tragado, também pode gerar diversos problemas na boca, como a gengivite e a periodontite. Essas complicações levam ao mau-hálito, às caries e até mesmo a perde de dentes. Além disso, os fumantes têm mais chances de desenvolver câncer de boca, garganta, laringe, esôfago, renal e pancreático.
Edição 194  Janeiro 2017
Saúde
Fundação do câncer dá dicas de prevenção ao câncer de pele
Com a chegada do verão, é preciso redobrar os cuidados com a pele. A exposição solar sem proteção e fora dos horários recomendados é a principal causa de câncer de pele não-melanoma, o mais comum na população brasileira. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados no país.
Para o biênio 2016-2017, de acordo com o Inca, são estimados 175.760 novos casos da doença. Apesar de ser o que acomete mais pessoas, o câncer de pele é o tipo com mais baixa mortalidade e altos índices de cura, podendo chegar a 90%, se diagnosticado precocemente, aliado ao tratamento adequado.
A boa notícia é que com a adoção de medidas simples no dia a dia e acompanhamento médico regular é possível prevenir o câncer de pele. Confira as dicas do médico epidemiologista e do oncologista clínico da Fundação do Câncer, Alfredo Scaff e Frederico Müller.   
       
Horários recomendados para exposição ao sol

Deve ser antes das 10h e após as 16h. Fora desses períodos, a radiação solar é muito perigosa, pois favorece o envelhecimento precoce e aumenta os riscos de desenvolver câncer de pele. Com o banho de sol nos horários recomendados é possível garantir ainda boa absorção de vitamina D, que, entre os benefícios, fortalece os ossos.

Cuidados na praia ou piscina

Na praia, na piscina ou em qualquer outro local onde haja exposição ao sol, a proteção é sempre a melhor opção. Por isso, use sempre chapéus, bonés, roupas com proteção UV e guarda-sol (feito de algodão ou lona, evitando barracas de nylon). É essencial o uso de filtro solar com, no mínimo, FPS 30, contra radiação UVA e UVB, no corpo e nos lábios. Reaplicar o produto a cada duas horas ou menos, nas atividades de lazer ao ar livre. Eles ajudam a bloquear a ação dos raios solares. Também é importante a utilização de óculos escuros com filtro ultravioleta, que previnem lesões oculares.

Profissionais que trabalham ao ar livre

Os tumores de pele estão relacionados a alguns fatores de risco e, principalmente, à exposição aos raios ultravioletas do sol. Pessoas que trabalham sob o sol são mais vulneráveis ao câncer de pele não-melanoma. Além dos cuidados básicos de proteção, quem trabalha ao ar livre durante o dia deve usar camisas de manga longa e calças compridas e buscar abrigo na sombra. O protetor solar deve ser repassado na frequência indicada pelo profissional de saúde. Vale ressaltar que, fora do prazo, eles não oferecem proteção. Essas orientações também são válidas para quem pratica atividades físicas ao ar livre.

Sintomas que podem indicar câncer de pele

Feridas na pele que demoram a cicatrizar (em um período maior que quatro semanas), variações na cor de sinais que já existiam, manchas que coçam ou sangram e o surgimento de pintas com bordas irregulares podem ser indicativos da doença.
Importante destacar o chamado “ABCD” da transformação de uma pinta em melanoma. Ou seja: Assimetria – uma metade diferente da outra; Bordas irregulares – contorno mal definido; Cor variável – várias cores em uma mesma lesão; Diâmetro – maior do que seis milímetros. Caso perceba algum desses sintomas em você ou alguém da sua família, procure um profissional de saúde o mais rápido possível. O diagnóstico precoce é um bom aliado no tratamento da doença. Por isso, é fundamental o acompanhamento médico periódico.

Grupos de risco na população

O câncer de pele se manifesta, na maioria dos casos, em pessoas com mais de 40 anos, de pele clara, olhos azuis ou verdes, cabelos loiros ou ruivos, pessoas albinas, histórico de câncer de pele pessoal ou na família e em forma de feridas, nódulos ou pintas em qualquer parte do corpo. A doença é relativamente rara em crianças e pessoas de pela negra, com exceção dos portadores de lesões cutâneas anteriores.

Riscos do bronzeamento artificial


As câmaras de bronzeamento artificial trazem riscos comprovados à saúde, e, em 2009, foram reclassificadas como agentes cancerígenos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), no mesmo patamar do cigarro e do sol. A prática de bronzeamento artificial antes dos 35 anos aumenta em 75% o risco de câncer de pele, além de acelerar o envelhecimento precoce e provocar outras dermatoses.
Edição 194  Janeiro 2017
Só Rindo
Recém formado
Dois advogados estão conversando.
___ Papai, estou desesperado, não sei o que fazer! Perdi aquela causa.
___ Meu filho, não se preocupe, advogado não perde causa. Quem perde é o cliente.

Festa na contramão
O bêbado entra na contramão e o guarda o detém.
___ onde é que o senhor pensa que vai?
___ Bom... eu tava indo numa festa... mas parece que já acabou. Está todo mundo voltando...

Café da manhã
Furioso, o homem abre a porta para a esposa, às cinco horas da madrugada, e a encontra completamente bêbada, cabelos desgrenhados, e exalando um intenso perfume masculino.
___ Vamos, sua canalha! Me dê pelo menos um bom motivo para você chegar assim, a essa hora!
___ Dou, sim! O café da manhã.

Pôquer
- Abandonei meu marido quando o flagrei em um jogo de pôquer.
- Por quê? Ele tinha um ás na manga?
- Não, tinha uma dama no colo.

Canibais
Dois canibais almoçando:
- Não aguento mais minha sogra!
- Então, come só a batatinha!

Na Biblioteca
Um homem entra na biblioteca e pergunta à bibliotecária:
- Pode ajudar-me a encontrar um livro?
- Diga-me o titulo do livro, por favor.
- Homens: o sexo forte!

- A ficção cientifica é no piso de baixo!
Opinião:
A  crônica de uma  tragédia  previsível
Nêggo Tom*

Após mais uma tragédia aérea que vitimou mais uma personalidade da nossa chafurdada política, recebo o telefonema de um amigo coxinha, desses que bate panela na varanda, sai às ruas protestando contra a corrupção vestindo a camisa da corrupta CBF, pede intervenção militar para ter liberdade e acredita que o Jair Bolsonaro é a reencarnação de Napoleão Bonaparte com os poderes de Jesus Cristo.
- Fala, Nêggo! É o Otávio!
- Fala, Tatá! O que manda?
- Rapaz! O avião do Teori caiu. Que doideira, cara!
- Pois é! Estranho, né?
- Estranho nada! Tá na cara que a esquerda tá envolvida nisso.
- Por que você acha isso?
- Acho não. Tenho certeza! Quem mais teria o interesse de parar a lava jato?
- O Romero?
- Que Romero o que, rapaz! Aquele lá só quer vender os quadros dele. Eu até comprei um quando fui a Miami.
- O Romero Jucá pinta quadros? Pensei que ele só pintasse o sete.
- Que Romero Jucá? Eu tô falando do Romero Brito. Se liga na conversa, pô! Fica andando com comunista, dá nisso. Perde o foco.
- Eu nunca fui comunista, Tatá.
- Como não? Você foi contra o impeachment da Dilma....
- Tá! Esquece....
- Tá vendo? Já ficou sem argumentos. Haha! Mas quem é esse Romero Jucá?
- O braço direito do Michel
- Que Michel? Já sei! Aquele que te pegou lá no quartel. Dã dã....Eu to falando sério e você vem com as sua piadas.
- Eu também estou falando sério. Não se lembra do áudio vazado, no qual o Jucá diz ao Sergio Machado que é preciso estancar a sangria?
- Áudio vazado? Sangria? Tu acha que esses caras bebem sangria, Tom? Esses caras só tomam Chandon e 12 anos. Isso é montagem de petista para desviar o foco.
- Mas no mesmo áudio o Sérgio Machado sugere ao Jucá uma aproximação com o Teori para dar uma segurada na operação, e o Jucá diz que não tem aproximação com o Teori, porque ele é muito fechado, certinho, burocrata pra caralho....
- Lá vem você com insinuações infundadas. Para de ler o Brasil 247. Aquele site é pura manipulação.
- Mas saiu em todos os jornais. Ele também sugeriu tirar a Dilma e colocar o Michel.
- Que mané, Michel....
- Michel é o presidente, Tatá.
- Eu sei! Mas ele não tem nada a ver com isso
- Pode até ser, Tatá? Mas ele foi citado 43 vezes no caso Odebrecht e segundo depoimentos, pediu propina ao Eduardo Cunha.
- Como vocês são levianos. Se foi o Michel que começou a limpar a casa, tirando o Eduardo Cunha do poder, como ele pode estar envolvido?
- Foi o Teori que tirou o Cunha, Tatá. E também botou o Delcídio em cana. Ele também estava prestes a homologar 77 delações do esquema de propinas da Odebrecht, o que poderia mandar muita gente pra cadeia. Até o Sarney e o Renan estão na lista.
- Para de botar o nome de quem já morreu e não pode mais se defender, no meio dessas armações da esquerda.
- Quem morreu Tatá?
- O Sarney.
- Mas o Sarney ainda está vivo. Quem morreu foi o Ulysses Guimarães e por coincidência, também num misterioso acidente aéreo.
- Já vem você querer ressuscitar outros mortos. Só falta você insinuar que o Aécio também está envolvido no esquema da Odebrecht.
- E está. É o mais citado. Você não viu nos jornais?
- Não leio imprensa marrom
- Mas saiu em todos os jornais...
- Não confio na imprensa
- Mas em quem você confia?
- No Sergio Moro.
- O que estava rindo com o Aécio na foto?
- Vocês esquerdistas são engraçados. Agora o cara não pode nem mais sorrir?
- Ao lado de alguém que ele deveria investigar, não
- Difícil conversar com você. Não sei porque você ainda me liga pra falar de política
- Mas foi você quem me ligou...
- Tá! Não ligo mais. Agora só falta dizerem que o Jucá, o Michel, o Aécio e o Cunha tinham interesse na queda do avião.
- Na queda do avião não....
- Então por que tentar acusar a direita de tudo de ruim que acontece nesse país?
- Mas é a esquerda que sempre leva a culpa, Tatá.
- Mas a esquerda é culpada mesmo. Vai ver está envolvida na queda desse avião.
- Os mais citados na lava jato são da direita, Tatá. PMDB e PSDB são os partidos com mais políticos envolvidos.
- Bom! Não dá pra conversar com você. Você distorce tudo. Vamos rezar para que o Sérgio Moro assuma a vaga do Teori.
- Você acha mesmo que isso seria bom?
- Seria ótimo! Ele colocaria o Lula e todos os petistas mortadelas em cana. Hahaha!
- Mas e os políticos de outros partidos envolvidos no esquema?
- Isso não vem ao caso. O importante é acabar com o PT e com a esquerda. Depois a gente cuida do resto.
- Depois quando? Depois que outro avião cair?
- Ah! Chega! Não aguento mais essas insinuações infundadas que você faz. Só falta você dizer que o Temer é quem vai indicar o substituto do Teori.
- E não é?
- Não falei? Você é foda! Só falta insinuar que o Gilmar Mendes será o novo relator da lava jato, só porque viajou com o Temer no mesmo avião.
- É possível. Tomara que o avião dele não caia também.
- Quanta maldade nesse coração, cara! Quem viaja bem acompanhado sempre chega em segurança. O avião nunca cai.
- Nisso eu concordo com você.
- Concorda? Você nunca concorda comigo. Por que concordou agora?
- Porque um avião pode até cair duas vezes no mesmo lugar, mas nunca pelo mesmo motivo.
- Pronto! Agora vai ficar lançando enigmas pra eu desvendar? Seja mais claro! O que você quer insinuar agora?
- Nada. O novo relator da lava jato te dará a resposta.
- Tomara que dê mesmo! O povo não aguenta mais essa corja petista no poder
- O PT já não está mais no governo há uns sete meses, Tatá! Você ainda não percebeu nenhuma mudança para melhor?
- Não! Mas isso não vem ao caso. Só de ter um presidente que fala o português correto e uma primeira dama bela, recatada e do lar, já dá ao país outra cara. Isso passa credibilidade aos investidores estrangeiros.
- Tá certo, Tatá! Preciso sair agora. Vou levar o carro no lava jato. Ele está mais sujo de poeira do que aquele helicóptero que pousou em Minas. Lembra?
- Que helicóptero? Caiu outro que eu não esteja sabendo?
- Não, Tatá! Esse helicóptero não caiu não. É como você falou. Quem viaja bem acompanhado sempre chega em segurança. Um abraço!
- Você e suas ironias. Um abraço! Se cuida!
- Você também!

*Isto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes de personagens e fatos reais, pode não ser mera coincidência.*


Nêggo Tom é cantor e compositor. É pobre, detesta doença e mais ainda camarão. Autor da música “Que malandro é esse?”, do CD “No balanço do meu som”, da Lança Disc, https://www.youtube.com/watch?v=Ug06FI9N2YY )