Busque em todo o blog do Jornal de fato

Entre em contato conosco: defatojornal@gmail.com / 99209-9899

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Edição 194  Janeiro 2017
Editorial:
A Demagogia e a Demagoga de plantão
"À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta"

A frase acima tem origem na Roma do séc. I a. C., no episódio em que César se divorcia de Pompeia, sua esposa, sob a alegação de que "minha esposa não deve estar nem sob suspeita": pairava a dúvida, sem nenhuma prova, de que Pompeia poderia ter sido seduzida pelo jovem Públio Clódio. Desta frase derivou outra: "À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta". E desta, resultou outra muito  ensinada pelo líder da Revolução Burguesa da França, Nicolau Maquiavel, “Mais importante do que ser é parecer ser.” Esta, por sua vez, muito utilizada na política brasileira.
Segundo Maquiavel, não é necessário ter todas as qualidades, mas é indispensável parecer tê-las. “Se as tiver e utilizar sempre, serão danosas, enquanto, se parecer tê-las, serão úteis. "...empenhar-se para que, em suas ações, se reconheça grandeza, ânimo, ponderação e energia", ensina o autor de “O Príncipe”. É ele também que ensina: “Fazei o mal, mas fingi fazer o bem” e “Lograi o próximo toda vez que puderdes.”
A isso, chamo “demagogia”, um termo mais moderno, embora de origem grega. Demagogia significa "arte ou poder de conduzir o povo". “É uma forma de atuação política na qual existe um claro interesse em manipular ou agradar a massa popular, incluindo promessas que muito provavelmente não serão realizadas, visando apenas a conquista do poder político ou outras vantagens correlacionadas.”
A (o) demagoga (o) usa essa “estratégia de condução político-ideológica, valendo-se da utilização de argumentos apelativos, emocionais ou irracionais, ao invés de argumentos racionais para proveito próprio.” Trata-se de manipulação da população pelo uso de aparentes argumentos de senso comum entremeados com falácias, falsas verdades. 
A demagoga aparenta humildade ou honestidade para atrair o reconhecimento ou admiração dos outros.
No livro "A Política", Aristóteles aponta a demagogia como a corrupção da democracia. Nos dias de hoje a democracia é corrompida graças, também, à demagogia quando políticos (vereadoras, prefeitos, deputados etc) - que deveriam servir ao povo - utilizam estratégias para enganá-lo, fazendo promessas que nunca serão cumpridas, tudo para o seu próprio benefício.
A política demagoga é aquele tipo de gente que vive postando fotos no face book enquanto participa de uma reunião ou evento: muitas vezes, não está colaborando em nada com o evento (isso quando não está atrapalhando!). No entanto, na foto, parece (Mais importante do que ser é parecer ser.”) que está contribuindo para aquela reunião. Aliás, a demagoga chega num evento depois que ele já se iniciou, fica dez minutos, pede a alguém para fotografá-la, envia para o face, e se retira. Porque, o importante, mesmo, não é apoiar o evento, mas parecer que apoia.
Outro exemplo seria (mera suposição, é claro!): a demagoga chega para a senhora, mesmo que seja num velório, momento de dor (“utilização de argumentos apelativos, emocionais”), abraça-a e diz: “Nossa, a senhora está muito bem! E suas filhas, como vão?”, embora aquela senhora nunca tenha tido filhas. A demagoga não se importa com aquela senhora e sua família. Mas isso não é importante! O importante é parecer que ela se preocupa com aquela senhora, com seus eleitores, com a população.
Outro exemplo de demagogia, a título, assim, de argumentação teórica, mera suposição: uma demagoga chega para a moça e diz: “Oi, Fulana! (dando dois beijinhos, igual Judas em Cristo...) Cadê o namorado?” A que a moça responde: “Não tenho namorado.” E como a demagoga é uma “cara de pau”, sempre preparada para enganar, sorri e acrescenta: “Não tem porque não quer, porque você é linda!”
Os demagogos, e as demagogas, são assim.
Aprovam uma lei para beneficiar servidores públicos, para fazer demagogia com dinheiro do cidadão. E quando são pegos “com a boca na botija” pelo Ministério Público dizem para os servidores: “É um absurdo esse MP, exagerado, era só uma forma de ajudar vocês, de melhorar a vida de vocês!” e recebem os abraços dos incautos, inocentes ou, por vezes, outros igualmente demagogos.
Os demagogos – e as demagogas – criticam um projeto de lei por seu conteúdo. Embora tenha agido da mesma forma alguns meses antes.
“Agradar a massa popular, incluindo promessas que muito provavelmente não serão realizadas”: a demagoga fala o que o povo quer ouvir, mas não fala o que o povo precisa ouvir. Vamos supor outra situação: a demagoga promete protocolar um Projeto de Lei para que todos possam ter um carro particular do SUS para levá-los a BH, embora saiba que essa é uma proposta inconstitucional e que o PL não será aprovado. Outro exercício retórico: a demagoga promete protocolar um Projeto de Lei para que todas as meninas possam receber gratuitamente a vacina contra o HPV nas escolas de Ensino Médio (onde há jovens que votam!). Embora a demagoga saiba que a vacinação gratuita para o HPV seja apenas para meninas de 11 a 13 anos de idade e saiba que essa é uma proposta inconstitucional e que o PL não será aprovado. Mas isso, também, não é importante: o importante é “parecer” que quis defender os interesses do povo e dos eleitores. Depois diz: “Eu tentei, gente. Eles é que reprovaram meu projeto!”
Reinaldo Fernandes
Editor
Fazei o mal, mas fingi fazer o bem”: o demagogo é um enganador! Quando você, caro leitor, se interessar por aquele que você acha que pode ser uma demagoga (o), acompanhe seu trabalho, fiscalize. Você vai descobrir que fala demais, faz de menos. O grosso mesmo, do que “parece” fazer, não faz! São fotos, discursos, enganação: demagogia. Minha mãe não era grega. Nem romana. Mas era sábia: “O fundo da panela quem conhece é a colher!” 

Boa leitura do de fato, edição nº 194, ano 19 de circulação! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário